“Rock é escândalo”

Se houve um som que predominou na década em que a VIP surgiu, foi o rock brasileiro. Quem vendeu discos aos montões? Quem lotou de danceterias a ginásios e até estádios? Quem inundou rádios e TVs com suas músicas? Uma turma que vamos listar em ordem alfabética: Barão Vermelho, Blitz, Camisa de Vênus, Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii, Ira!, Legião Urbana, Leo Jaime, Lobão, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude, RPM, Titãs, Ultraje a Rigor… Só esses já dão uma ideia de como eles marcaram época.

Para sentir um pouco do gostinho dos atribulados anos 1980 e também saber como é amadurecer após mais de 30 anos na ativa, promovemos uma mesa-redonda entre três figuras da linha de frente roqueira: NASI, 51 anos, ex-vocalista do Ira!; DINHO OURO PRETO, 49 anos, vocalista do Capital Inicial; e PAULO MIKLOS, 54 anos, vocalista e multi-instrumentista dos Titãs.

Os três se reuniram com a reportagem da VIP num restaurante em São Paulo, num bate-papo de velhos amigos que durou quase duas horas, regado a água mineral para todos mais vinho branco para NASI bebericar. Aqui estão os melhores momentos da conversa.

INÍCIO NO UNDERGROUND
Para boa parte das bandas do rock brasileiro dos anos 1980, o começo se deu no underground paulistano. Influenciada pelo punk e pós-punk inglês da época, essa turma fazia shows em lugares pequenos, “malditos”. Em 1983, o ponto de convergência de grupos de São Paulo e Brasília foi uma casa chamada Napalm

NASI: [para Paulo Miklos] Você lembra que eu estava discotecando no Napalm quando vocês tocaram ali?
PAULO MIKLOS: Não lembro. Você era o DJ lá?
NASI: Eu era DJ das festas de vocês.
DINHO OURO PRETO: Outro dia veio um cara me procurar para fazer um documentário sobre o Napalm e ele me falou que parece que o clube durou só seis meses e exibiu 40 shows. Eu devo ter visto um quinto desses shows.
MIKLOS: Só isso? Pô, esse espaço foi um marco.
DINHO: Sim, lembro que para a gente, que veio de Brasília, tocar no Napalm era “Ooooooh!”. Em retrospecto, parece que o lugar existiu por anos.
NASI: O primeiro show da Legião Urbana foi no Napalm. Ainda era trio, com o Renato [Russo] tocando baixo.
DINHO: Quando assistimos ao Ira! ao vivo pela primeira vez, vendo o Nasi colocar a cabeça dentro do bumbo, aquilo foi uma porrada. Na hora, pensamos: “Temos que escrever melhor, ensaiar mais, ralar mais para conseguirmos chegar perto disso”. Nós de Brasília fechamos com o pessoal de São Paulo na rivalidade com o Rio. Achávamos o rock carioca muito pueril. Tirando o Barão Vermelho.
NASI: A turma de Brasília chegou e nós também ficamos chocados. Porque tem uma soberba em São Paulo… A gente achava que só aqui se conhecia Clash, New Order, Cure…
DINHO: Eu lembro que os punks ficavam de costas. Havia muita rivalidade entre as tribos. Os punks não gostavam da gente, dessa coisa pós-punk. Nem os metaleiros. Se um punk saísse e desse de cara com um metaleiro, dava pau. Nós olhávamos o Ira! e achávamos que era uma banda de punk rock. Para nós, lembrava Clash. E a gente achava que a gente também era [punk]. Mas os punks de São Paulo já estavam numa onda hardcore.
MIKLOS: Já consideravam o Clash como traidores porque já fazia uma coisa meio intelectualizada demais.
NASI: Não era intelectualizada. É que os punks se comportavam como torcida organizada. Era a Mancha Punk.
MIKLOS: Isso mesmo. O movimento teve passagens violentas.
NASI: Por isso que acho que o show mais corajoso que vi no Napalm foi dos Titãs. Naquela fase inicial, eu via vocês como uma coisa completamente diferente de tudo o que existia. E vocês tocaram no Napalm com toda a indumentária, maquiagem e tudo mais. Foi a coisa mais radical que vi no Napalm. Vocês correram risco de vida. O João Gordo [vocalista dos Ratos de Porão e depois apresentador de TV] estava lá, como porteiro.
MIKLOS: A gente corria risco de vida mesmo. Num show em Santos, saímos no braço. E a minha mulher estava grávida! Fomos correndo para o hotel. Mas nós éramos muito metidos. Descíamos do palco maquiados para dar em cima das namoradas dos outros. Mas a gente nunca foi do movimento, nunca foi punk. Nossa influência era essa também, mas sempre ouvimos Música Popular Brasileira.
NASI: Quando tocávamos no Napalm, do outro lado da rua tinha o Homo Sapiens [boate gay paulistana]. E eu fui lá por causa da minha namorada na época.
DINHO: Mas lá era animado para c***. As melhores boates são as boates gays.

“Rock é escândalo”

O SUCESSO DE MASSA
Bandas de SP, Rio, Brasília e até o Camisa de Vênus, de Salvador, ganharam contratos com gravadoras e foram para o rádio e a TV. A passagem para a grande mídia trouxe fama e encrencas, como prisões por drogas de dois membros dos Titãs (Arnaldo Antunes e Tony Bellotto)

NASI: [para Miklos] Eu lembro que vocês estavam numa fase muito difícil por causa das prisões e mesmo assim fizeram o Cabeça Dinossauro, que para mim é um disco do c***.
MIKLOS: A gente estava numa situação de última chance na gravadora. Se não vendesse, ia embora.
NASI: [para Dinho] Vocês nunca foram dirigidos pelo André Midani [poderoso chefe da gravadora Warner nos anos 1980], né? O Midani falava assim: “Nasi, olha o Lobão, olha os Titãs. Rock é escândalo!”.
DINHO: O que é que ele queria? Que vocês fossem presos?
NASI: Hoje eu posso falar essa história. Tive uma reunião com meu empresário, que eu não posso falar o nome, e com o André Midani para fazer um esquema na Polícia Federal em que eu ia ser preso por tráfico [risos]. Vocês estão rindo, mas eu juro pela alma da minha mãe.
MIKLOS: Tinha que ser um escândalo sexual. Drogas já tinham passado.

A fama e o sucesso também implicavam em ir a programas como os do Chacrinha, na Globo, e do Bolinha, na Bandeirantes. Mas para dublar suas músicas, não para tocar de verdade…

NASI: Eu tenho problema com o Chacrinha. É uma coisa que acho muito besta, já falei várias vezes. Mas a gente não se adaptava porque não sabia fazer playback. Era uma incapacidade mesmo. Já os Titãs foram influenciados não só pela Jovem Guarda…
MIKLOS: Pelos Dzi Croquetes [grupo carioca de teatro e dança que atuava travestido nos anos 1970]… [risos]
NASI: Exatamente! Mas sempre achei um talento dos Titãs proporcionar uma performance no playback.
MIKLOS: Contratamos uma coreógrafa. Ficávamos horas ensaiando, descobrindo, criando uma performance.
DINHO: Pô, achava que aquilo era improvisado.
MIKLOS: Não, a gente tinha tudo planejado. Onde ficava guitarra e baixo, o que íamos fazer com os instrumentos no palco…
NASI: É quase como se fosse Broadway.
MIKLOS: Total! É show, nós somos muitos. A gente tem que se uniformizar. Os programas eram muito caóticos. Tinha muita gente, tinha um cara com um bacalhau, duas mulheres com bunda de fora, coisa demais acontecendo. Se a gente ia fardado, falavam assim: “Esses oito magrelos de calça preta são a banda”. Facilitava. E fazíamos uma coreografia sensacional, toda ensaiada, em que terminava imitando o Nasi.
NASI: Aquele negócio de ajoelhar, né?
MIKLOS: O NASI terminava os shows assim [Miklos se ajoelha e coloca os braços em cima da cabeça], sempre perturbado para caramba. Quando eu estava fazendo a minha coreografia, me lembrei disso na hora do grand finale. A gente tinha que terminar e congelar em uma pose. Daí na primeira vez em que fomos ao Bolinha, ele viu aquilo e falou: [imita a voz do Bolinha] “GU-RUPO TITÃS, DA GRAVADORA WARNER!”. Da segunda vez, nós paramos, ele já mandou: “FIQUEM ONDE ESTÃO! NÃO SE MEXAM!” [risos]. O Bolinha sacou o truque e deixou a gente lá, congelado.
NASI: O Ira! teve poucos playbacks…
MIKLOS: …Poucos e bons…
NASI: …No Bolinha, dois. No primeiro, a gente tocando Longe de Tudo, meio mod, com terninho e tudo. A música acabou e ele falou [também imitando o Bolinha]: “VISUAL INTERNACIONAL!”. Nessa primeira vez que fizemos playback, demos tudo. Parecia mesmo que a gente estava tocando ao vivo. Na segunda, já foi mais “ta-dah-dah” [com voz desanimada]. Quando terminamos, o Bolinha disse: “AGORA VAMOS SUBIR O ASTRAL!” [risos].
DINHO: Quando fomos no Chacrinha pela primeira vez, só tínhamos um compacto [com a música Descendo o Rio Nilo]. Eles colocavam 12 bandas e quem conseguisse se destacar ganhava o direito de gravar um LP. Coisa que não conseguimos. Ficamos lá no programa dois anos e nunca gravamos a porra do LP. A gravadora era a CBS, com o [Marcos] Maynard. Cuidado com esse cara, é o criador do Restart! [risos]
MIKLOS: Até hoje ele está por aí.
DINHO: Quando fomos para o Chacrinha, aconteceu uma coisa surreal. Havia um acordo: para aparecer no Chacrinha, você tinha que fazer algumas apresentações, em playback, nos subúrbios do Rio. E nem era para ele. Era para o filho dele.
MIKLOS: Isso não era jabá, era assalto.
DINHO: Pois é. Na noite anterior a sua apresentação [no programa], você ia para a Baixada Fluminense e fazia seis pingas-pingas, em eventos do filho do Chacrinha. Basicamente você entrava num baile protofunk. Paravam o som que estava tocando, ligavam dois holofotes. E você numa tábua, fazendo a coisa mais constrangedora. E os caras na plateia olhando com cara de “que p*** é essa?”. Decidimos nunca mais fazer aquilo. Chamamos a “Ilustrada” [da Folha de S.Paulo] e dissemos: “Olha, o Chacrinha funciona assim: você faz os negócios nos subúrbios, com isso ganha créditos e com esses créditos você faz o [programa do] Chacrinha”. Deu uma m***… A gravadora falou: “Acabou a carreira de vocês, caras. Voltem para Brasília e esqueçam”. Só que o Chacrinha falou que não sabia disso. E o Capital virou convidado de honra para provar que não era verdade. E começamos a aparecer toda semana.
MIKLOS: Eles te colocavam no ar com um ódio…
DINHO: Tanto que o Capital fez o último programa antes de ele morrer [em 1988].
NASI: Foram vocês que mataram o Chacrinha? [risos geral]

“Rock é escândalo”

SEXO, DROGAS E ROCK’N’ROLL
O lema-clichê não poderia deixar de ser abordado, porque, quando os três senhores da mesa (hoje “casados e felizes”, como diz NASI) mergulharam nele, ainda não era uma coisa tão surrada

DINHO: Era tudo muito permissivo, muito sem limites. Tanto drogas como sexo, isso antes da aids. Toda droga que você puder imaginar: cogumelo, ácido, cocaína, e por aí vai.
NASI: Nós viemos de uma época de muita liberdade sexual. Valia tudo: suruba, droga na veia. E aí, [a aids] virou tudo.
DINHO: Em relação a sexo, né? Porque drogas todo mundo continuou tomando tudo. Mas chega uma hora que você acaba descobrindo que a qualidade desse sexo casual não é tão legal quanto ter uma namorada, saca?
NASI: [para Dinho] Quando você caiu do palco [num show em 2009, Dinho despencou no fosso e passou quase um mês numa UTI], como é que você estava? Estava usando?
DINHO: Não. Não uso há seis anos.
NASI: Todo mundo achava que você estava usando, né?
DINHO: Nunca toquei doidão. Eu tomava drogas depois.
NASI: Depois que a gente expõe [a relação com drogas], quando cai e briga, a primeira coisa que dizem é: “Voltou a tomar, né?”. Veja o Chorão [cantor do Charlie Brown Jr., morto por overdose em março]: todo mundo sabia que ele estava doido o tempo inteiro.
DINHO: É uma pena, né? Eu fiquei muito chateado.
NASI: Pensamos em nós mesmos. Porque se tivéssemos continuado, onde estaríamos? No mesmo lugar. Quando eu vi a casa dele, eu vi a minha casa em 1995. [Então NASI se vira para o irmão, que estava acompanhando o papo e pergunta:] Júnior, conta aí de quando a Sony procurou o Chorão.
JÚNIOR: Fui com o [Alexandre] Schiavo e com o Cláudio Romano [membros da Sony no Brasil] à casa dele, nesse mesmo apê. A gente ia apresentar uma proposta milionária que a Sony fez. Isso foi em 2008. Era uma proposta quase irrecusável, eles iriam dar uma baita grana para o Chorão, não exatamente para o Charlie Brown. Chegando lá, foi meio constrangedor. Era exatamente como a casa dele foi vista agora. Não tinha móveis, era uma bagunça. Tinha muita gente esquisita. Um bando de noia, uns seis, sete caras. E o Chorão falou: “Galera, estou com picões da Sony aí, vou discutir um contrato de R$ 2 milhões. Vocês fiquem aí quietinhos que eu vou lá tomar uma grana deles”. Fiquei constrangido, porque o Schiavo e o Romano nunca tinham conversado com o Chorão antes. Quando a gente ouviu ele dizer isso, o Schiavo olhou para mim e falou: “Olha a roubada em que você está nos colocando”. E a conversa com o Chorão não rendeu nada, a gente falava e ouvia nada com nada. Foi uma situação chata. E, quando eu vi as matérias todas saindo, os caras falando que ele teve um surto psicótico… Que nada, a casa dele era daquele jeito em 2008.
NASI: Então, vou falar aqui para não parecer parcial: como é que era a minha casa, em meados de 1994?
JÚNIOR: Pior que a do Chorão [risos].
DINHO: Para você ter uma ideia, a Vivi, mulher do Tiago [guitarrista do Charlie Brown Jr.], pediu para eu conversar com ele sobre como parar. Eu conversei, falei quais eram os remédios, inclusive. Eu conhecia gente que frequentava a casa do Chorão. E o pessoal falava que era point de bagunça, de cheiração, de noitada, de putaria.

O PÓS-ANOS 1980
O reinado das bandas nacionais acabou com a década de 1980. Seu lugar nas rádios e TVs foi tomado por sertanejos, axé, pagode. Mesmo os novos fãs de rock não pareciam mais interessados na geração anterior

DINHO: Foi uma década de crise. Apareceu o grunge e aquilo foi um tapa na nossa cara, de levar um susto mesmo. Nós tínhamos virado o inimigo. Aquelas pessoas que estavam curtindo o grunge olhavam para nós e pensavam: “Ó esses bundões aí que estão aparecendo no rádio”. Como é possível? Começamos como punk rock e agora somos o inimigo? C***! O que é que aconteceu? Pare tudo que eu quero descer, vou tentar reescrever o bagulho. E foi o que eu fiz. Parei, fiquei quatro anos fora do Capital. Quando voltei, já foi mais consciente do que eu podia e não podia fazer.
MIKLOS: Nós fizemos um disco que depois foi chamado de grunge, o Titanomaquia. O trabalho foi com o [produtor] Jack Endino, que fez o disco do Nirvana que não estourou, o Bleach. Mas até o próprio Endino, quando ouviu o resultado, falou: “Vocês não são isso, vocês são outra coisa”. Ele também produziu o disco seguinte, o Domingo, que ficou com um som variado, mais a nossa cara. E são essas idas e vindas que explicam um pouco a longevidade dos Titãs.
NASI: Nós estamos aqui. Quero ver se daqui a 30 anos vão estar falando de “tchu-tcha-tcha-tchu-tchu-tcha”…
DINHO: Acho que a pressão é menor hoje. Pô, 30 anos tocando, a gente já tem mais passado do que futuro.
MIKLOS: É um patrimônio. Hoje já temos uma munição de hits. Quando subimos no palco, já estamos com o jogo ganho. Então, acho que é mais uma pressão interna.
DINHO: Concordo. Mas a gente chegou ao privilégio de hoje poder lançar discos que quase não têm singles. E consegue fazer shows porque já tem tantos discos que as pessoas já conhecem muito do que você vai tocar. As pessoas vão te contratar porque você tem uma história. Se teu último disco tem singles ou não, f***-se.
MIKLOS: Outra explicação para isso é o show que os caras [Capital Inicial] fazem no Rock in Rio. Com a história que eles têm no palco, mas com aquela coisa: a vida agora, hoje. O show dos caras hoje é eletrizante. É um negócio arrasador, que não tem para ninguém.
DINHO: A gente fala português, para começo de conversa.
NASI: Eu fico meio chateado quando vejo o Lollapalooza não chamar o Lobão. Não vou nem falar eu, né…
DINHO: Mas acho que o Lobão tinha razão nessa história do Lollapalooza [na edição de 2012, Lobão convocou um boicote dos artistas nacionais porque, diz ele, os brasileiros sempre eram escalados para horários menos nobres do festival]. Coloca para tocar às 4h da tarde? Ah, fuck you!
NASI: Nós brigamos com o Hollywood Rock [festival dos anos 1990] pela mesma coisa. Dos festivais, o papo pula para a tão falada crise da indústria musical do século 21. E descobre-se que…
NASI: Não nos pegou.
DINHO: A gente não vende mais discos, vai para a estrada.
MIKLOS: Ou seja, para um artista, o disco sempre foi instrumento de divulgação do trabalho e um grande negócio para as gravadoras. Esse negócio miou. Para eles. O nosso negócio vai muito bem.
DINHO: Mudou a maneira de divulgar também. Você vai, faz shows promocionais nas rádios, coloca suas músicas no ar. A gente conseguiu, depois desses anos todos, uma respeitabilidade que ajuda a nos manter na estrada. E por falar em estar na estrada depois de 30 anos ao lado dos colegas de banda…
NASI: Integrantes de banda, quanto menos se falarem intimamente, melhor. É difícil, viu?
DINHO: Talvez seja verdade. São muitos anos. É bizarro. Quando começa a passar de 30 anos convivendo com essas pessoas, p***!, é mais tempo do que os meus pais ficaram casados. É muito maluco, muito tempo mesmo.
MIKLOS: [Irônico] Mais tempo do que qualquer ser humano já esteve junto. A gente está numa fronteira desconhecida pela humanidade. A última fronteira.