Lollapalooza 2017: os melhores momentos do segundo dia

Duran Duran foi bom enquanto durou (o gás) e The Strokes fez um show para poucos ao esquecer do telão principal

O segundo dia de shows

Duran Duran

(Breno Galtier/M Rossi)

Que show dos “meninos dos anos 80”. Com uma empolgação, uma setlist certeira (salvo uma ausência sentida) e uma participação especial, o Duran Duran fez um dos melhores shows do festival. Começaram a apresentação — com sete minutos de atraso que fizeram diferença — com a sequência clássica “The Wild Boys”,  “Hungry Like a Wolf” e “A View to a Kill”, o suficiente para deixar o público no clima da banda. Apesar da boa vontade por parte dos integrantes, a idade pesou e por mais animados que estivessem, murcharam da metade final da apresentação. Mas com gás, Simon Le Bon, John Taylor e companhia fizeram grande performance.

Os sete minutos de atraso foram cruciais para uma falta marcante no repertório: “Save a Prayer”, música que costuma fechar os shows do grupo foi sacrificada pelo limite de tempo do festival. Mas o resto da apresentação foi segura, tendo deixado de lado o mais novo álbum da banda, Paper Gods (2015), e apostando em seus maiores hits.

Simon Le Bon e Céu (M Rossi/M Rossi)

A supresa do dia foi a presença de Céu durante “Ordinary World”. A cantora já havia falado com a VIP sobre a paixão pelo Duran Duran, e neste domingo dividiu o palco com Simon Le Bon que, soltinho, tentou brincar com a nervosa cantora. Se não foi brilhante, pelo menos foi uma dupla interessante e inusitada.

The Strokes

Se dependesse dos fãs, os Strokes teriam feito o melhor show do festival. O público que estava há seis anos longe da banda mostrou a enorme saudade que estava do grupo cantando a plenos pulmões os refrões dos maiores clássicos da banda. E foi assim, elencando um hit atrás do outro — excessões a “Drag Queen” e “Threat of Joy”, do último EP — que a banda fez um bom show no Lollapalooza.

Julian Casablancas não sabe como interagir com o público. Até tentou na noite de domingo (26), brincando com o som vazado do show de Martin Garrix que acontecia ao lado e cantarolando musiquinhas no intervalo das músicas. Porém o melhor momento de interação público-banda aconteceu quando o baterista e brasileiro Fabrizio Moretti soltou um “E ai galera”. A identificação linguística rolou, e o público respondeu.

(Camila Cara/M Rossi)

O show teve dois pontos baixos técnicos: o primeiros foram algumas falhas de som ao longo da apresentação. Assim como aconteceu no Metallica (porém menos vezes), o sistema sofreu rápidas falhas. Já a banda teve alguns problemas de volume suficientes para que os roadies entrassem no palco antes do bis para ajustes.

Falando em bis, precisamos falar deles. Os Strokes parecem não entender muito como isso funciona, e deixou um clima estranho no encerramento do show. Após o hit “Last Nite”, o grupo deixou o palco quase como se estivesse fugindo de algo, o que deixou o público sem reação, fazendo com que aquela incômoda espera para o “chorinho” fosse mais estranha ainda. Quando voltaram, atacaram com “Heart in a Cage”, seguiram com “80’s Comedown Machine” (essa sim a terceira escolha estranha da setlist) e fecharam com “Hard to Explain”.

Outro ponto negativo foi a cenografia do show. Ela não estava ruim, pelo contrário. Mas a escolha de usar a iluminação na altura da banda inviabilizou o uso do grande telão do palco principal. O show ficou lindo para ser visto de perto, porém em lugares mais longe a tarefa de acompanhar o show era difícil. Uma vez em que festivais de grande porte ver um show do palco é uma tarefa hercúlea, muitos não puderam aproveitar o show completamente. Problemas de escala.

(Camila Cara/M Rossi)

The Weeknd

O artista certo, na hora certa no local certo. A combinação para The Weeknd era toda favorável, não a toa fez grande show para fechar o palco Onix.

O público foi a loucura com o sexy-pop de Abel Tesfaye, que mostrou um vigor incrível ao longo de sua uma hora de apresentação. O cantor não parou um segundo, correndo de um lado para o outro do palco sem descanso e sem desafinar em momento algum. The Weeknd vive realmente momento especial da carreira.

O público respondia o cantor com o mesmo entusiasmo. O mar de gente do barranco de Interlagos foi abaixo com o trio “I Can’t Feel My Face”, “I Feel It Comming” e “The Hills”.

Balanço do Lollapalooza

O primeiro dia arrastou 100 mil pessoas para o evento, o segundo trouxe 90 mil. O festival foi um tremendo sucesso, e a organizadora parece ter aprendido o caminho das pedras. Sem maiores incidentes, a grande mudança do festival de 2016 para 2017 foi a questão das pulseiras como forma de pagamento.

Todos os espectadores do Lollapalooza receberam uma pulseira para ser usada como cartão pré-pago durante o festival. A nova tecnologia resolveu um problema crônico que eram as filas para comprar fichinhas (os famigerados Lolla mangos), mas criou outro: com todas pulseiras devidamente carregadas, as filas migraram para as barracas de bebidas e comidas, que ficaram insuportavelmente longas durante todo o festival. A organização parece ter subdimensionado o impacto da nova forma de pagamento, e manteve o mesmo número de estabelecimentos de comes e bebes.