O boom da distopia no cinema

O Círculo chega no momento em que a perda da privacidade e a manipulação de fatos da pós-verdade assombram o futuro

Histórias distópicas que vislumbram sistemas de controle da sociedade poderiam parecer apenas obras de autores pessimistas ou paranoicos. Porém, 2017 vive uma combinação de pós-verdades, vigilância secreta e invasões de privacidade na internet, e a chegada de políticos com tendências totalitárias ao poder. Tudo isso amplificou o interesse por distopias que coincidem com a realidade atual. Livros como 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, tiveram um boom de vendas nos Estados Unidos após a posse do presidente Donald Trump. Já o seriado Black Mirror virou sucesso na Netflix. Assim, o momento é muito adequado para a chegada de O Círculo às telas.

O longa terá uma première mundial no Tribeca Film Festival, entre 19 e 30 de abril, em Nova York. No dia 28, entrará em circuito nos Estados Unidos. No Brasil, a estreia está prevista para 11 de maio.

Dirigido por James Ponsoldt, o filme é baseado no livro homônimo de Dave Eggers, publicado em 2013. Com algum humor irônico, Eggers contou a história de uma jovem obcecada por gadgets e pela vida on-line que realiza seu sonho: trabalhar em O Círculo, megaempresa de tecnologia – tão mega que seria algo como uma soma de Google, Apple, Twitter e Facebook. Aos poucos, ela se vê sugada por uma organização dedicada a controlar o mundo, eliminando qualquer privacidade.

O elenco é de respeito. Emma Watson, atriz inteligente e de opiniões firmes, faz a protagonista Mae Holland. Já Tom Hanks encarna Bailey, o líder de O Círculo que doutrina plateias com frases de efeito como “segredos são mentiras” e “privacidade é roubo”.

É uma distopia mais tecnológica que política. Mas esta é uma época em que o WikiLeaks acusa a CIA de ter métodos para invadir smart TVs e espionar pessoas. Tecnologia também é política.


boom-distopia-filme-cinema-cultura-vip

(Divulgação/Reprodução)

Leituras relacionadas

O interesse por obras distópicas reflete-se por aqui também. Com edição em capa dura, a Aleph lança Nós (R$ 59,90), escrito por volta de 1920 pelo russo Ievgueni Zamiatin. Marco zero das distopias modernas, o livro imagina um estado policialesco opressor no futuro. É uma influência assumida por George Orwell para seu 1984 e por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo – outros filhotes notáveis são Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, e Laranja Mecânica, de Anthony Burgess. Falando em Orwell, a Companhia das Letras irá lançar uma compilação de artigos dele: O Que É Fascismo? – E Outros Ensaios.

Saiba mais sobre o livro aqui.

Newsletter Conteúdo exclusivo para você
E-mail inválido warning
doneCadastro realizado com sucesso!