Clint 7.8 não quer ficar parado
Mas o veterano ator e diretor conta à VIP que às vezes só pega no tranco

Chega às locadoras A Troca, filme que reúne um ícone de beleza, An- gelina Jolie, e um de macheza, Clint Eastwood. Prestes a completar 78 anos, ele trabalha sem parar. Está finalizando The Human Factor, sua nona produção como diretor neste século. Ex- astro de faroestes italianos e da série de filmes com o policial durão Dirty Harry, ele passou a dirigir com resultados me- dianos até conquistar a crítica em Os Im- perdoáveis, western amargo que lhe deu em 1993 seu primeiro Oscar como dire- tor. O segundo veio em 2005, com Meni- na de Ouro. Hoje ele não consegue pisar no palco na cerimônia do prêmio sem que todo mundo fique de pé aplaudindo.
Nada mau para quem foi muitas vezes recusado para papéis por não demons- trar expressões diferentes num rosto de pedra. Ele falou à VIP sobre A Troca, dra- ma passado em 1928 sobre uma mãe em busca do filho sequestrado.
Como foi a escolha de Angelina Jolie para ser a mãe que enfrenta todo um sistema corrupto pa- ra descobrir o que acon- teceu com seu filho?
Quando soube que ela tinha gostado do roteiro, ficou claro que não precisava pensar em mais ninguém. Gosto dela co- mo atriz e hoje é provavel- mente a mãe mais famosa do mundo. Imaginei que deveria saber com muita propriedade o que é necessário ao papel.
Você acha que A Troca faz o público pensar que a corrupção está presente na vida de todos?
Sim, ela está, e não estou sendo irônico ao dizer que a história de Los Angeles é feita de episódios de corrupção. Acho que foi a inspiração para o cinema noir que foi produzido ali durante décadas. A razão? Talvez seja porque a cidade ficou muito isolada na Costa Oeste na primeira metade do século passado, num mundo à parte sem que o resto do país
reparasse no que acontecia lá. Então a corrupção criou raízes.
De onde vem sua energia para rodar um filme atrás do outro?
Eu não sei. Acho que não fico mais tanto tempo na frente da câmera, atuo pouco nos filmes. Sinto que a hora é boa para ficar atrás e manter o foco em contar as histórias. Não vejo sentido em ficar parado.
É evidente que você não segue tendências. Quando todos decretaram o fim dos faroestes, você fez Os Imperdoáveis.
É mais importante contar uma boa história do que se- guir tendências. Você não se sente preso a nada e não cede a pegar carona no sucesso de outros. Como nunca encontrei outro roteiro tão bom quanto aquele, acho que Os Imperdoá- veis foi meu último western.
Como está o projeto The Human Factor, seu filme sobre Nelson Mandela?
Estou num ritmo mais lento desta vez. Descansei um pou- co depois de Gran Torino e agora o motor está aquecendo. Nessa idade às vezes eu pego no tranco.
O que faz você decidir atuar, como em Menina de Ouro e Gran Torino?
Decidi me colocar no elenco desses dois filmes porque existiam bons personagens com a minha idade. Não vou tentar maquiar os efeitos do tempo. Mas não estou preocupado em procurar papéis assim, estou contente do outro lado da câmera.
Ao contrário de colegas de geração, você parece ser um entusiasta do DVD.
Sim, muito. Procuro participar da adaptação dos filmes ao formato, produzir extras inte- ressantes. Com a qualidade de telas e de sistemas de som que as pessoas podem ter em casa hoje, elas conseguem re- petir ali a mesma experiência de uma boa sala de cinema.
ISTO É UM ÍCONE
Filmes como ator: 66
Filmes como diretor: 33
Melhor western em que atuou:
O Estranho Sem Nome (High Plains Drifter, 1972)
Melhor western que dirigiu: Os Imperdoáveis (The Unforgiven, 1992)
Os filmes como “Dirty” Harry:
Perseguidor Implacável (Dirty Harry, 1971)
Magnum 44 (Magnum Force, 1973)
Sem Medo da Morte (The Enforcer, 1976)
Impacto Fulminante (Sudden Impact, 1983)
Dirty Harry na Lista Negra (The Dead Pool, 1988)
Quem ganhou o Oscar sob seu comando:
Gene Hackman (Os Imperdoáveis)
Sean Penn (Sobre Meninos e Lobos)
Tim Robbins (Sobre Meninos e Lobos)
Hilary Swank (Menina de Ouro)
Morgan Freeman (Menina de Ouro)
O primeiro filme:
Tarântula, a Aranha Assassina (Tarantula, 1955), um abacaxi sem tamanho
O filme mais macho de sua carreira:
Rota Suicida (The Gauntlet, 1977), no qual ele enfrenta sozinho a polícia de três estados
O filme dele que sua namorada vai gostar:
As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County, 1995), uma xaropada com Meryl Streep











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