Mulher-maravilha: a longa espera

Mulher-Maravilha finalmente tem seu próprio filme após 76 anos e alguns projetos abortados

Inúmeros heróis de quadrinhos criados bem depois dela aportaram no cinema antes. A vez do filme da Mulher-Maravilha chegou após 76 anos de espera – pelo menos como protagonista, já que a personagem estreou na tela grande no ano passado como coadjuvante em Batman vs Superman. Com a israelense Gal Gadot no papel principal, o longa-metragem com o nome da heroína da DC Comics tem estreia no Brasil prevista para 1º de junho. Um marco numa história repleta de oscilações e projetos fracassados.

A personagem foi criada em 1941 por William Moulton Marston, excêntrico psicólogo que alegava ter inventado o detector de mentiras e vivia em poligamia com duas mulheres. Ele via-se como um feminista e acreditava que a heroína defendia essa causa.

As histórias da primeira fase tinham muitas cenas de dominação e submissão, além de sugestão de lesbianismo. Foi o que bastou para que a personagem apanhasse muito no livro The Seduction of the Innocent, em que o psiquiatra Fredric Wertham acusava as HQs de serem nocivas às crianças. Hoje desmoralizada, em 1954 a obra foi levada tão a sério que as editoras criaram um código de censura. E a Mulher-Maravilha foi bastante atenuada e domesticada.

Entre 1968 e 1974, houve a bizarra recriação da personagem, que virou mulher “comum” e deixou de usar uniforme. A volta às raízes coincidiu com um filme de TV, que deu origem à série estrelada de 1976 a 1979 por Lynda Carter, uma ex-miss (fato que irritou feministas).

Até o filme de agora, foi a única tentativa a dar certo. Pilotos recusados foram gravados em 1967 e 2011, e houve mais três projetos de TV que ficaram só no esboço. O diretor Joss Whedon também anunciou um longa-metragem em 2007 – nunca foi feito.

O filme Mulher-Maravilha surge quando ela ainda divide opiniões. Em 2016, ativistas forçaram a ONU a retirar dela o título de embaixadora honorária pelo empoderamento das mulheres. Já Jill Lepore, professora da Universidade Harvard, publicou o livro The Secret History of Wonder Woman, um estudo sério que trata a personagem como um símbolo feminista.