Pancadaria das multidões
Para alívio dos médicos, chega ao fim mais uma temporada do futebol australiano, o esporte que mais coloca gente dentro de um estádio na hora da decisão

Em 27 de setembro, o esporte da Austrália vive seu maior dia: a grande final do campeonato nacional de futebol australiano (ou “Australian rules football”, no original) em Melbourne. Primo do nosso futebol e irmão do rúgbi e do futebol americano, o jogo criado há 150 anos é popular na Austrália. Mas é o que mais bota gente num estádio na hora da decisão, superando qualquer esporte em qualquer país (veja quadro ao lado). Pouco importa quem estará na final (este ano, a decisão é entre Hawthorn e Geelong). O país vai parar por sua paixão pelo jogo bruto – fã de futebol australiano acha o rúgbi coisa de maricas! Num gramado oval, dois times de 18 fortões tentam fazer gols aos chutes (na bola), socos (não só na bola) e todo tipo de tranco e pancada que a regra permite. Mas há limites: em julho, o jogador Trent Stanimirovitch pegou dois meses de prisão por arrancar os dentes de um adversário com um soco.

O QUE ATRAI TANTO A GALERA

São dois gols no campo, mas cada um com quatro traves. Duas mais altas (bola que passa ali vale 6 pontos) e duas menores (valendo 1 ponto).

Pode tomar porrada quem está com a bola e quem se aproxima do jogador com a bola. Só quem está longe da jogada não pode ser tocado.

A torcida pode beber no estádio. Numa final, são consumidos 57 mil litros de cerveja Foster’s.

Existe uma tradição da invasão de campo após o jogo. A torcida vai para o gramado e se diverte improvisando seus próprios jogos.

A MAIOR DAS FINAIS

JOGO PÚBLICO
AFL Grand Final 2007(Futebol australiano) Melbourne 97303
Copa da Inglaterra 2008
(Futebol) Wembley
89874
Copa Libertadores 2008
(Futebol) Maracanã
86027
Challenge Cup 2007
(Rúgbi) Wembley
84241
Super Bowl 2008
(Futebol americano) Phoenix
71101
World Series 2007
(Beisebol) Boston
50041

O CARIOCA DA BOLA OVAL

O Brasil está presente na AFL. Apesar do nome, Heritier “Harry” O’Brien, 21 anos, é carioca. Desde 2005, joga na defesa do tradicional Collingwood, de Melbourne. Este ano, o time vai mal, mas O’Brien foi reconhecido como bom jogador e se livrou do rótulo de “exótico”. Mora na Austrália desde os 3 anos, mas não se desligou do Rio de Janeiro: tem uma tatuagem do Cristo Redentor e curte o funk.

 

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