O vale das delícias
Além de ótimos vinhos, o sul tem mimos para o turista. Lei seca? Nada, aqui o negócio é se molhar no banho borbulhante de uvas com Patricia Kreusburg.

Aqui, a bebida oficial não é a cachaça nem a cervejinha gelada. Estamos na terra do vinho – o Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, de onde sai a maior parte dos bons vinhos do Brasil. Brasil? A paisagem, o sotaque, a comida e – claro – o vinho dão a impressão de que estamos num cantinho perdido da Itália, a 130 quilômetros de Porto Alegre. Cidades como Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul e Garibaldi acordaram há pouco para o turismo. Então, o que você vai ver nessa região ainda é bastante autêntico. Mas a estrutura para receber os visitantes está ficando cada vez melhor, com hotéis confortáveis, restaurantes deliciosos, visitas guiadas a vinícolas e todo um esquema para receber caras como você, que gosta de vinho e quer beber bem. Tem até um spa para beber e mergulhar no vinho (tá bem,é extrato de uva). Ah, sem mencionar que aqui é a terra das mulheres mais bonitas do Brasil. Ou você não acha?

ROTEIRO DO VINHO

Vamos direto ao que interessa. O vale já tem mais de 30 vinícolas – algumas valem o passeio (e a degustação), outras nem tanto. Eu, claro, selecionei só as mais bacanas. Todas contam com esquema para receber turistas. A Vallontano, próxima a Bento Gonçalves, é uma empresa familiar, que só produz 50 mil garrafas por ano, com destaque para o espumante brut e para o tinto da uva tannat. A visita guiada, com degustação (e guias que falam inglês e italiano), custa R$ 10, que podem ser convertidos em garrafas.

A Cave de Pedra aposta em tipos de uva pouco comuns no Brasil, como a egiodola, a ancelota e a carmenère. A especialdade da casa, no entanto, são o merlot e o espumante. A arquitetura do lugar, instalado num castelinho – adivinhem! – de pedra, é uma aração à parte. A Lídio Carraro produz alguns dos vinhos mais premiados do país. De novo, o merlot é um destaque: afinal, essaé uma das uvas que se adaptaram melhor às condições da região. O merlot, ele de novo, é a estrela do catálogo da Pizzato. Na visitação, os funcionários das vinícolas explicam desde o plantio das parreiras até o envelhecimento dos vinhos. A Valduga é dona da maior cave de espumantes das América do Sul e de uma estrutura com quatro pousadas e três restaurantes.

COM TODO CONFORTO

O turista que vem ao Vale dos Vinhedos já encontra hospedagem de primeira linha. Algumas opções ficam dentro das próprias vinícolas, como é o caso da Pousada Valduga. “Muitos hóspedes gostam de acordar e ir direto para os parreirais saborear as uvas no pé, com uma taça de espumante na mão, apreciando a paisagem”, diz o diretor de marketing da Valduga, Fabiano Olbrisch. Os quartos têm varandas com vista para os parreirais e, para garantir a tranqüilidade dos casais, não aceita famílias com crianças. As diárias, que vão de R$ 220 a R$ 320, incluem uma visita guiada aos vinhedos e um curso rápido de degustação.

O Villa Europa Hotel não fica numa vinícola, mas é um luxo. A decoração dos quartos é inspirada nas casas dos colonos gaúchos, mas com todo o conforto possível – a roupa de cama é antialérgica e os hóspedes têm conexão de alta velocidade à internet. O preço de tanta mordomia começa em R$ 450 e vai a R$ 1500. A grande atração do hotel, o Spa do Vinho (veja abaixo), é cobrada à parte.

COMER, COMER

Essa região do Rio Grande do Sul foi colonizada por italianos do Vêneto, e é de lá que vieram também os pratos típicos daqui: galeto, salames, queijos, sopa de cappelletti, tortei de abóbora... É um rodízio com todas essas delícias a especialidade do restaurante Sbornea’s. Por R$ 27,90, você come até não agüentar mais. No café da vinícola Vallontano, pode-se comer tanto sanduíches e salgadinhos quanto refeições completas.

O lugar funciona sem intervalo entre almoço e jantar, o que é uma mão na roda para quem está rodando sem horários certinhos. O chef propõe o filé ao pesto de manjericão por R$ 19. Se o seu apetite estiver mais, hum, refinado, vá ao Dom Ziero, da vinícola Cordelier. Aqui você encontra pratos da cozinha italiana moderna – a sugestão da casa é o escalope de cordeiro com amêndoas, a R$ 38. Como bônus, assista ao sommelier abrindo uma garrafa de espumante com a técnica sabrage, cortando o gargalo com uma espada.

ONDE ENCONTRAR TUDO
Vallontano - Rodovia RS 444, km 16, tel.: (54) 3459-1006, www.vallontano. com.br.
Lídio Carraro - RS 444, km 41, tel.: (54) 3459-1222, www.lidiocarraro.com.
Pizzato - Via dos Parreirais s/nº, tel.: (54) 3459-1155, www.pizzato.net.
Valduga - Linha Leopoldina, s/nº, tel.: (54) 2105-3154, www.casavalduga.com.br.
Cave de Pedra - Linha Leopoldina, 305, tel.: (54) 3459-1268, www.cavedepedra.com.br.
Cordelier - RST 470, km 219,7, tel.: (54) 3453- 7593, www.cordelier.com.br.
Sbornea’s - RS 444, km 19,5, tel.: (54) 3459-1224.
Villa Europa
- RS 444, km 21, tel.: (54) 2102-7244, www.villaeuropa. com.br.
Todos os endereços são em Bento Gonçalves. Ligue para saber os horários de funcionamento e as visitas.

> Confira algumas fotos da Patricia Kreusburg

Adicione esta página aos seus favoritos    

 Twitter    Facebook    Orkut