A guerra das dietas
Baixa quantidade de proteínas, pouco carboidrato, gordura zero: qual é a fórmula mais
eficiente para você emagrecer?
POR MARIA DOLORES
Um estudo publicado no New England Journal of Medicine
comparou três das dietas mais populares do mundo: a do
Dr. Atkins, a do Mediterrâneo e a chamada Low-fat, ou
pobre em gorduras. E constatou que as duas primeiras
são mais eficientes – com vantagem para a do Dr. Atkins.
A pesquisa, realizada por instituições como a Universidade de
Harvard, acompanhou 272 homens e mulheres de até 65 anos
que seguiram uma dieta por dois anos. O resultado – perdas médias
de 4 quilos – pode parecer pouco. O problema não é nem
tanto perder peso, mas manter-se magro, mudando de hábitos e
gastando mais calorias do que se consome. Do contrário, o efeito
sanfona (emagrece-engorda-emagrece-engorda...) é inevitável.
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DIETA MEDITERRÂNEA |
DR. ATKINS |
DR. ATKINS |
O que é: baseada nos estudos do fisiologista
americano Ancel Keys sobre os hábitos
dos habitantes da ilha grega de Creta,é rica em legumes, verduras, frutas, peixes,
castanhas e azeite de oliva. Tem
pequeno consumo de carne vermelha
e ingestão moderada de vinho.
Prós: a combinação de alimentos ricos
em antioxidantes livra as artérias do colesterol
ruim e faz bem para o coração.
Contras: tem carência de aminoácidos e
de vitaminas, podendo causar anemia pela
falta de ferro. Além disso, não é equilibrada
o suficiente para ser adotada por
um longo período de tempo. |
O que é: nos anos 70, o cardiologista
americano Robert Atkins criou uma dieta
que exclui carboidratos, para reduzir a
produção de insulina, hormônio responsável
pela sensação de fome e pelo armazenamento
de gordura no organismo.
Prós: pode comer à vontade e são permitidas
coisas que nunca entram num regime,
como calabresa acebolada, ovo frito,
hambúrguer, bacon e queijo gordo.
Contras: o excesso de gordura provoca
inflamação das paredes arteriais. “E aumenta
a incidência de problemas cardiovasculares”,
diz Ana Maria Pitta Lotemberg,
nutricionista da USP. |
O que é: é a dieta indicada pelo National
Cholesterol Education Program (Programa
de Educação Nacional de Colesterol).
Não é lá tão pobre em gorduras, porque
recomenda a ingestão de 30% das calorias
na forma delas.
Prós: é a dieta que costuma funcionar
melhor a longo prazo. Não tem fórmulas
mágicas, só uma espécie de reeducação.
A perda de peso é gradativa.
Contras: é preciso controlar a quantidade – algo que pode ser mais complicado para
os homens –, contar as calorias e ter
o prato sempre colorido, ou seja, respeitar
a variedade dos grupos alimentares. |
MEDITER
RÂNEA
EU FAÇO
“Por volta dos 19
anos li sobre as
pesquisas do cientista
americano Ancel Keys e
me interessei pelo assunto. Percebi
que os hábitos alimentares dos
povos mediterrâneos eram simplesmente
os costumes que prevaleciam
em famílias italianas como a minha.
Observei que, seguindo as tradições,
tínhamos uma sensação de leveza,
saciedade prolongada e mais disponibilidade
física. O mais interessante
é que tudo isso acontece aliado ao
prazer de degustar pratos de cozinhas
ricas em aroma, cor e sabor,
como a italiana, a espanhola, a turca,
a grega... Gostei tanto da dieta que
resolvi abrir meu próprio restaurante,
o Spuntini al Maré – Dieta
Mediterrânea, em Bombinhas.”
Paolo Pascoli, 25 anos,
empresário de Santa Catarina |
DR. ATKINS
EU FAÇO
“Tenho 1,80 m de
altura e estava
com 90 kg em 2006.
Comecei a fazer uma
reeducação alimentar
por conta própria, mas não tive sucesso.
Pensei em fazer a dieta dos pontos,
mas, quando eu vi a quantidade que
teria de comer, achei que morreria
de fome. Foi quando minha mulher
me deu o livro da dieta do Dr. Atkins.
Pesquisei na internet, descobri fóruns
de discussão, estudei e decidi tentar.
Perdi 8 kg no primeiro mês. Em três
meses foram 15 kg. Fiz um acompanhamento
médico, exames de colesterol
e os níveis se mantiveram bons.
Mas eu evitava frituras. Depois tive um
problema de saúde, precisei ficar de
repouso e acabei engordando 10 kg.
Agora retomei a dieta e perdi 4,5 kg
nas duas primeiras semanas.”
Ronaldo Lemos, 35 anos,
projetista no Rio de Janeiro |
LOW-FAT
EU FIZ
““Há uns três anos
eu estava acima do
peso e com problemas
de saúde decorrentes
disso, como pressão
alta. Meu médico me disse que eu tinha
que emagrecer. Estava com 95 quilos e,
fazendo dieta e atividade física, cheguei
a 79. Foi um reaprendizado em relaçãoà maneira de me alimentar. É difícil, porque
a oferta de comida gorda e apetitosa é alta, mas eu procuro seguir a orientação
nutricional. Quando almoço em restaurante
de comida a quilo, por exemplo, primeiro
eu olho tudo o que tem e escolho
o que vou comer. Se não fizer isso, acabo
enchendo demais o prato. Eu tenho oscilações
de peso, geralmente em períodos
tumultuados da minha vida. Nesses períodos
a gente tem mais dificuldade em
manter a dieta. Estou com 85 quilos
atualmente, mas quero voltar aos 80.”
Marcelo Lakai, 45 anos,
psicólogo de São Paulo |
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DIETA DISSOCIADA CRIADA POR MÉDICOS BRASILEIROS, É UMA MISTURA DAS POPULARES,
MAS DECRETA O FIM DO ARROZ COM FEIJÃO |
Uma dieta que alia as
particularidades desses
regimes populares foi desenvolvida
pelos médicos da Universidade Federal
de São Paulo e batizada de dieta
dissociada. “Quando misturamos carboidratos
e proteínas, há estímulo da
produção de insulina, responsável pela
sensação de fome e pelo acúmulo
de gordura no organismo”, diz o endocrinologista
e nutrólogo João César
Castro Soares. “Se esses grupos forem
separados, há aceleração do metabolismo
e queima de gordura.” Esseé o princípio da dieta.
O que é: ela intercala proteínas e carboidratos
com intervalo mínimo de
quatro horas. O ideal é ingerir carboidrato
de manhã, na hora do almoço e
até o meio da tarde. A noite fica reservada
para a proteína, que dá mais
sensação de saciedade.
Prós: você pode comer quanto quiser,
desde que respeite a programação
dos grupos de carboidratos e proteínas,
além do intervalo. |
Contras: adeus ao arroz e feijão. Para
dar certo, você não pode misturar carboidrato
e proteína. E, como você vai
continuar comendo muito, quando
sair da dieta pode recuperar os quilos.
EU FAÇO
“Comecei a estudar para
o vestibular, interrompi
a atividade física e engordei
20 quilos. Depois,
fiz um ano de cursinho e
engordei mais 20. Entrei na
faculdade e ganhei mais 15. Em setembro
de 2007 precisava de um terno.
O maior número da loja, 70, não
coube. Resolvi comprar aquele e disse
que ia caber. Isso foi num domingo.
Comecei a dieta dissociada e exercícios.
Duas semanas depois o terno
entrou. Não é fácil, porque dá vontade
de comer, sair do regime. Perdi
49 quilos e estou bem hoje, mas
continuo me esforçando.”
José Eduardo Garrote, 25 anos,
estudante de medicina em São Paulo
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