Macho ou machucado?
Se basta uma gripe para você ficar de molho, acabou a desculpa: especialistas afirmam que as mulheres sentem mais dor do que os homens. A diferença é que elas agüentam o tranco

O escritor Oscar Wilde já dizia: “Que Deus me livre da dor física, pois das dores morais me encarrego eu”. Tá certo que o dândi irlandês não é um exemplo de masculinidade, mas a frase reflete bem como quase todo homem se porta diante da dor: feito uma moça! E, sabe aquela teoria de que homem sente mais dor do que mulher? A medicina desmente o boato.
“Apesar de o homem se queixar mais com relação à dor, a mulher sente com mais freqüência e intensidade”, revela o João Valverde Filho, anestesiologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. As mulheres sentem 250% mais dor de cabeça do que os homens. Elas sofrem quatro vezes mais de dor muscular e 1,5 vez de dores lombares.
A diferença é que elas conseguem segurar a onda. “Cólicas menstruais e dores de cabeça fazem parte da rotina do corpo feminino. A mulher se torna mais acostumada à dor e por isso reclama menos”, conclui o especialista.
Até pouco tempo atrás, a dor era tratada na medicina apenas sob o aspecto da doença que a causava, e não como um mecanismo que avisa quando algo não está funcionando como deveria. Felizmente, ela ganhou importância no campo da ciência e passou a ser considerada a quinta função vital do corpo.
Hoje, por mais hipocondríaco que você seja, pode sempre encontrar um especialista disposto a acabar com seu sofrimento. Então, quando sentir dor, segure a bronca ou vá se tratar. Acabou a desculpa para chorar.
DESVENDANDO O MITO
LIN YENG, FISIATRA DO NÚCLEO DA DOR DO HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS, EXPLICA POR QUE SOMOS TÃO COVARDES
Por que as mulheres sentem mais dor do que os homens?
As mulheres têm músculos mais frágeis, mais incidência de doenças genéticas, menos neurônios e menor absorção de morfina (substância produzida pelo corpo para combater a dor) etc. São fisiologias totalmente diferentes.
Que dores os homens sentem mais, e vice-versa?
Para eles, as piores dores são cólica renal, hérnia de disco e traumatismos. Elas sofrem mais com dor do parto, dores menstruais, procedimentos pós-operatórios, enxaqueca, artrose e dores musculares. A percepção varia entre cada um.
Como se pode avaliar a intensidade da dor?
Existem algumas escalas para medir. O que mais se utiliza é um misto de avaliações. São analisadas reações a dor, comportamentos e descrições feitas pelos pacientes. Medindo esses resultados, chega-se a uma escala de zero a dez.












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