Um usa seu bastão de beisebol para acertar a cabeça dos alemães; o outro marca à faca a testa de inimigos, cravando-lhes uma suástica para que sejam reconhecidos mesmo sem uniforme; todos tiram o escalpo de suas vítimas. Eles são frios, sedentos por sangue e, acredite, são os mocinhos da nova obra do rei do cinema pop, Quentin Tarantino.

O filme narra uma história ficcional situada entre 1941 e 1944, na França ocupada pelos alemães, envolvendo as tentativas de duas forças de assassinar nazistas. De um lado, estão os “Bastardos”, combatentes judeus que querem vingança contra os soldados do ditador nazista. Comandados pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt) e vestidos como civis, os rebeldes devem matar o máximo de alemães que conseguirem, tirando-lhes o couro cabeludo depois do assassinato como troféu, e permitir que apenas um dos soldados sobreviva a cada ataque, a fim de espalhar a notícia da ação dos Bastardos.

A outra força é representada pela bela Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), única sobrevivente de um massacre comandado pelo coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz) contra sua família. Anos mais tarde, agora morando em Paris e com o nome de Emmanuelle Mimieux, Shosanna mantém um cinema que acaba escolhido para apresentar um filme da propaganda nazista e que portanto receberá todos os homens importantes de Hitler, sendo assim o lugar perfeito para pôr em prática seus planos de vingança.

Mais do que um filme de matança – o que já seria bastante empolgante –, Bastardos Inglórios é uma fábula moderna. Começa com uma inscrição na tela: “Era uma vez numa França ocupada pelos nazistas” e termina com uma moral: o cinema em si pode lutar contra os poderosos. Nessa obra de Tarantino, isso acontece de maneira literal em dois momentos: quando Shosanna decide queimar seu cinema com o topo da pirâmide nazista lá dentro e quando os Bastardos coagem uma atriz para ser agente dupla e, assim, conseguem se aproximar da cúpula nazista para matar mais alguns deles.

A ideia de retaliação dos judeus às investidas alemãs não é de todo original. Também não é nova a temática de vingança em um filme de Tarantino. A reinvenção, porém, é trazer essa vingança em um filme de guerra com toques de spaghetti western – ou bangue-bangue à italiana. O conceito levou anos para ganhar corpo – mais de uma década, segundo o produtor Lawrence Bender. O roteiro de Bastardos Inglórios vinha sendo arquitetado desde bem antes de Kill Bill. Tarantino começou a escrever a história nos anos 90. Todo esse tempo valeu a pena, pelo menos financeiramente: nos 12 primeiros dias de exibição, Bastardos Inglórios arrecadou US$ 73 milhões apenas nos Estados Unidos, ultrapassando seu orçamento de US$ 70 milhões.

O filme fechou agosto com mais de US$ 115 milhões arrecadados em todo o mundo e deve angariar mais ainda nos próximos meses. Assim, Tarantino faz o que Hitler felizmente não conseguiu: conquistar o planeta.

A 2ª GUERRA MUNDIAL NO CINEMA
MESMO SEM VÍNCULO COM A PRECISÃO HISTÓRICA, OBRAS DE FICÇÃO REMONTAM ALGUNS DOS EPISÓDIOS MAIS IMPORTANTES DO PERÍODO

Batalha de Pearl Harbor, dezembro de 1941
Pearl Harbor


Batalha de Guadalcanal, agosto de 1942
Além da Linha Vermelha


Batalha de Stalingrado, setembro de 1942
Círculo de Fogo


Suicídio de Hitler, abril de 1945
A Queda


Batalha de Iwo Jima, fevereiro de 1945
Cartas de Iwo Jima


Batalha das Ardenas, dezembro de 1944
Batalha das Ardenas


Batalha da Normandia, junho de 1944
O Resgate do Soldado Ryan

CARAS DURÕES
GRANDES FRASES DE PERSONAGENS QUE NÃO COSTUMAVAM DAR O BRAÇO A TORCER
“Adoro o cheiro de napalm pela manhã. Sabe, uma tarde bombardeamos uma colina por 12 horas. Quando tudo acabou, eu subi a colina. Não encontramos nenhum deles, nem sequer um corpo malcheiroso. O cheiro, você sabe, aquele cheiro de gasolina… toda a colina cheirava a vitória.”

Robert Duvall como tenente-coronel Bill Kilgore, expressando encantamento pelo gel incendiário composto de líquidos infl amáveis à base de gasolina gelifi cada. Apocalipse Now, 1979


“Agora eu quero que vocês se lembrem que nenhum bastardo nunca venceu uma guerra ao morrer por seu país, mas sim ao fazer com que outro bastardo idiota morra pelo país dele.”

George C. Scott como o general George Patton, em discurso às tropas amedrontadas antes de enviar-lhes ao combate no Vietnã. Patton, 1970
“Guerra é muito importante para ser deixada nas mãos dos políticos. Eles não têm nem o tempo, nem o treinamento, nem a inclinação para pensamentos estratégicos.”

Sterling Hayden como o general Jack D. Ripper, que inicia um plano para atacar a União Soviética na Guerra Fria. Dr. Fantástico, 1964

“Nós não estamos aqui para fazer o que é decente, mas para seguir as p*rras das ordens.”

Tom Hanks como capitão Miller, explicando por que ele não tem tempo de levar um garoto perdido à próxima cidade para reencontrar sua família. O Resgate do Soldado Ryan, 1998