Sexo na Oscar Freire
A rua mais chique do país vira título e cenário de série de TV que conta a história de uma menina de classe média que decide virar garota de programa

Dora acabou de se tornar uma garota de programa. Mas sua falta de experiência não quer dizer que ela não faça um serviço benfeito. É justamente pela ausência dos vícios da profissão que ela faz sucesso no meio. Além do sexo caprichado, Dora quer agradar seus clientes antes e depois do ato.
Antes que você procure o telefone dela na internet, saiba que Dora é a personagem da atriz Lívia de Bueno na nova série da Multishow, Oscar Freire 279, com estreia prevista para o dia 3 de outubro (são 15 episódios, às segundas-feiras, às 23h30). É dela o corpo sensacional da Dora. O corpo e o profissionalismo. Se Dora quer que o seu cliente tenha o máximo de satisfação ao contratar os seus serviços, Lívia se concentra bastante para garantir uma atuação que prenda a atenção do espectador. Ao menos foi o que a VIP viu ao longo de uma tarde, acompanhando as gravações de Oscar Freire 279, no estúdio da Prodigo Films, em São Paulo. Lívia ensaiava para gravar uma das cenas-chave da série, quando é finalmente confrontada pela mãe sobre a sua profissão. Depois de alguns ensaios e takes, a cena saiu perfeita – e deve ir ao ar num dos episódios finais da série.
Ser ou não Ser
Antes de cair de boca no mundo da prostituição, Dora só queria ser florista. Oscar Freire 279 conta como ela, uma jovem de classe média que sai de Curitiba para São Paulo em busca de um curso de arranjos florais, se torna, com alguma relutância, uma garota de programa.
Seu primeiro emprego na maior cidade do país é numa das lojas de luxo da Rua Oscar Freire, endereço mais sofisticado do Brasil. Um dia, aceita o convite de um cliente para um encontro. Vai para a cama com ele e, ao final, recebe um pagamento inesperado. De repente, Dora virou uma garota de programa de luxo.
Sendo uma jovem disposta a se dar bem na cidade grande, ela decide que a boa grana do ramo compensa sua dúvida em assumir de vez a nova profissão, ao menos no início. Sem contar para os pais, começa a atender clientes regularmente, em um loft situado no endereço que dá nome à série.
É na cama do quarto de Dora – sobre a qual um vistoso sinal de néon escrito “Sala Especial” está espertamente localizado – que se passa a maior parte da ação da série. As de sexo são bem filmadas. Lívia dança no pole, faz strip e transa de um jeito bem sugestivo, mas que seria impróprio para a TV aberta. Mas a sacanagem é só um dos muitos elementos mostrados ao longo dos 15 episódios. Dora vai gastar bem o dinheiro ganho a duras penas. Vai se divertir com amigas que fazem o mesmo, vai beber muito, vai rir com e dos clientes e, eventualmente, vai se arrepender de tudo.
Criando a Dora
Para criar a Dora, o roteirista da série, Giuliano Cedroni, entrevistou diversas garotas de programa da região dos Jardins, bairro de classe alta de São Paulo, onde está localizada a Oscar Freire. Por meio dessas conversas, ele percebeu que o próprio mercado de prostitutas de luxo está em crescimento na cidade. “Como a economia brasileira melhorou ao longo dos últimos anos, também aumenta a procura por esse tipo de entretenimento”, diz.
Quatro perguntas para Lívia de Bueno
A atriz já atuou em novelas da Globo e da Record, mas esse é o seu primeiro papel como protagonista. Além da série da Multishow, ela está no longa Paraísos Artificiais (também tirando a roupa). O filme, que tem como pano de fundo o universo das raves, estreia em janeiro de 2012.
Como você se preparou para interpretar a Dora? Conversou bastante com moças do ramo?
Por incrível que pareça, eu não conversei com nenhuma garota de programa. Quando peguei o papel, fiquei bastante empolgada, pensando, oba, vamos ao Café Photo, na Kilt, mas Dora não frequenta esses lugares, faz parte de outro circuito, bem mais fechado. Não tem cafetão, atende poucos clientes por semana e prefere se reservar.
Você faz, pela primeira vez, uma protagonista na série de um canal de alcance nacional. Qual a sensação?
Fazer protagonista tem uma responsabilidade maior, sim. Mas não posso pensar nisso quando estou no set. Ansiedade não combina com atuação, que precisa muito a presença do ator.
E como foi gravar as cenas de sexo?
Cenas de sexo não são fáceis de fazer. O que dá segurança é quem te cerca. Eu estava com uma equipe incrível e contracenei com atores classe A. Quando há confiança, é mais fácil de se jogar. E como falar de garota de programa sem falar de sexo? Quem estiver em casa vai ver sexo, sim, mas com elegância.
Foi incômodo para você gravar a maior parte das cenas em um único cenário?
Isso é interessante. Porque eu gosto bastante de reconhecer o terreno antes de trabalhar. Quando tenho uma cena em uma locação nova, gosto de reconhecer o hábitat, pegar nos objetos, me sentir à vontade. Tive tempo para isso no loft, já que grande parte das cenas foi gravada lá. Achei maravilhoso. Depois de uma semana, eu tinha intimidade com o cenário e podia experimentar com mais liberdade. Cheguei a cochilar na cama, muitas vezes! [risos].
Parece, mas não é
Oscar Freire 279 lembra bastante outras séries e filmes lançados recentemente. Veja algumas das principais influências.
Alice
Uma das produções brasileiras do canal HBO, Alice, série exibida em 2008, mostra como uma moça de Palmas, no Tocantins, se vira em São Paulo. Ela não apelou para a prostituição, mas passou por diversos bicos até se estabilizar. A diretora de Oscar Freire 279, Márcia Maria, comandou alguns episódios de Alice.
Bruna Surfistinha
O filme baseado no livro O Doce Veneno do Escorpião, da ex-prostituta Raquel Pacheco, fez uma das maiores bilheterias do cinema nacional recente. Raquel tem tudo em casa, menos vontade de viver. Foge, vira uma garota de programa e adota o nome de guerra Bruna Surfistinha.
In Treatment
O que Oscar Freire 279 pegou de In Treatment foi o gosto pelos longos diálogos em um só ambiente. Na série da HBO, Gabriel Byrne é um psicólogo que atende um paciente por episódio. O criador de Oscar Freire 279, Giuliano Cedroni, diz que essa é a maior influência da sua série.











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