
GRAZI É MASSA! E É FERA!
De manicure e babá do interior do
Paraná para o posto de atriz da
Globo e mulher mais sexy do
mundo da VIP. Tudo isso em
cinco anos. A vida de Grazielli
Massafera dava uma novela,
dessas com um tanto de choro
e bastante risada. Linda, cativante
e espontânea, Grazi tem orgulho
de sua origem, mas dedica-se para
provar que merece tudo o que tem
hoje. “Se a moda é ser você mesma,
então eu estou na moda”, diz.
POR Cláudia de Castro Lima
Se você visse na TV a história de uma filha de boias-frias
que de manicure virou protagonista de novela, conquistou
um dos galãs mais cobiçados do país e acabou eleita a
mulher mais sexy do mundo, talvez pensasse: “Esses
autores... Isso só acontece na ficção”. A história de Grazielli
Massafera, 27 anos, natural de Jacarezinho, no Paraná, é
mesmo um enredo. “Minha vida daria uma novela que teria
drama, comédia, um pouco de tudo, porque assim que é
bom”, diz ela. Grazi viu os dias de miséria acabarem depois
de ter sido Miss Paraná, ficado em terceiro lugar no Miss
Brasil e entrado para o BBB5. Aí ela foi aproveitando a maré
de boa sorte – e, claro, se dedicando muito – e acabou nas
novelas da maior emissora do país – em janeiro ela viverá
sua primeira vilã. No ano em que o Brasil voltou a ser
assunto internacional, Grazi personifi ca o que temos
de melhor: humildade, simpatia, autenticidade, alegria,
superação – e beleza e sensualidade. É como dizem:
o melhor do Brasil é a brasileira.
Este é o ano do Brasil: o presidente
é superpopular no planeta, a
Olimpíada vem para cá, sem falar
na Copa... A eleita das 100+é bonita, sensual e tem a galhardia
típica brasileira. Você se vê assim?
Minha vida mostra que existe a possibilidade
de que as coisas podem
mudar, acontecer, melhorar. A rotina
da maioria das pessoas não é fácil,
sei disso. Então a gente tem que
sempre estar se motivando para ter
esperança. Eu sinto uma identificação
das pessoas comigo.
É fácil se deslumbrar nesse seu
novo mundo?
Sim, é bem fácil. Esse meio é complicado
no sentido de que hoje estamos
aqui e daqui a pouco tudo acaba.
É perigoso, tudo pode acontecer.
Por isso mantenho os pés no chão.
Você já parou para pensar que
em cinco anos saiu do interior,
está na Globo e é a mulher mais
sexy do mundo?
Acabei de pensar e deu um frio
na barriga! Quando isso acontece,
tento levar uma vida normal.
Como?
Indo ao mercado, ao shopping,
andando a pé na rua, limpando
o cocô dos meus cachorros...
Sobre a eleição da VIP, como você reagiu ao saber do resultado?
Nunca imaginei isso, nunca.
Se alguém me dissesse há cinco anos
que eu iria fazer novela da Globo,
eu daria risada. E foi quase isso o
que aconteceu agora. É maravilhoso
para a autoestima, mas não me considero
a mais sexy do mundo, não.
Por que você acha que foi eleita?
Juro que não sei. Aliás, vocês podiam
criar uma enquete para os leitores
responderem e eu descobrir.
Ah, mas quanta modéstia...
Não é modéstia, é sinceridade, é diferente!
Para mim, sensualidade tem a
ver com coisas como, além da beleza,
caráter, história de vida. Vai ver os leitores
de VIP viram isso em mim.
Tem alguma lembrança da época
do interior que dê saudade?
Várias, várias. Tenho saudade de comer curau, pamonha e milho verde
na casa da minha avó.
E do que não tem saudade?
Da dificuldade. De olhar para a cara da
minha mãe e ela, tensa, pensando se
ia dar. Final de mês era difícil.
Você sempre foi bonita?
Chamava atenção quando era bebê e
criancinha. Na adolescência, não. Tive
até que parar com os concursos [de
beleza, que ela participou na infância].
Era um monstrinho, não tinha peito,
não tinha corpo, não tinha nada.
Mas aí você voltou a ficar bonita...
Depois veio minha fase over, em que
usava roupa dos meus amigos travestis.
Pintava o cabelo, minha referência
de beleza eram eles. Eu era quase uma
Priscila, a Rainha do Deserto. Já desfilei
com vestido de 15 kg deles. Para mim,
era a coisa mais linda.
Você era namoradeira?
Não, sempre fui mais romanticazinha.
Me apaixonava e ficava suspirando
pelos cantos... Nunca tomei iniciativa,
ficava esperando. Por isso que muitas
vezes não acontecia nem um beijo.
Depois, na adolescência, quando passava
a paixonite, eu fui contando para
eles: “Viu, eu era apaixonada por você”.
E o cara deve se odiar por não ter
sabido na época, né?
Não, eles nem ligavam.
Ah, se fosse hoje... Aliás, hoje dão
muito em cima de você?
Não, é muito tranquilo. Conquistei um
respeito interessante. De vez em quando
até ouço: “Minha mulher te mandou
um beijo”. Acho que as mulheres
são mais saidinhas nesse sentido.
Você e o Cauã [Reymond] viraram o
Brad Pitt e a Angelina Jolie daqui?
Sem a grana e aquele monte de
filhos deles, né? As pessoas dizem
isso e acho bonitinho.
Você se sente sempre poderosa?
Não, mas tenho meus momentos. E
são poucos. Na maioria dos dias eu
acordo e não me acho nada sensual.
Isso tem a ver com segurança. Sou
insegura, admito, mas minhas inseguranças
são controladas, elas me colocam
para cima. Quando estou bem,
deu tudo certo naquele dia, aí eu me
sinto mais sexy.
E você faz o quê? Se produz, coloca
uma lingerie linda?
Hoje acho que quanto menos, melhor.
Acho legal aquele dia em que você não
precisa de nada para se sentir sexy,
mas claro que uma lingerie e um belo
vestido ajudam muito. Já topou com
aquela pessoa que você fala: “Nossa
que mal-amada”? É esse tipo de gente
que me faz acreditar que a beleza é de
dentro. Tem gente que é linda por fora,
mas que falta algo.
E quem é a mulher mais sexy do
mundo para você?
A Angelina Jolie. Eu acho que ela
dorme sexy e acorda sexy.
Já foi cantada por mulher?
Já. Estava numa boate com uns amigos
meus, chegou uma moça e perguntou:
“Você é entendida?”. Eu
achei que ela tinha perguntado se eu
já tinha sido atendida. E disse: “Eu já
fui”. Depois minha amiga me explicou,
rindo, que entendida era gay.
Tem vergonha de falar de sexo?
O que faço no quarto com meu marido
é particular. Já tive receio em falar,
hoje em dia é proteção. A vida da
gente é tão vasculhada que esse é um
assunto nosso. Não é tabu, falo disso
com minhas amigas. Sexo é vida, não
tem como não falar. Gosto do assunto.
Como é uma noite especial?
É estar ao lado de quem eu amo,
comemorando alguma coisa, mesmo
que só um dia especial. E, quando a
gente está com a pessoa certa, qualquer
lugar é certo. Não importa onde.
Já gostou de homem feio?
Já, ô se já. Existe um padrão de beleza
que muitas vezes não concordo
Você evita polêmicas?
Não. Mas geralmente eu falo algo
nada polêmico, que eu achava normal,
e vira polêmica! É só eu falar que vira.
Acho que é falta de notícia.
Ainda sente a inveja ou o preconceito
das outras atrizes?
Não mais. Se existe hoje, está mais
velado. Acho que estou conquistando
um certo respeito pelo esforço. E ainda
tenho muito o que conquistar. Cada
vez sinto mais vontade de estudar, de
aprender. Já que é essa minha profissão,
vou me dedicar, fazer por merecer.
Você já acha que é uma boa atriz?
Não. Ainda sou nova na profissão.
Estou na minha quarta novela. Acho
que não vou achar que está bom
nem na vigésima. Nunca acho que
está bom. Acho sempre que dá para
fazer mais e melhor.
Ainda rói unha?
[mostrando as unhas pretas e longas,
orgulhosa] Em nome da personagem
[Deodora, sua vilã da próxima novela
das 7], elas cresceram e estão negras!
E quando está ansiosa faz o quê?
Masco chiclete.
Verdade que você dá palpite nos
produtos que anuncia?
Olha, fui há não muito tempo o
público deles, minha mãe e meu pai
ainda são. Não quero que isso se
apague. Então, quando empresto
meu nome para alguma marca, meu
lado vendedora volta à tona. Sei que
tenho coisas a acrescentar e acho
que é enriquecedor poder emprestar
não só meu rosto mas também
meus conhecimentos numa
campanha publicitária.
O que um homem deve fazer para
ter uma Grazi ao lado?
O homem tem que ser companheiro,
ocupar o lugar dele, ser cavalheiro.
Vai lá e abre a porta de um carro,
a mulher se derrete. Não precisa
ser todo dia, mas de vez em quando.
Dê flores no aniversário. Preste
atenção na mulher. Para mulher,
tem besteira que faz a diferença.
Se observar, você mata a charada.
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