Melhor aceitar: o hip-hop é o novo rock

Depois de pelo menos quatro décadas de reinado das guitarras, a corrente predominante do pop é a soma de batida forte e rimas

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(Christopher Polk/VIP)

A revolução musical trazida pelo hip-hop na virada do milênio foi a maior da história da música contemporânea – mais drástica que o rock dos anos 60 e o pop eletrônico dos anos 80.

A afirmação é de uma pesquisa realizada em conjunto pela Queen Mary University of London, o Imperial College London e o serviço de música on-line Last.fm.

Juntos, os departamentos de pesquisa analisaram 17.094 músicas que figuraram na parada Top 100 da revista Billboard nos últimos 50 anos, usando a tecnologia para fazer uma análise baseada em acordes, ritmos e diferenças tonais, eventualmente chegando a 13 grupos de padrões.

O estudo mostrou que a década de 90 foi o período em que houve maior mudança nas estruturas musicais – exatamente a época em que o hip-hop alcançou o mainstream.

Desde o lançamento da primeira gravação de hip-hop (Rapper’s Delight, de The Sugarhill Gang, em setembro de 1979), o gênero deixou de ser música de nicho para chegar ao grande público.

Hoje, é o estilo predominante da música pop, tomando o lugar que foi do rock. Impõe os principais astros e estrelas, e influencia a maneira de se vestir e agir.

O rock reinou desde a invasão britânica comandada por Beatles e Rolling Stones em 1964, que deu nova vida e alcance maior que o do rock’n’roll dos anos 50. E praticamente não foi incomodado como principal corrente pop até a última década do século 20.

Nos anos 90, já se percebia que o hip-hop, por um lado, e a dance music eletrônica, por outro, ganhavam maior apelo. E, no século 21, quem assumiu o comando foi o primeiro, que alcançou o posto de gênero centralizador cultural.

No Canadá, nasceu em 2004 o Nomadic Massive, um grupo com oito membros (entre guitarrista, tecladista, trompetista e rappers) que faz composições do gênero em cinco línguas: inglês, espanhol, francês, criolo e árabe.

Israel é outro país que viu seu problema religioso com a Palestina sendo traduzida através de rimas rápidas como em “Israel We Go Hard” de Ben Blackwell.

Na França, o hip hop já tem um cenário bem estabelecido, capitaneado por MC Solaar. Na Colômbia, Argentina, Chile e Venezuela, os rappers fazem sucesso – com direito à admiração pela cena brasileira, considerada referência pelos branquelos latinos.

Até a terra de Fidel não conseguiu ficar de fora do movimento. Por lá o destaque ficou por conta dos Orishas, sucesso nos anos 2000 com a música “Atrevido”, famosa por ter tocado em dois blockbusters norte-americanos, “Bad Boys 2” e “Velozes e Furiosos”.


Os novos agentes culturais

O rapper de hoje transita entre as artes a fim de criar obras que transcendam o mundo da música

Kanye West

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(Christopher Polk/VIP)

Você pode não gostar do som ou de seu ego enorme, mas Kanye é um dos artistas mais completos de hoje. Busca sempre se renovar em todos os aspectos de sua obra. Para as capas de álbuns, contou com criadores como Takashi Murakami, George Condo e Riccardo Tisci.

Para os clipes, tem diretores como Spike Jonze e Steve McQueen. Cenários de shows são de Es Devlin, uma das maiores cenógrafas do mundo. E Kanye também tem sua própria grife de roupas.

 

Jay-Z

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(Theo Wargo/VIP)

Com a esposa Beyoncé, integra o casal mais bem pago do mundo da música. E o grande rapper é hoje mais empresário que músico. Sua agência de talentos Roc Nation representa clientes da música e dos esportes como Rihanna, Kevin Durant, Shakira, Jerome Boateng e Claudia Leitte.

Ele também comprou a luxuosa marca de champanhe Armand de Brignac por 100 milhões de dólares em 2014.

 

Pharrell

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(Steve Jennings/VIP)

Quando a música Happy estourou em 2013, houve quem achasse que ele era um novato. Nada disso. Pharrell surgiu no fim dos anos 90 com o grupo The Neptunes. E, nos últimos 15 anos, criou grandes hits para Jay-Z, Britney Spears, Shakira, Miley Cyrus, Nelly, Beyoncé e Justin Timberlake.

Mas nunca deixou de lado sua raiz hip-hop e foi responsável por reviver a carreira de Snoop Dogg no início dos anos 2000.

Mais recentemente, Pharrell enveredou pelo cinema, compondo a trilha sonora de Meu Malvado Favorito e sendo produtor de Estrelas Além do Tempo, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Também assina uma coleção da linha Adidas Originals.

 

Hamilton

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(Theo Wargo/VIP)

O musical conta a história de um dos “pais fundadores” dos Estados Unidos, Alexander Hamilton. Começou como uma peça off-Broadway em fevereiro de 2015. Seis meses depois, estreou na rua mais famosa do mundo teatral.

Em 2016, bateu o recorde de indicações ao Tony Awards: 16, com 11 vitórias. Hoje está em cartaz em Nova York, Londres, Chicago, São Francisco e ainda tem uma turnê pelos Estados Unidos planejada.

Seu grande diferencial? Todas as músicas de Hamilton são raps.