Onde os ricos se jogam na pista
Para os jovens endinheirados que frequentam a Mokaï, a B4 Lounge
e a Blue Pepper (as novas baladas de luxo de São Paulo), a noite é
uma criança que não sai de casa sem Dolce&Gabbana
POR RODOLFO VIANA
Uma leva o balde com gelo, outra
carrega as taças, e a terceira
mantém a garrafa de champanhe
em riste, para não esbarrar em
ninguém. As três beldades, em fila indiana,
serpenteiam o salão onde cerca de 450 pessoas
se agitam à house music. O ziguezague
desperta a curiosidade de todos. Do outro
lado da pista, estão os donos da bebida -
rapazes e garotas de não mais de 30 anos,
que já acumulam na mesa garrafas vazias
de vodca e latas de energético. Quando o
champanhe chega, um jorro de fogo sai do
gargalo, atraindo a atenção pública ao clarão,
e é impossível dizer onde, nos olhares,
termina a admiração e começa a inveja. Os
750 ml de Louis Roederer Cristal, o champanhe
que causa tanto estardalhaço no salão,
custam R$ 2,4 mil. É bebida para poucos,
assim como não são muitos os que
conseguem um lugar na casa.
Estamos na Mokaï, lugar onde go-go
girls dançam sobre nossas cabeças, e bebidas
podem custar até R$ 3,2 mil; onde
muitos chegam de Mercedes-Benz - o loiro
de cabelo estrategicamente penteado
desponta num SLK Roadster, enquanto a
moça que trabalha na chapelaria chega no
ônibus que pegou no Terminal Princesa
Isabel. Um lugar frequentado pela nova
geração da nata paulistana: meninas bem
produzidas que falam de suas traições no
balcão de make-up e rapazes apanhados
que pagam até R$ 350 de entrada e falam
obscenidades no banheiro.
A franquia da casa noturna de Miami
tem corvos empalhados no teto, mas ninguém
nota. Os homens estão mais preocupados
em olhar para as meninas e imaginar
o que se esconde por baixo do casaco
de pele; as mulheres, por outro lado,
estão interessadas em não demonstrar seus
desejos. Ser blasé é fundamental, mas não
dura muito. A máscara cai exatamente
quando elas se sentam para refazer a maquiagem
no salão de beleza instalado dentro
da casa.
Uma dessas meninas é Danielle Sobreira.
Comportadamente sentada numa poltrona
na seção feminina da casa, a ex-assistente
de palco do Gugu conversa com
a amiga, Mariane Oliva, ex-Chiquitita e
ex-apresentadora da Discovery, sobre a
vida amorosa e... o ex.
Danielle terminou o noivado três semanas
antes da balada e resolveu comemorar
a solteirice no dia anterior ao que seria o
do casamento. "Eu sou modelo e atriz, faço
Wolf (Escola de Atores Wolf Maya), e
ele não servia para ser noivo de atriz." A
amiga Mariane, que interpretou a vilã Marian
no seriado infantil nos idos de 1997,
concorda. "Uma atriz para ter um relacionamento longo, saudável, tem que ter um
namorado cabeça, que entenda que nós,
atrizes, fazemos coisas, mas sem sentimento,
entende?" Entendo.
Quem ouve a tudo é Jonathan Nunes,
um dos maquiadores que atuam na casa.
"Elas se entregam aqui", diz. Homem é o
assunto principal: quem está com quem,
quem deixou quem, quem traiu quem e
com quem. No meio da balada, "quando
elas já estão alegrinhas", o fluxo de meninas
que o procuram é maior. Querem refazer
a sombra, retocar a base, delinear a
sobrancelha, pintar os lábios. "Elas querem
ser Gisele Bündchen."
Algumas conseguem chegar perto da
beleza da top model. Outra parte das meninas
não é bonita, apesar das roupas de
grife, dos casacos, dos sapatos, das bolsas.
O dinheiro não compra beleza, mas pode
bancar uma bebedeira homérica e transformar
todas as meninas em divas. Mas
quem quiser enfiar o pé na jaca da opulência
terá de desembolsar uma boa grana.
Cerveja nacional long neck: R$ 15. Shot
de tequila: de R$ 25 a R$ 35. Dose de uísque:
de R$ 25 a R$ 76.
Os valores ganham três ou mais dígitos
se o cliente quiser a garrafa. Vodca: de R$
380 a R$ 485. Tequila: de R$ 400 a R$ 550.
Uísque: de R$ 400 a R$ 1 000. Champanhe:
de R$ 450 a R$ 3,2 mil. Fico com uma garrafa
de água e morro com R$ 8.
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