Twin Peaks, um divisor de águas da televisão

Livro conta como foi feito um marco televisivo: Twin Peaks, que mudou todas as regras para os seriados dramáticos (e vai voltar agora)

A teledramaturgia americana tem um grande ponto de virada: Twin Peaks, o seriado que teve duas temporadas em 1990 e 1991. Seus criadores, Mark Frost e David Lynch (este já era diretor de cinema consagrado), apresentaram um microuniverso surreal em torno das investigações do assassinato da adolescente Laura Palmer numa pequena cidade. O ritmo, os arcos de histórias, os personagens e o estilo visual facilitaram a aceitação de séries dramáticas mais complexas e lentas, como A Família Soprano, Lost ou Breaking Bad. A obra deixou tanta saudade que, após 26 anos de hiato, retornará à TV americana em maio (leia ao lado). E seus bastidores são contados no livro Twin Peaks [Arquivos e Memórias], de Brad Dukes.

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Twin Peaks [Arquivos e Memórias]
Brad Dukes
Darkside
R$ 59,90 (Divulgação)

“Twin Peaks foi o Velvet Underground da televisão, pois inspirou artistas a criar”, disse Dukes à VIP por e-mail, comparando a série à banda de art rock dos anos 60 que influenciou muitos artistas. O livro esmiúça a construção do universo de Twin Peaks (dos cenários à trilha sonora) e a genialidade de David
Lynch – além de seu poder de manipular o elenco em prol do resultado final.

Dukes explicou por que Lynch não quis dar depoimento ao livro: “Imagino que ele tenha contado todas as suas histórias sobre Twin Peaks em outros livros. Tomei isso como uma chance de incluir histórias novas com os pontos de vista dos outros”.

Twin Peaks, o retorno

David Lynch está no comando e no papel secundário de agente Gordon Cole. A maioria dos atores retoma seus personagens, como Kyle MacLachlan (agente Dale Cooper) e Sherilyn Fenn (a provocante Audrey Horne). Twin Peaks volta com a “terceira temporada” (na prática, embora não oficialmente) no canal pago americano Showtime. Em 21 de maio, estarão disponíveis os quatro primeiros dos 18 episódios.
Atração extra: convidados especiais como as atrizes Monica Bellucci e Laura Dern, e roqueiros como Trent Reznor (Nine Inch Nails) e Eddie Vedder (Pearl Jam). Até o fechamento desta edição, não havia previsão de exibição no Brasil.

Mais de 100 entrevistados renderam 250 horas de áudio e centenas de e-mails, que Dukes editou durante dois anos. “Mas não senti como se fosse trabalho”, afirmou. Como bem dizia Dale Cooper, o agente do FBI na série, você nem vai precisar de “uma xícara de café danada de boa” para não perder a concentração ao ler a obra.

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