Ewan McGregor estreia como diretor no filme Pastoral Americana

O filme se arrisca na tarefa quase sempre inglória de transformar uma obra de um grande escritor num filme de qualidade

O escocês Ewan McGregor formou uma sólida carreira de ator desde que despontou no cultuado Trainspotting: Sem Limites, em 1996. Não chegou a virar superastro nem mesmo ao interpretar Obi-Wan Kenobi nos episódios I, II e III de Star Wars. Mas tem uma reputação séria e uma vontade de fazer trabalhos com conteúdo. Agora, aos 45 anos, decidiu encarar a missão de ser diretor. Para a estreia, optou por um dos maiores desafios do cinema: transformar uma obra de um grande escritor em filme. No caso, Pastoral Americana, adaptação do livro homônimo do americano Philip Roth que estreia hoje (15) no Brasil

Crédito: Divulgação

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A história se passa no fim dos anos 1960, tempos tão ou mais conturbados que o atual. Swede (McGregor) é um empresário de Nova Jersey que leva uma vida pacata – até que sua filha (Dakota Fanning) se joga de cabeça num grupo de radicais que protestam contra a Guerra do Vietnã. Para a imprensa americana e britânica, o filme não consegue reproduzir a complexidade do livro (que recebeu o Prêmio Pulitzer em 1997). Isso até era de se esperar. Há quem considere Roth impossível de ser levado às telas de forma satisfatória. Foram poucas tentativas e nenhuma recebeu elogios. Ao menos, Pastoral Americana tem capricho visual, com imagens inspiradas em quadros do pintor americano Edward Hopper.

Adaptar uma obra de um grande escritor é diferente de um livro comercial, já escrito com a noção de que vire roteiro. Pouquíssimos diretores conseguiram triunfar na tarefa. McGregor não obteve uma obra-prima, mas pode se dar por feliz por não ter cometido nenhuma catástrofe.