Star Trek: a novíssima geração
Capitão Kirk e Spock voltam recém-saídos da adolescência para fazer o 11o filme a bordo
da Enterprise e salvar o fenômeno da série de TV criada nos anos 60
POR THALES DE MENEZES
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| “Vejam, amigos, como nossa nave é boa;
ela vai voar até a gente ficar gagá” |
Além os malucos que se vestem de
Capitão Kirk, alguém ainda aguenta
ouvir falar de Star Trek? Essa
pergunta martelou a cabeça de J.J.
Abrams durante meses antes que ele aceitasse
dirigir o 11o filme – que estréia dia 8
de maio – baseado na série de TV criada
nos anos 60. A solução encontrada pelo
gênio dos seriados Lost e Fringe foi revigorar
a coisa toda. Sua opção: esquecer os
sessentões da série original e mostrar os
personagens jovens, contando a fabricação
da Enterprise e o recrutamento
de sua tripulação.
Gostando ou não do filme,
fica claro que a ideia deu certo.
Kirk e Spock estão bem diferentes.
O jovem capitão vem carregado
de rebeldia adolescente, longe
ainda do ponderado comandante
que tantas vezes resolveu embates
com aliens malvados na
base da diplomacia e muita falação.
Já Spock transmite uma
grande insegurança no lugar da lendária
frieza, angustiado numa batalha hormonal
dentro de seu corpo metade humano,
metade vulcano. Como a amizade dos dois
é o alicerce do sucesso do seriado original,
a aposta de Abrams foi certeira.
Zachary Quinto, o Sylar da série Heroes,
oferece uma versão assustadoramente
perfeita do Spock rejuvenescido.
Ficou igualzinho a Leonard Nimoy, que
celebrizou o personagem na TV. O resto
da tripulação é um festival de caras
novas. Chris Pine, que ganhou o
papel de James T. Kirk, saiu da
obscuridade para a condição de
nome quente. Já está escalado
para ser o herói Lanterna Verde
na adaptação do gibi. Os únicos
nomes conhecidos no elenco são
os de Eric Bana (Hulk, Munique),
como o vilão Nero, e de Winona
Ryder, como a mãe de Spock. E,
claro, Leonard Nimoy, numa aparição-
homenagem.
A associação com J.J. Abrams, o Midas
do momento nas telesséries, foi a salvação
da Paramount para a franquia Star
Trek. Claro que a legião de fãs dedicada
continua firme, mas o fenômeno perdeu
força. A série original e sua primeira
continuação, Star Trek: A Nova Geração,
ainda faturam horrores com DVDs, bonecos,
naves em miniatura e outras bugigangas.
Mas as seguintes, ST: Deep Space
Nine, ST: Voyager e ST: Enterprise, passaram
batidas na TV. E os filmes de cinema,
que começaram com o elenco da
série original e depois passaram para os
heróis da nova geração, foram minguando
no interesse do público.
Chris Pine e Zachary Quinto podem
realmente ser a novíssima geração para
continuar as aventuras de Kirk e Spock.
Os rumores indicam que eles assinaram
uma espécie de pré-contrato para mais
quatro filmes no cinema. Só depende
agora da esperteza de J.J. Abrams e da
resposta da plateia.
ORELHUDO
O ATOR ZACHARY QUINTO FALA
DO TRABALHO QUE DÁ FAZER A
ORELHA FICAR GRANDE
POR ELAINE GUERINI, DE LOS ANGELES
Você conseguiu o papel de Spock pela
repercussão que alcançou com
Sylar, de Heroes, não?
A base de fãs de Star Trek se confunde
com a de Heroes. A minha escalação certamente
foi uma opção segura para
a Paramount.
Dava muito trabalho ganhar as orelhas
pontudas de Spock?
A sessão na cadeira do maquiador era
longa e tediosa. Não só pelas orelhas,
mas pela sobrancelha também. Antes
das filmagens tive de arrancar todos os
fios, o que doeu para caramba. E todos os
dias eles colavam pelos artificiais no lugar.
O corte de cabelo esquisito também
pesou. Não saía de casa sem um boné.
Ficou intimidado ao contracenar com
Leonard Nimoy, o Spock original?
Um pouco, mas ficamos tão próximos
que ele me passou segurança. Nem me
senti na obrigação de rever toda a série
em DVD, porque pude beber na fonte, pelo
contato com ele. Juntos, na casa dele,
assistimos a apenas dois episódios do seriado
original. Tive de me beliscar para
acreditar que estava na casa de Spock.
Como lidou com a crise em Heroes,
que começou como fenômeno de audiência,
mas perdeu a mão na segunda
temporada, gerando até a demissão
de roteiristas?
Houve, sim, críticas com relação ao caminho
que a série deveria tomar. Mas todos
os seriados sofreram com a greve dos roteiristas
e com esse novo modo de assistir
aos programas de TV, via internet e até celular. Não dá mais para saber quantos
telespectadores temos.
O que pode adiantar sobre o final da
terceira temporada?
Todos os personagens enfrentam dilemas
morais. Estão se questionando se
são bons ou maus, pois até os bons estão
sendo confrontados com suas facetas
mais obscuras. |
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