Papo VIP com Brad Dukes, autor de livro sobre Twin Peaks

"Reflections", que chegou ao Brasil pela editora Darkside como "Twin Peaks: Arquivos e Memórias", tem como gancho a nova temporada da série

Após o hiato de 26 anos, Twin Peaks finalmente retorna à TV norte-americana — e chega à Netflix, aqui no Brasil.

Por isso, conversamos com Brad Dukes, que entrevistou mais de 100 responsáveis pela série para montar o livro Twin Peaks: Arquivos e Memórias, para tentar compreender mais este universo misterioso.

Na história da televisão, somente alguns programas são reconhecidos como “marcos históricos” — como Twin Peaks. Qual a importância/impacto de T.P. para as séries dos últimos 20 anos?

Brad Dukes: Acho que a influência [do programa] não pode ser exagerada. Twin Peaks é como o Velvet Underground da televisão; ela inspirou artistas a criar. Não penso que a influência em filmes e séries aconteceu da noite para o dia, mas dentro dos últimos dez ou quinze anos, seu efeito é palpável. Se você olhar para programas como Família Soprano, Lost, The Killing, e muitos outros — eles todos pegaram emprestado algumas ideias de Twin Peaks como modelo para saber se seria bem sucedido ou não.

Antes da última etapa de edição, o que era Arquivos e Memórias — em termos de gravações de voz/horas de edição?

Essa é uma pergunta assustadora! Houve facilmente 250 horas de material em áudio, adicionadas às centenas de emails. Editei sem parar por quase dois anos seguidos. Não senti isso sendo “trabalho” nem por um segundo.

Exceto pelo fato de ser mencionado (e muito!) ao longo do livro, David Lynch não foi entrevistado por você. O que aconteceu? Foi sua escolha?

David estava disposto a responder algumas perguntas em um determinado momento, mas essa ainda ‘era uma ponte muito longa a se cruzar’. Ele é muito seletivo naquilo que participa. As coisas aconteceram do jeito que eram para acontecer. Em retrospectiva, tudo o que ele tinha sobre histórias de Twin Peaks já foi publicado em outros livros, então levei isso como uma oportunidade de incluir histórias novas de outras perspectivas. Gosto de como a presença dele paira sobre o livro, e mesmo assim ele nunca aparece. É meio que como o Killer Bob em Twin Peaks, de certa forma!

Com mais de 100 entrevistas, acredito que seja difícil não ter uma favorita. De qual gostou mais? 

Apreciei conversar com Michael Ontkean [xerife Harry S. Truman]. Ele é infinitamente fascinante como pessoa e como artista. O mesmo com Richard Beymer [Ben Horne].

Qual será a recepção do Revival? O que você acha dessa “nova temporada”?

Essa é uma excelente pergunta, e honestamente não sei. Ela deve ser recebida como os últimos filmes de Lynch — Estrada Perdida, Cidade dos Sonhos e Império dos Sonhos. Alguns vão amar, alguns podem ficar furiosos, e eu imagino todas as reações que encontram-se no meio-termo. Pelo que sei, será completamente maluca. Mal posso esperar para ver qual história David Lynch Mark Frost querem nos contar, e espero que seja algo pelo qual ainda fiquemos obcecados daqui 25 anos.

Tem planos para trabalhar com novo conteúdo de Twin Peaks? Talvez sobre o Revival?

Adoraria escrever outro livro um dia. [Por enquanto] estou me divertindo muito documentando algumas coisas sobre Twin Peaks no meu podcast, The Brad Dukes Show.