15 de janeiro de 1952 – Ian Fleming entra na ampla sala de sua casa, Golden Eye, Jamaica. Vira para a esquerda e entra no quarto. Fecha as persianas para se concentrar. Senta-se na escrivaninha de canto. Coloca a máscara de mergulho ao lado. Encaixa outro cigarro na ponta da longa piteira.
Pega a primeira das folhas em branco compradas na Madison Avenue dez dias antes. Encaixa o papel no rolo da sua máquina de escrever Imperial. “Escreva alguma coisa”, tinha dito Anne. E o Comandante escreve:
“O cheiro e a fumaça e o suor de um cassino são nauseantes às três da madrugada. Nessa hora o desgaste produzido pelo alto jogo – uma mistura de ambição e medo e tensão nervosa – se torna insuportável e os sentidos despertam e se revoltam contra isso. James Bond de repente percebeu
que estava cansado”.
Antes do almoço, o Comandante já tinha escrito as primeiras 2 mil palavras de Casino Royale.

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