As histórias surreais da principal rota de tráfico do Brasil

Cocaína – A Rota Caipira entrega os esquemas e as aventuras rocambolescas do narcotráfico brasileiro nas últimas décadas

(divulgação/Reprodução)

Business puro. Assim, com um investimento estimado pela PF em R$ 500 mil, o PCC montou um plano de combate para pegar Jorge Rafaat Toumani, o Sadam – o velho ‘rei da fronteira’.

A noite caía no dia 15 de junho de 2016 em Pedro Juan Caballero, Paraguai, quando Sadam deixou uma de suas empresas na cidade. Dirigia sua Hummer, escoltado por capangas em outras duas caminhonetes, uma à frente do seu veículo e outra logo atrás.

Na avenida Teniente Herrero, esquina com a rua Elisa Alicia Lynch, área central, ele decidiu ultrapassar a caminhonete da frente e parar no sinal vermelho do semáforo do cruzamento. Foi seu grande erro: naquele momento, o traficante ficou totalmente exposto a um ataque de frente.

Foi o que aconteceu. Uma caminhonete Toyota Hilux SW 4 fechou a passagem da Hummer e, do vidro traseiro lateral, aberto, uma metralhadora Browning M2, calibre 0.50, capaz de derrubar um helicóptero, começou a cuspir dezenas de balas sobre o vidro dianteiro blindado da Hummer, incapaz de segurar armamento tão pesado.

Dezesseis tiros abriram rombos no tórax e no crânio de Sadam, que teve morte instantânea.

Onze fazendas espalhadas pelo Brasil, dois edifícios inteiros e casas de veraneio em Santa Catarina, uma empresa de construção, um helicóptero de 3 milhões de reais e uma frota de carros de luxo. É a parte principal do patrimônio que era de Luciano Geraldo Daniel, vulgo Tio Patinhas, um dos principais chefes do tráfico no país no começo dos anos 2000.

É um dos muitos personagens cujas peripécias são relatadas em Cocaína – A Rota Caipira, livro do jornalista paulista Allan de Abreu.

Repórter policial, Allan conta como funciona o que chama de “principal corredor de drogas do Brasil”: os pontos cegos espalhados pelo estado de São Paulo, dos quais saem cocaína para o resto do país e para a Europa. Durante 14 anos, ele acompanhou operações de apreensão de droga e prisões, mas empenhou-se em apurar material novo.

Tanta informação pode causar alguma confusão eventual, mas as histórias são dignas de cinema (ou do seriado Narcos, sobre o lendário Pablo Escobar). Só o já citado Tio Patinhas renderia um livro inteiro, com fugas de flagrantes, troca de identidade e operação plástica, associação com o PCC, prisão, fuga e nova prisão.

E nem pense que os personagens desta saga são todos bandidões de feições carrancudas. Também há lugar para a ex-modelo catarinense Lucinéia Capra, que com 17 anos mudou-se para o interior paulista, conheceu um dos traficantes ligados ao Tio Patinhas, engravidou dele e decidiu se envolver a sério no ramo.

A bela loira de olhos azuis chegou a ser presa e condenada a 17 anos de prisão, mas fugiu e (até o encerramento da apuração do livro) está foragida. Sua mãe e irmã garantiram ao autor que nem com elas Lucinéia entrou em contato.

Luciano Geraldo Daniel (o Tio Patinhas) e a modelo Lucinéia Capra (divulgação/Reprodução)

E os métodos dos narcotraficantes vão do básico (aviões pequenos e helicópteros) ao engenhoso (cocaína enfiada em buchos bovinos) ou mirabolante (um plano de compra de um submarino para transportar 5 toneladas de cocaína numa única viagem marítima).

É um mercado bilionário no mundo e, especialmente, no Brasil. A ONU estima que 1,75% da nossa população seja usuária de cocaína (a média por país é de 0,4%). O livro desnuda a logística ilegal para atender a clientela.

Confira abaixo um trecho do livro que trata da morte do megatraficante Jorge Rafaat Toumani, até então conhecido como o “Rei da fronteira” do tráfico na divisa entre o Brasil e o Paraguai.

Business puro. Assim, com um investimento estimado pela PF em R$ 500 mil, o PCC montou um plano de combate para pegar Jorge Rafaat Toumani, o Sadam – o velho ‘rei da fronteira’.

A noite caía no dia 15 de junho de 2016 em PEdro Juan Caballero, Paraguai, quando Sadam deixou uma de suas empresas na cidade. Dirigia sua Hummer, escoltado por capangas em outras duas caminhonetes, uma à frente do seu veículo e outra logo atrás.

Na avenida Teniente Herrero, esquina com a rua Elisa Alicia Lynch, área central, ele decidiu ultrapassar a caminhonete da frente e parar no sinal vermelho do semáforo do cruzamento. Foi seu grande erro: naquele momento, o traficante ficou totalmente exposto a um ataque de frente.

Foi o que aconteceu. Uma caminhonete Toyota Hilux SW 4 fechou a passagem da Hummer e, do vidro traseiro lateral, aberto, uma metralhadora Browing M2, calibre 0.50, capaz de derrubar um helicóptero, começøu a cuspir dezenas de balas sobre o vidro dianteiro blindado da Hummer, incapaz de segurar armamento tão pesado.

Dezesseis tiros abriram rombos no tórax e no crânio de Sadam, que teve morte instantânea.


O filho de Pablo

(divulgação/Reprodução)

Juan Pablo Escobar é filho do narcotraficante colombiano Pablo Escobar, morto em 1993. Buscou saber de toda a violência que o pai promoveu para pedir perdão às famílias das vítimas.

Escreveu o livro Pablo Escobar: Meu Pai em 2014. Pouco depois, o seriado Narcos fez sucesso na Netflix e Juan Pablo se incomodou com uma suposta glamourização do tráfico. Por isso, lançou recentemente Pablo Escobar em Flagrante, com detalhes inéditos de atrocidades como atentados e assassinatos.