
Beleza brasileira
A atriz Ildi Silva é mesmo cosmopolita. A influência genética de diferentes raças a transformou numa mulher perfeita, como você pode comprovar neste ensaio. Além disso, Ildi costuma dizer que é bapaioca, uma junção de baiana, paulista e carioca: nasceu e morou até os 16 anos em Salvador, e nos últimos dez anos se dividiu entre São Paulo e Rio de Janeiro. Ela adora as três cidades.
Anote aí a receita: misture código genético na
proporção 75% europeu, 19% negro e 6% ameríndio.
Acrescente um pouco de energia baiana diluída com
agito paulista e tempere com astral carioca a gosto. Leve às passarelas e deixe desfilar por uns quatro
anos. Depois mergulhe em cursos de teatro
nacionais e internacionais e ponha à prova em
telenovelas das três maiores emissoras do país.
Espere completar 27 anos (neste 8 de outubro) e
pronto: você criou uma Ildi Silva, essa morena de
olhos verdes cuja beleza e talento são impossíveis
de reproduzir numa receita que não seja exatamente
esta. A proporção genética não é chute: foi aferida
por um teste de DNA encomendado pela BBC de
Londres. Seus traços desconsertantes lhe renderam
uma música de Caetano Veloso (Musa Híbrida, do
álbum Cê, de 2006), cantor com quem ela teve um
affair, sobre o qual não gosta de comentar. Hoje, na
pele da secretária Dinorá Melo, Ildi diverte o público
na cômica novela Bela, a Feia, da TV Record.
POR RENATO KRAUSZ
Como foi o teste de DNA
que a BBC fez com você?
Estavam fazendo uma pesquisa
no Brasil sobre mistura de raças e
detectaram a proporção de europeu,
negro e ameríndio no meu
sangue. Minha avó paterna é
negra. Meu avô era branco, com
olho claro. A família da minha
mãe descende de holandeses,
mas tem misturas também.
E onde o índio entrou nessa
história. De gaiato?
Uma das duas famílias deve ter
antepassados ameríndios. Ou as
duas. É uma mistura muito boa.
Dá para separar algumas
partes? Por exemplo: o
olho vem dos holandeses...
Poxa, brasileira, baiana... O quadril
não tem jeito. É mais avantajado,
uma infl uência dos negros.
O formato do meu rosto é igual
ao do meu pai, mas os traços são
os da minha mãe. Fico pensando
como serãos meus filhos...
Você trabalhou nas três
maiores emissoras do
país. Como as compara?
No SBT fiz uma novela de época,
coisa que eu nunca tinha feito.
Me senti muito privilegiada.
A Globo foi onde eu trabalhei
mais, lá é maravilhoso. Na Record
estou no meu primeiro trabalho.
Estou adorando. Eles estão
com uma ótima estrutura de
dramaturgia. Tudo é muito bem
tratado, a direção, a luz, tudo.
Você acha que o bom humor
é o motivo principal
do sucesso de Bela, a Feia?
Eu acho. A novela tem um lado
cômico que eu gosto muito. A
Dinorá, minha personagem, tem um sarcasmo bem engraçado.
Ela é uma secretária
bajuladora ou alpinista?
Acho que as duas coisas, e eu ainda
colocaria mais uma: ela é uma
aprendiz de vilã. Quando ela tiver
oportunidade de fazer algo para se
dar bem, vai fazer, seja coisa boa ou
má. Ela também maltrata a Bela.
Você maltratava as meninas
feias na escola?
Não, isso nunca. Aliás, pelo contrário.
Às vezes eu chegava com
o cabelo bagunçado, sem as
tranças, com o braço roxo. Havia
umas meninas que queriam me
bater, só porque eu era bonita
Hoje, no Rio, do que você sente falta de São Paulo?
Quando eu vim para o Rio, há
cinco anos, eu sentia muita falta
de São Paulo. De andar na Oscar
Freire, de usar roupas de frio, de
ir a restaurantes a qualquer hora
do dia ou da noite. Mas fui me
acostumando com o Rio, até
porque tem o mar, como na
Bahia, e hoje amo morar aqui. Eu
falo que eu sou bapaioca, mistura
de baiana, paulista e carioca.
E de Salvador, do que você mais sente falta?
Da energia que tem lá. É diferente
de qualquer outro lugar. Já
viajei muito, mas, quando chego
a Salvador, eu não sei explicar, não sei se é espiritual ou o quê,
mas existe uma coisa que me
conecta, que me dá força.
Quais restaurantes você prefere nessas cidades?
Em Salvador, o Soho, na Marina,
onde a gente come na varanda,
olhando o mar. No Rio, gosto
muito do Market, em Ipanema,
com comidas orgânicas deliciosas.
Em São Paulo, adoro o Spot.
Em São Paulo, você cursou
teatro no Wolf Maya, né?
O
que você aprendeu lá?
Foi muito importante, não tanto
na parte prática, mas na teórica.
Conheci muitos dramaturgos, li
muitas peças. Na parte prática, o
curso me preparou para a TV.
Eles têm um cenário lá que reproduz
uma rotina de emissora.
O cinema está entre os
seus planos?
Sim! A preparação para um filme
é bem diferente da TV, onde tudo
é mais imediato. Ano passado
fui a Los Angeles fazer o curso de
interpretação do Aaron Speiser,
coach do Will Smith e da Jennifer
Aniston. Era para ficar um
mês, mas fiquei seis. Foi incrível.
E não pintou uma chance
de fazer filme por lá?
Fiz ótimos contatos com pessoas
do cinema de lá. Mas tive de
retornar por causa do meu visto
e também pelo convite para
trabalhar na Record. Mas minha
vontade é voltar para os EUA
assim que puder.
Você casou com 19 anos,
né? Após se separar, que
lição tirou da vida a dois?
Fui morar junto quando tinha 20.
Vivemos muitas coisas juntos.
Para um relacionamento dar certo
é preciso aprender a fazer concessões
e a querer estar junto.
Você se diz romântica.
Qual a maior loucura já fez
para surpreender um cara?
Estar muito longe, em outro estado
trabalhando, e voltar só
para almoçar com a pessoa.
Há três anos só se falava
no seu affair com Caetano
Veloso. É difícil para dois
famosos
iniciarem um
relacionamento em paz?
Todo mundo tem uma vida particular.
Mas nós estamos muito
expostos, dentro da casa dos outros,
nas novelas, nas revistas.
Então, é comum quererem saber
da nossa vida. Minha saída é ser
uma pessoa muito reservada.
Por isso você até hoje não
fala sobre o Caetano?
Nunca falei. Não faz diferença,
eu acho. O que eu digo é que somos
muito amigos, temos muito
carinho um pelo outro.
Que trecho você mais gosta
de Musa Híbrida, a música
que ele fez para você?
Gosto da música como um todo.
Acho linda. Você tem planos de
ser mãe?
Tenho. Sou muito família, acho
muito legal ter uma família. As
pessoas na minha área acabam
dando um peso maior para a
profissão. Mas não há coisa melhor
que ter uma família, marido,
filhos, acho que isso só ajuda,
não atrapalha. Em Los Angeles,
eu via muitos atores novos, talentosos,
bem-sucedidos, todos
com família. Eu quero isso para
mim. Não é para já, mas não vou
perder de vista nem deixar passar
quando for a hora.
Você está namorando?
Estou.
Pode falar quem?
Um empresário mineiro, Régis
Campos. Estou muito feliz.
Então você corre o risco
de virar bapaiocaeira?
Ai, ai, é verdade.
> Confira o ensaio |
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