Hall da fama do sexo no cinema
Quais são os maiores clássicos da união de cinema e erotismo? Formamos um júri VIP de especialistas para apontar os melhores, levando em conta enredo, fotografia, importância e, claro, as transas
POR CARLOS MESSIAS
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Não parece que eles
estão cantando um
tango em Paris? |
Anticristo, filme de arte com cenas de terror e sexo
explícito, criou escândalo na Europa e tem estreia
prevista para agosto no Brasil. A nova obra do diretor
dinamarquês Lars von Trier (que fez os cultuados
Dançando no Escuro e Dogville) foi esculachada no
Festival de Cannes - até recebeu um "antiprêmio" do júri
oficial, algo sem precedentes. As cenas de penetração foram
avaliadas pela crítica como meramente apelativas. Por
pior que o filme seja, a polêmica de Anticristo reacendeu
uma união que andava rara: a do cinema com erotismo sem
pudor. Nessa área, grandes obras já foram feitas desde os
anos 70, dos filmes altamente intelectuais aos pioneiros do
pornô. Decidimos apontar quais as melhores e reunimos
um júri de especialistas (veja quadro abaixo). Cada um escolheu
cinco filmes (não necessariamente com sexo explícito)
cuja qualidade se sustenta no enredo, nos enquadramentos
de câmera, no impacto cultural e nos atos sexuais
que retratam ou sugerem. Não determinamos pontuação
nem ranking. Preferimos indicar os mais votados de acordo
com um determinado estilo.
FILME COMERCIAL
QUE VAI FUNDO
O ÚLTIMO TANGO EM PARIS (1972), de Bernardo Bertolucci
"Mostra o confinamento de um casal e o isolamento
dos dois protagonistas em uma relação sexual intensa
que rompe todos os limites."
(Heitor Dhalia, diretor)
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Tanto cacho
para pentear... |
Ponto alto: a cena da manteiga. O personagem quarentão interpretado
pelo grande Marlon Brando utiliza o laticínio como lubrificante para fazer
sexo anal com a parceira, interpretada por Maria Schneider.
Alerta vermelho!: ritmo lento e filosófico que não é para todos os gostos.
Importância: abriu as portas do cinema comercial para o erotismo. A história
de um viúvo quarentão e desiludido que tem um envolvimento estritamente sexual
com uma mocinha bem mais jovem foi o escândalo dos anos 70. Acusado
de ser "pornografia disfarçada de arte", foi proibido em vários países, inclusive
no Brasil (onde só foi exibido sem cortes em 1987). O diretor Bernardo Bertolucci
chegou a ser condenado a quatro meses de prisão por obscenidade na Itália.
Em compensação, concorreu ao Oscar de melhor diretor graças a este filme.
Ideal para: assistir com sua gata.
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PORNÔ CLÁSSICO
GARGANTA PROFUNDA
(1972),
de Jerry Gerard
"O sexo oral da Linda Lovelace é inconfundível,
não tem para ninguém."
(M. Max, diretor de filmes da produtora Brasileirinhas,
a principal do ramo pornô no país)
Ponto alto: as cenas de felação a que a
personagem interpretada por Linda Lovelace
se dedica depois que descobre que tem o
clitóris na... garganta!
Alerta vermelho!: o figurino e os cortes de
cabelo dos anos 70 não são nada excitantes.
Importância: lançou a moda pornô-chique,
que levou a classe média americana aos cinemas
para ver um gênero antes marginalizado.
Também foi um dos primeiros pornôs assumidos
a ter enredo, algum humor e uma infraestrutura
razoável. Estima-se que tenha obtido
um lucro de US$ 600 milhões, o que o torna
um dos filmes (de qualquer gênero) mais rentáveis
da história. Seu impacto foi tanto que o
informante secreto do escândalo Watergate
(que acabou derrubando o presidente Richard
Nixon em 1974) foi apelidado de Garganta
Profunda - ou Deep Throat, no original.
Ideal para: dar boas risadas, pelo menos -
mas, se sua gata topar assistir, pode inspirar
uma brincadeira ótima depois.
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SEXO POP
9 CANÇÕES (2004),
de Michael Winterbottom
"Foi o primeiro filme com cenas explícitas
a passar no grande circuito
inglês. Trata o sexo como coisa que
gera suor, fluidos... e prazer."
(Marçal Aquino, roteirista)
Ponto alto: o casalzinho que se conhece
num show não perde tempo nem muitas
palavras para transar sem parar. E ir a mais
shows de bandas legais. Ou seja, um filme
repleto de sexo e música boa.
Alerta vermelho!: tem cena de ejaculação
sem disfarces.
Importância: chamado de "o filme convencional
mais explícito já feito" pelo jornal inglês
The Guardian, conseguiu escapar da
classificação de pornô em países com censura
mais rígida. Suas cenas são cruas e diretas,
com penetração, sexo oral, masturbação
com vibrador e ejaculação. É basicamente
um filme de jovens com muita música
pop (há cenas de shows das bandas Primal
Scream, Franz Ferdinand, Black Rebel
Motorcycle Club e Dandy Warhols), com a
diferença de que a ação entre o par romântico
não fica só nos beijinhos e amassos.
Ideal para: ouvir a trilha sonora e imitar
as cenas com a gata.
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CINEMA-ARTE OCIDENTAL
SALÒ - OS 120 DIAS DE SODOMA (1975),
de Pier Paolo Pasolini
"Um autêntico 'vestibular' de tolerância
com cenas extremas que podem
tanger tanto o sublime quanto
o asqueroso. Único filme 'sério' que
eu incluiria numa seleção de clássicos
da pornografia."
(Carlos Reichenbach, diretor)
Ponto alto: a maioria das cenas tem mulheres
peladas e várias formas de sexo. Tudo isso
a serviço de uma crítica política do diretor.
Alerta vermelho!: aparecem vários
homens pelados, e várias cenas têm uma
brutalidade de embrulhar o estômago.
Importância: cineasta cultuado e politizado,
Pasolini imaginou o clássico livro do
Marquês de Sade acontecendo na Itália sob
a ditadura fascista de Mussolini durante a
Segunda Guerra Mundial. Pessoas poderosas
sequestram nove garotos e nove moças
para submetê-los a 120 dias de tortura, humilhação
e sacanagem. Quando foi lançado,
cenas mais brutais causaram desmaios e
vômitos. Três meses depois da estreia,
Pasolini foi misteriosamente assassinado.
Ideal para: dizer que assistiu numa roda
de papo-cabeça.
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CINEMA-ARTE
ORIENTAL
O IMPÉRIO DOS SENTIDOS
(1976),
de Nagisa Oshima
"Um dos primeiros filmes de sexo
explícito a ser exibidos no Brasil, ficou
coisa de um ano em cartaz. Permite
não só sentir o tesão que existia
entre os dois protagonistas, como
se contagiar pela paixão que
eles viveram."
(José Mojica Marins, o Zé do Caixão)
Ponto alto: os experimentos sexuais
apaixonados de uma camareira de Tóquio
com seu chefe.
Alerta vermelho!: o pênis do protagonista
é mutilado numa cena que acabou mais
famosa que o próprio filme.
Importância: a história de uma relação sensual
carregada de mórbida obsessão se baseou
no caso da japonesa Sada Abe, famosa
por matar o amante e depois carregar seu pênis
e testículos numa bolsa por muito tempo.
Para montar o filme do jeito que pretendia, o
diretor Oshima teve de ir para a França para
driblar a rígida censura do Japão dos anos 70.
Lotou cinemas no Ocidente, mas só foi exibido
na íntegra nos cinemas japoneses em 2001.
Ideal para: ver com sua gata e dizer que
assistiu numa roda de papo-cabeça.
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