EDIÇÃO 293 - AGOSTO 2009

Onde os ricos se jogam na pista

Para os jovens endinheirados que frequentam a Mokaï, a B4 Lounge e a Blue Pepper (as novas baladas de luxo de São Paulo), a noite é uma criança que não sai de casa sem Dolce&Gabbana

POR RODOLFO VIANA

pista da casa noturna Mokaï

Uma leva o balde com gelo, outra carrega as taças, e a terceira mantém a garrafa de champanhe em riste, para não esbarrar em ninguém. As três beldades, em fila indiana, serpenteiam o salão onde cerca de 450 pessoas se agitam à house music. O ziguezague desperta a curiosidade de todos. Do outro lado da pista, estão os donos da bebida - rapazes e garotas de não mais de 30 anos, que já acumulam na mesa garrafas vazias de vodca e latas de energético. Quando o champanhe chega, um jorro de fogo sai do gargalo, atraindo a atenção pública ao clarão, e é impossível dizer onde, nos olhares, termina a admiração e começa a inveja. Os 750 ml de Louis Roederer Cristal, o champanhe que causa tanto estardalhaço no salão, custam R$ 2,4 mil. É bebida para poucos, assim como não são muitos os que conseguem um lugar na casa.

Estamos na Mokaï, lugar onde go-go girls dançam sobre nossas cabeças, e bebidas podem custar até R$ 3,2 mil; onde muitos chegam de Mercedes-Benz - o loiro de cabelo estrategicamente penteado desponta num SLK Roadster, enquanto a moça que trabalha na chapelaria chega no ônibus que pegou no Terminal Princesa Isabel. Um lugar frequentado pela nova geração da nata paulistana: meninas bem produzidas que falam de suas traições no balcão de make-up e rapazes apanhados que pagam até R$ 350 de entrada e falam obscenidades no banheiro.

A franquia da casa noturna de Miami tem corvos empalhados no teto, mas ninguém nota. Os homens estão mais preocupados em olhar para as meninas e imaginar o que se esconde por baixo do casaco de pele; as mulheres, por outro lado, estão interessadas em não demonstrar seus desejos. Ser blasé é fundamental, mas não dura muito. A máscara cai exatamente quando elas se sentam para refazer a maquiagem no salão de beleza instalado dentro da casa.

Uma dessas meninas é Danielle Sobreira. Comportadamente sentada numa poltrona na seção feminina da casa, a ex-assistente de palco do Gugu conversa com a amiga, Mariane Oliva, ex-Chiquitita e ex-apresentadora da Discovery, sobre a vida amorosa e... o ex. Danielle terminou o noivado três semanas antes da balada e resolveu comemorar a solteirice no dia anterior ao que seria o do casamento. "Eu sou modelo e atriz, faço Wolf (Escola de Atores Wolf Maya), e ele não servia para ser noivo de atriz." A amiga Mariane, que interpretou a vilã Marian no seriado infantil nos idos de 1997, concorda. "Uma atriz para ter um relacionamento longo, saudável, tem que ter um namorado cabeça, que entenda que nós, atrizes, fazemos coisas, mas sem sentimento, entende?" Entendo.

Quem ouve a tudo é Jonathan Nunes, um dos maquiadores que atuam na casa. "Elas se entregam aqui", diz. Homem é o assunto principal: quem está com quem, quem deixou quem, quem traiu quem e com quem. No meio da balada, "quando elas já estão alegrinhas", o fluxo de meninas que o procuram é maior. Querem refazer a sombra, retocar a base, delinear a sobrancelha, pintar os lábios. "Elas querem ser Gisele Bündchen."

Algumas conseguem chegar perto da beleza da top model. Outra parte das meninas não é bonita, apesar das roupas de grife, dos casacos, dos sapatos, das bolsas. O dinheiro não compra beleza, mas pode bancar uma bebedeira homérica e transformar todas as meninas em divas. Mas quem quiser enfiar o pé na jaca da opulência terá de desembolsar uma boa grana. Cerveja nacional long neck: R$ 15. Shot de tequila: de R$ 25 a R$ 35. Dose de uísque: de R$ 25 a R$ 76.

Os valores ganham três ou mais dígitos se o cliente quiser a garrafa. Vodca: de R$ 380 a R$ 485. Tequila: de R$ 400 a R$ 550. Uísque: de R$ 400 a R$ 1 000. Champanhe: de R$ 450 a R$ 3,2 mil. Fico com uma garrafa de água e morro com R$ 8.

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