Novo Rei Arthur traz herói moderninho e das ruas

Protagonista, Charlie Hunnam contou que a releitura do personagem foi fruto de trabalho com o diretor Guy Ritchie e a vontade de fazer algo novo

Você já sabe a história: Rei Arthur, um homem do povo mas com sangue nobre que começa a participar de batalhas medievais e se envolver com o governo até que tem um encontro com a Dama do Lago, que lhe da a poderosa Excalibur, espada sagrada destinada ao Rei da Inglaterra, posto que assume após novas batalhas.

Em suma, a história do novo filme de Guy Ritchie, Rei Arthur: A Lenda da Espada é essa, porém com mudança pontuais. O filme começa com grande cena de batalha entre o então Rei Uther (Eric Bana) contra a legião de magos que ameaça tomar Camelot. Após vencer o duelo com ajuda da Excalibur, o Rei então descobre que seu irmão Vortigern (Jude Law) estava por trás de todo ataque e que agora armou uma rebelião contra ele. No desespero de salvar sua família, Uther colocar seu filho Arthur em um barco e trava um duelo contra seu irmão. Com auxílio de magia negra, Vortigern vence a batalha, porém a excalibur do seu irmão é jogada para o fundo do mar, se fincando em uma pedra. Com essa introdução, a lenda estava estabelecida e pronta para Ritchie dar seu toque.

Na cena seguinte, vemos que Arthur (Charlie Hunnam) chega a cidade de Londínio, onde é acolhido e criado em um prostíbulo. Lá esse se torna um líder das ruas, malandro e safo, longe da nobreza que corre em seu sangue. A construção desse novo Arthur transforma o filme e deixa claro que a ideia é obra de seu diretor. Com montagens rápidas e falas entrecortadas, o longa assume um ritmo diferente do que é costume quando o assunto é o mundo medieval. Com a ajuda dos ótimos atores coadjuvantes, Aidan Gillen (Bill) e Djimon Hounsou (Bedivere), Charlie Hunnam traz um Arthur que não pensa em grandes batalhas medievais em grandes campos verdejantes, mas sim em emboscadas através de atalhos secretos da cidade, trazendo uma dinâmica nova para a lenda.

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Charlie Hunnam e Djimon Hounsou (Divulgação/Reprodução)

“É importante fazer algo novo com Arthur. Ele sempre foi mostrado como alguém que não sabia de sua nobreza, mas sempre teve aspirações nobres. E nosso objetivo era criar um Arthur que era identificável e próximo”, Disse Hunnam em entrevista no Brasil. “Se eu ou você descobríssemos amanhã que somos os Reis da Inglaterra, ou Rei do Brasil, o que faríamos? Então essa dinâmica foi a primeira coisa que buscamos. Depois disso Guy foi moldando o personagem através do que ele imagina em seus personagens masculinos, que ele chama de ‘homem das cavernas de cashmere’. Ele gosta de personagens brutos mas com sofisticação”. Segundo Hunnam, desde antes do script estava claro o arquétipo de herói imaginado pelo diretor, já tendo sido vivido por Benicio Del Toro em Snatch: Porcos e Diamantes (2000) e Jason Statham em Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998). A aura de Guy Ritchie estava lá, novamente.

Apesar da ousadia em refazer história tão clássica, o filme tem alguns problemas provenientes dos mesmo vícios que tornam o filme bom. Se suas montagens são rápidas, algumas vezes elas são velozes demais, pulando etapas que seriam importantes para a composição do personagem. Outro aspecto negativo é o lado mágico da trama que, apesar de interessante, deixa a desejar no estilo adotado — a batalha final traz um Jude Law demoníaco com um design que poderia ter saído de um video-game genérico — mas nada que deixe o filme intragável.

HOLLYWOOD, CA - MAY 08: (L-R) Actors Kingsley Ben-Adir, Djimon Hounsou, Poppy Delevingne, Annabelle Wallis, Charlie Hunnam, director Guy Ritchie, and actor Eric Bana attend the premiere of Warner Bros. Pictures' "King Arthur: Legend Of The Sword" at TCL Chinese Theatre on May 8, 2017 in Hollywood, California. (Photo by Kevin Winter/Getty Images)

(Kevin Winter/Getty Images)

No final das contas, Rei Arthur: A Lenda da Espada é um filme que se propõe a ser uma grande diversão, jogando no lixo alguns velhos conceito da lenda a fim de moderniza-la. E se não é perfeito, é ótimo para estourar um pipoca e ficar duas horas imerso no longa.

“A mensagem central que Guy (Ritchie) passou foi para nos divertirmos no set. Se vamos passar seis meses juntos, vamos passar um tempo agradável, caso contrario nós perdemos uma oportunidade. Precisamos curtir o processo. Se nós nos divertirmos, então a audiência vai perceber isso”, declarou Hunnam ao comentar sobre como foi trabalhar com Guy Ritchie. Pelo resultado do filme, o clima do set foi ótimo.

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