Gênio. E corno
Todos os discos de Damon Albarn são legais, menos um
por THALES DE MENEZES
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| Damon Albarn, Justine Frischmann e Brett Anderson: triângulo amoroso do brit pop |
O cara já teve perfil na Time e na
Veja. Traduzindo, não é só um
roqueiro que tem alguns hits
legais. O inglês
Damon Albarn é hoje
muito mais que um astro
pop. Cérebro por trás das
bandas Blur, Gorillaz e
The Good, The Bad & The
Queen, consegue sucesso de
crítica e público sem apelar para fórmulas
fáceis. Inventou uma banda de cartoon
misturando eletrônico com feras do jazz
e da música cubana. Montou uma banda
nada comercial com o baixista do Clash.
Acaba de criar sua primeira ópera rock.
Mas até os gênios podem ter sua cabeça
decorada com chifres. Lá vem a história.
Londres. 1997. Albarn então liderava o
Blur, o quarteto local que disputava com
o Oasis de Manchester o título de maior
banda do rock inglês. Um ano antes, rolou
uma disputa “oficial” quando as bandas
lançaram seus novos singles no mesmo dia.
Depois de semanas de brigas na imprensa
britânica, o Blur foi o vencedor da “Batalha
do Britpop”: Country House em primeiro
lugar, batendo Roll With It, do Oasis.
A Oasis mania só cresceu depois disso,
deixando o Blur em segundo plano, mas
Albarn nem ligou. Estava no
paraíso namorando a musa
Justine Frischmann, sexy
e magrinha vocalista
do quarteto Elastica.
Parecia um casalzinho
perfeito para a imprensa, mas
aí Justine começou a sair escondida com Brett Anderson, vocalista
de outro baluarte do pop
britânico, o Suede. Tipo
andrógino, Anderson se
ligou pra valer no visual “menininho” de Justine.
Numa noite (ou tarde? de manhãzinha?)
de sexo selvagem, Anderson mordeu a
bunda de Justine com força, deixando uma
indisfarçável marca de dentes na moça.
Ela tentou proteger a retaguarda da vista
do namorado, mas Albarn achou a marca
do pecado no dia seguinte. Acabou tudo.
O músico demorou a se recuperar da
chifrada. Nessa época, escreveu as canções
de 13, disco seguinte do Blur e que é bem
diferente dos outros do grupo. Cheio de
músicas depressivas, algumas com coro
gospel e clima claustrofóbico. Faixas como No Distance Left to Run e Tender têm letras
explícitas sobre o pé na bunda de Albarn.
Tão tristes que a banda nem tocava nos
shows. Nem uma dupla sertaneja no auge
da cornitude chega tão fundo no poço.

| Thales tem em casa todos os álbuns de Oasis Blur, Suede e Elastica e lá eles nunca brigam |
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