‘Guardiões da Galáxia Vol. 2’ e a quebra de padrões da Marvel

Trilha sonora dos anos 1980, elenco espetacular e bebê Groot são só a ponta do iceberg

Na última semana, o filme Guardiões da Galáxia Vol. 2 entrou em cartaz nos cinemas de todo o mundo. A sequência do sucesso de 2014 conta com o retorno dos guardiões interpretados por Chris PrattZoë SaldañaDave BautistaVin Diesel e Bradley Cooper, e serve como apresentação para ninguém menos que Kurt RussellSylvester Stallone ao universo cinematográfico da Marvel.

Em resumo, temos uma boa dose de comédia (na mesma medida do primeiro filme), ação (transbordando efeitos especiais) e o grande diferencial que serve como quebra de padrão dos últimos filmes lançados pelo estúdio: a distância do “gênero de super-heróis” e a consolidação do que podemos esperar de um blockbuster como este, nos cinemas dos próximos anos.

Sem a necessidade de spoilers de nenhum dos filmes dos estúdios Marvel, explicamos resumidamente aqui alguns pontos principais para entender a fórmula para um excelente filme — seja ele de super-heróis ou não.

Os Vingadores

Há quase 10 anos, a Marvel mudou a história do cinema lançando o primeiro (de muitos) filme de super-herói que, mais tarde, faria parte do chamado “Universo Cinematográfico” da famosa companhia. Homem de Ferro deu uma nova cara ao que conheceríamos posteriormente como o “novo gênero de super-heróis”.

De lá para cá, vimos que, com os Vingadores, a empresa de quadrinhos aprendeu a divulgar um grande filme e causar interesse do público em geral, seguido por sequências (e mais sequências) que arrecadariam milhões pelo mundo — em prol do puro entretenimento.

Então o sucesso (ou pelo menos uma simples projeção) era uma certeza para o estúdio, que arriscava mais e mais produzindo filmes independentes dos heróis Thor e Capitão América — estes, que ganhariam uma trilogia própria cada, anos mais tarde.

Em meio a todos estes títulos, conectados direta ou indiretamente, foi expandida a ideia do gênero de super-heróis. Logo, pode-se observar um padrão em comum, uma ferramente explorada por filmes de outro gênero: a comédia.

Bom humor

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Guardiões Vol. 2 tem comédia na medida certa, justamente pelo fato de a Marvel saber exatamente o público para o qual produzem seus filmes. São amantes da cultura pop, que não necessariamente assistiram a todos os filmes deles, mas que têm noção básica sobre a temática colorida e com uma trilha sonora dançante, digna de um longa dos anos 1980.

É uma comédia que transborda de referências e aproxima o filme da nossa realidade pelas citações, nomes de atores e, claro, linhas de diálogo com ironia (e, algumas vezes, com piadas bastante clichês).

Mesmo com sucessos da DC (com grande destaque a premiada trilogia Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan) que surgiram neste intervalo de tempo e teriam um ar mais sombrio e sério, temos o equilíbrio com as verdadeiras comédias de Capitão América: Guerra Civil e o primeiro Guardiões da Galáxia.

Um pouco distante disso tudo, vemos o rumo tomado por Deadpool — que, apesar de pertencer à Marvel nos quadrinhos, é produzido pela Fox nos cinemas —, com a violência atrelada ao bom humor que contagia até o mais ranzinza na sala de cinema. E o próprio Deadpool deixa evidente uma outra característica destes filmes em uma visão geral.

Elenco único

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Por mais que você conheça Chris Pratt de Parks and Recreation ou faça questão de aceitar que Robert Downey Jr. não é o Homem de Ferro — quando todos sabem que difícil diferenciar um do outro depois de quase 10 filmes interpretando Stark, vale admitir que a Marvel sempre acerta na escolha dos atores que representam seu universo.

Algumas vezes, precisamos dizer “adeus” a estes personagens, como no caso de Hugh Jackman, o eterno Wolverine. Outras, devemos aprender a aceitar a introdução de mais um Homem-Aranha (o terceiro dentro dos últimos 15 anos) e ver como o ator e herói se saem junto ao “resto da equipe”. Tom Holland se deu bem em Guerra Civil e deve nos surpreender em De Volta ao Lar que estreia ainda em 2017.

Por fim, agora vemos o quinteto de guardiões com uma química única de trabalho em equipe diferente até mesmo dos Vingadores. A questão de Vol. 2 é levada ao ponto de família, repleto de união e confiança. O filme é um excelente exemplo de como o assunto deve ser tratado, seja em harmonia fraterna ou não.

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É assim que Guardiões da Galáxia Vol. 2 deve ser visto: um excelente filme que quebra os padrões de “filme de super-herói”, torna-se um filme de comédia repleto de referências (com trilha sonora única), com uma história que vai além da pancadaria de três atos sem sentido e, mesmo assim, não se distancia da marca d’água do universo onde está inserida — fugindo da “maldição” de sequências dos últimos anos.