“Estão fazendo um
filme sobre mim”
Sexo hoje só se for por
amor ou por vontade
POR RAQUEL PACHECO, A BRUNA SURFISTINHA
Não acho que minha vida seja
assim tão extraordinária. Mas
ela já produziu um blog com
20 mil acessos diários, três livros
que venderam mais de 250 mil
cópias e vai virar uma peça de teatro
e um filme em 2010, com Deborah
Secco me interpretando. Talvez eu não
ache nada demais na minha vida porque
é minha. Para você, ela pode ser
surpreendente. Meu nome é Raquel
Pacheco. Mas, durante três anos, fui a
prostituta Bruna Surfistinha.
Virei prostituta porque quis. Cresci
numa família de classe média paulistana.
Estudei nos melhores colégios,
era patricinha, ganhava mesada bacana.
Mas não era feliz com essa perfeição.
Tive depressão, queria ter minha
independência. Comecei a fumar maconha
e roubei as joias da minha mãe
para comprar droga. Meu pai me espancou,
prestou queixa e quase fui
parar na Febem. Foi quando coloquei
na cabeça que tinha de sair de casa.
Mas para fazer o quê?
Sempre gostei de sexo. Até quando
era virgem imaginava fazer loucuras
na cama. Na infância, tocava no pinto
dos meninos. Aos 14, os masturbava.
Aos 15, tive a primeira experiência bissexual
com uma amiga no chuveiro.
Aos 16, perdi minha virgindade anal.
Assim que fiz 17 anos, comecei a namorar
um menino e decidi que era o
momento de ter minha relação vaginal.
Doeu e fiquei com trauma.
Sempre tive autoestima baixa e
pouca experiência sexual. Mesmo assim,
achava que me prostituir era a
única opção para manter o padrão de
vida sem meus pais. Em outubro de
2002 fugi de casa e fui a uma casa de
prostituição. No total, foram três anos
fazendo programas, fase da qual não
me arrependo. Conquistei a independência
financeira, aprendi a fazer sexo
de todas as maneiras, tive muitos
orgasmos verdadeiros e fingi tantos
outros. No fim de 2003, criei um blog
para desabafar. Mas em poucos meses
ele virou uma ótima ferramenta de
trabalho. Comecei a descrever meus
programas e dar notas aos clientes.
Como homem gosta de saber como é
na cama, muitos me procuravam só para ler depois se eram bons.
O sucesso do blog chamou a atenção
dos jornalistas. Dei várias entrevistas
para jornais, revistas, TVs e rádios e
escrevi meu primeiro livro, O Doce
Veneno do Escorpião. Era 2005.
No mesmo ano, cansei de fazer sexo
por dinheiro. Em 26 de outubro, dois
dias antes de fazer 20 anos, parei de
me prostituir. Hoje, sou empresária e
dou palestras sobre minha vida. Ano
que vem, verei a estreia da peça baseada
em meu livro, com Thalita Lippi no
meu papel. Já o filme que estão fazendo
sobre minha vida, além da Deborah
Secco, tem no elenco globais como
Cássio Gabus Mendes
e Drica Moraes. As filmagens começaram
em outubro e eu estou
acompanhando sempre que consigo.
Ele deve estrear em junho.
Com tanta exposição, talvez você
pense que não há nada que eu nunca
tenha revelado, mas há: meu último
programa. O cliente foi um cara com
quem eu já havia saído, rolava química.
Anunciei no blog que queria parar
e ele me ligou dizendo que queria ser
o último. Ele gozou duas vezes, mas
acho que não proporcionei o prazer
que merecia porque estava muito ansiosa
e não parava de olhar o relógio.
Agora quero ser mãe – sem esconder
de meus filhos o meu passado – e
fazer faculdade de psicologia. Desta
vez quero cuidar de outra cabeça dos
homens. A de cima. |