Qual é o seu capital erótico?

Pode apostar: esse quociente é tão importante na vida quanto o QI

Você deve saber qual é seu quociente intelectual. Provavelmente tem noção também de seu quociente emocional – basicamente, a capacidade de lidar com os absurdos corporativos ao longo da carreira.

Mas e seu quociente erótico: você faz ideia de qual seja?
Vamos resumir assim: se você vai bem na vida executiva, deve ser alto. Isso vale para homens e mulheres. Num livro previsivelmente controverso, a socióloga britânica Catherine Hakim, professora da prestigiosa London School of Economics (LSE), mergulhou no tema. O título: “Capital Erótico: O Poder da Atração no Escritório e na Cama”.
“Cunhei o termo ‘capital erótico’ para designar a complexa mas crucial combinação de beleza, sex-appeal, habilidade em se autoapresentar e traquejo social – coisas que tornam homens e mulheres atraentes para seus colegas de empresa, especialmente do sexo oposto”, diz Catherine.
Antes, eram reconhecidas as habilidades meramente técnicas para uma trajetória de sucesso nas empresas. Depois, os especialistas em carreira incluíram na receita do êxito itens como o networking – “quem você é, em vez do que você sabe”, para usar as palavras de Catherine. Chegou a hora, segundo ela,de admitir que sem capital erótico você não deve ir muito longe.
É um assunto explosivo.
Recentemente, uma jornalista do tabloide Daily Mail, Samantha Brick, 41 anos, invocou a tese de Catherine. Ela disse, candidamente, que a beleza tem sido vital para sua escalada. Afirmou que, no início da vida profissional, fazia questão de se vestir de uma forma que agradasse a seu chefe. Num outro artigo, Samantha emendou – e disse que o único problema em ser bela era que atraía a raiva das demais mulheres, sobretudo as veteranas feias.
Pronto.
Samantha, casada com um homem que ela presume que vá deixá-la caso fique gorda, foi massacrada por mulheres jornalistas. Uma chegou a dizer que ela sofria de delírios: fora tudo, estava vendo boniteza onde não existia, a saber, em si mesma. Exagero aqui, exagero ali: as fotos mostram que Samantha, se não chega a ser um monumento como a mulher do príncipe, é, sem dúvida, uma quarentona atraente.
As bordoadas que recebeu das colegas jornalistas involuntariamente con­sagraram Samantha. Nunca tinha sido tão notada e tão discutida. Interessante perceber que, fora do circuito jornalístico feminino, ela foi vivamente apoiada. Num programa de rádio da BBC, ouvintes contaram relatos parecidos com os dela. Samantha, num inevitável efeito colateral de suas confissões, acabou jogando luzes também no livro da professora da LSE. Ela se tornou uma espécie de prova viva do acerto da tese da força do capital erótico.
Para quem não nasceu em condições de participar de um concurso de beleza, um conforto: a professora inicia seu livro contando o caso de uma mulher que, depois de perder o emprego, investiu na aparência de uma forma ao alcance de todo mundo que tenha, essencialmente, um cartão de crédito e força de vontade. Passou a se exercitar mais e a comer menos, modernizou num bom salão o corte de cabelo e, finalmente, comprou roupas que se ajustavam a sua nova aparência. Com a confiança que a mudança lhe trouxe, e também com seu capital erótico claramente ampliado, participou de entrevistas de emprego – e delas saiu com uma posição em que ganha 50% mais que antes.

Paulo Nogueira é jornalista e colaborador da Editora Abril em Londres.

Matéria publicada na Revista VIP de maio de 2012.