Diretor de O Silêncio dos Inocentes morre aos 73 anos

Além de grande trabalho no cinema, Jonathan Demme foi responsável por grandes clipes de Talking Heads, Bruce Springsteen e Justin Timberlake

Vencedor do Oscar de melhor diretor em 1973, Jonathan Demme responsável por clássicos como O Silêncio dos Inocentes e Filadélfia, morreu nesta quarta-feira (26) após complicações de um câncer no esôfago e problemas cardíacos, aos 73 anos.

Conhecido por ser um artista multifacetado, Demme tem como grande obra o clássico de suspense que revelou Anthony Hopkins ao mundo e que lhe garantiu o Oscar. Seu outro grande filme foi Filadélfia, que rendeu a Tom Hanks sua primeira estatueta. O longa também foi revolucionário ao ser um dos primeiros grandes filmes de estúdio a tratar da crise da AIDS, que se alastrou durante os anos 1990.

Seu último filme foi Ricki and The Flash: De Volta Para Casa, onde Maryl Streep interpretava uma velha rockeira que precisava retornar a sua família. Apesar de ter tido fraco desempenho nas bilheterias, a película conversa diretamente com outra faceta da obra de Demme.

Apesar de ter iniciado a carreira trabalhando em filmes B, foi com a música que o diretor se estabeleceu no cenário audiovisual, trabalhando com alguns dos mais icônicos artistas da década de 1980.

Ele foi o diretor do documentário Stop Making Sense, que misturava gravações ao vivo do Talking Heads com cenas gravadas que tendiam ao surrealismo, ao estilo da banda. O gigante terno que o cantor David Byrne usou no show se tornou um ícone (bizarro)  dos anos 1980.

Demme também foi um dos primeiros diretores a apostar no videoclipe como forma de arte, porém subvertendo a ordem vigente. Enquanto na época eram comuns clipes chamativos, cheios de grafismos e efeitos — o tal formato MTV — o diretor foi na contramão, junto com uma banda que também tinha a fama de ser “do contra”. O clipe de mais de 10 minutos de Perfect Kiss, do New Order, chamava a atenção não só pela duração, mas por seu conteúdo: era um registro seco de uma gravação da banda no estúdio, desde sua entrada na sala até a o desligar dos amplificadores. Por mais que os sintetizadores estivessem estourando, as câmeras continuavam impassíveis mostrando apenas os membros da banda tocando seus instrumentos.

O diretor também trabalhou com outros grandes nomes da época como Bruce Springsteen e Neil Young, este último objeto de um documentário de 2006 feito por Demme. Mais recentemente, trabalhou também com Justin Timberlake para um documentário da Netflix.

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