Egyptian Lover relembra os primórdios do hip hop em exclusiva

O DJ é um dos precursores do hip-hop e do electro funk e está no Brasil para o Red Bull Music Academy Festival. Leia a entrevista exclusiva à VIP

O Red Bull Music Academy Festival já é tradicional em cidades como Nova York e Paris e agora chega a São Paulo pela primeira vez com uma programação de dez dias com performances ao vivo, festas, instalações de arte e palestras. Uma das atrações é o DJ Egyptian Lover, um dos precursores do hip-hop e do electro funk, que falou exclusivamente à VIP sobre a cena atual da música e sua relação com sons analógicos. Confira a entrevista abaixo:

Você é um dos precursores do hip-hop no início dos anos 80, e hoje esse gênero é mundialmente famoso. Quando iniciou isso, imaginou que chegaria a esse ponto? 

Não, nunca. Quando eu cresci em Los Angeles, isso era apenas uma festa para mim, algo que era apenas conhecido na nossa área e, de repente, isso começou a se espalhar e foi bem legal. Aí começamos a gravar discos e nosso som começou a tocar pelos Estados Unidos e depois pelo mundo. Todos ficaram em choque quando isso aconteceu. 

E por que o hip-hop se tornou esse grande fenômeno? 

Havia um elo perdido. Todo mundo tinha a música que gostava, mas o hip-hop chegou para um público de áreas urbanas com um som mais próximo deles, fazendo uma música mais próximaÉ um gênero que se conecta. Ele foi inspirado por muitas coisas, especialmente pelo funk e pelo soul. A diferença é que o hip-hop pegou esses estilos e levou para a rua.

Você é um artista que nunca deixou o som analógico, e hoje o que vemos é um retorno desta tendência. O que há de diferente?

O som analógico é um som real para mim. Eu amo o calor dele. E os sons digitais são duros demais para mim que venho de uma escola antiga. Eu consigo escutar a diferença entre o som digital e o analógico. Nunca tivemos a intenção de fazer esse som, nós só queríamos fazer algo diferente com os equipamento que conseguíamos na época, como o Roland 808. Acho muito legal as pessoas voltarem a buscar essa sonoridade porque soava bem na época e continua soando bem hoje.

Por que vocês buscaram sons digitais ao invés de instrumentos acústicos na época? 

O som digital era novo para a gente. Era algo novo e queríamos fazer diferente. Se usássemos instrumentos acústicos, iríamos fazer algo perto do soul e do funk, e isso não seria inovador.

Você enxerga os produtores atuais como os DJs do início do movimento em termos de criatividade? Qual sua opinião sobre produtores atuais que exploram a música eletrônica, como Flying Lotus? 

Com certeza. Muitos produtores começaram como DJs e se tornaram grandes produtores, porque eles sabem como fazer as pessoas dançarem. Ser DJ é uma escola para se tornar um grande produtor. Eu amo e espero que mais 100 pessoas apareçam fazendo isso. Hoje é possível escutar todo o tipo de DJ e produtores ou mesmo gente que faz beats incríveis em casa.

Para alguém que não conhece seu trabalho, quais faixas você recomendaria? 

Diria para escutar meu primeiro álbum On The Nile e meu último, chamado 1984.

Por que você ainda usa vinil em seus shows? 

Tudo começou com o vinil, que soa melhor. Eu também faço algumas brincadeiras com os discos, vou e volto com ele, troco e viro de lado. Existe um lado de apresentação ao usar o vinil, é divertido para o público. E novamente, é um som analógico, mais verdadeiro. 

Um DJ precisa ser um showman também? 

DJs são diferentes, assim como cantores. Existem cantores que sobem no palco e dançam e outros que só cantam. Pegue Barbara Streissand, ela entra no palco para cantar. Existem maneiras diferentes de cativar o público, e isso acontece com DJs também.

 Como era sua relação com Ice T e como está isso hoje? 

Éramos amigos e hoje somos amigos ainda. Começamos como duas crianças fazendo nosso lance e isso foi crescendo. Por sorte estamos nessa até hoje.

Para mais informações sobre o Red Bull Music Academy Festival, clique aqui.

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