Tec-tec. Dona Maria Teresa apara as unhas vermelhas com um cortador barulhento sem se preocupar com as outras 126 pessoas presentes no centro de convenções. Tec-tec. Uma senhorinha de cabelo roxo lê o folder e solta um “Caramba! Tudo isso?” diante da estatística: no Brasil, três em cada dez relatos de discos voadores ocorrem em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo. Tec-tec. Alguém derruba com estrondo uma placa onde se lê UFOTURISMO, em caixa alta mesmo, tirando dona Maria Teresa de sua profilaxia e a velhinha de cabelo arroxeado de sua estupefação. Assim, com o estardalhaço de uma placa que cai, começa o 6º Encontro Ufológico de Peruíbe, “um evento de outro mundo”, segundo a faixa presa no teto. Ufólogos têm humor.

USE CHAPÉU DE METAL “PARA EVITAR
QUE OS ETs LEIAM A MENTE”

Tão logo cessa a música Materia Primoris, aquela da série Arquivo X, o biólogo Paulo Aníbal Mesquita assume o microfone. Ele é o autor do roteiro de turismo ufológico de Peruíbe, o primeiro do gênero no país. A cidade contabiliza mais de 300 casos nos últimos dez anos. “Quantos de vocês da plateia já viram um OVNI?”, pergunta Paulo. Quase 40 pessoas levantam a mão. A maioria dos relatos são contatos imediatos de zero grau, ou seja, quando objetos são avistados sem detalhe algum. Apesar da falta de consistência em grande parte das visões, a cada ano aumenta o número de testemunhas oculares da presença extraterrena, o que instiga Paulo a especular sobre os motivos que levam a cidade a ser procurada por seres do espaço: o extenso banco genético do local, com espécies únicas em todo o mundo, como a jararaca-ilhoa; a grande concentração de minérios no subsolo, especialmente urânio e derivados do titânio; e a localização de Peruíbe, na extremidade da anomalia geomagnética do Atlântico Sul, que causa um desvio no campo magnético e que Paulo acredita ser um vórtice de energia. Peruíbe é uma ilha de Lost para os ETs.

Os sete pontos do roteiro foram escolhidos devido ao número de ocorrências e suposta veracidade dos relatos: um taboal seco no bairro São José que serviu de ninho (termo para pouso de naves) em maio de 2008; a Praia de Peruíbe e Costão, de onde se avistou um OVNI em janeiro de 2009; as Ruínas do Abarebebê, palco de um avistamento em 1997; a região de Guaraú, conhecida pelas bolas de fogos que vão de morro a morro; Perequê, local em que Ernandes Costa levitou depois de observar uma forte luz a 50 metros de sua cabeça; Barra do Una, onde já foram vistos seres que saíam de uma bola de luz branca; e Pedra da Serpente, uma parede rochosa que esboça o que se acredita ser um portal.

“Antigamente, havia um cipó grosso preso à parede, o que deu esse contorno de porta”, afirma Eduardo Monteiro Ribas. “Isso de portal é folclore. Mas, se um turista me perguntar, eu digo que é verdade.” Ex-vereador por dois mandatos e atual diretor de divisão na prefeitura, Eduardo colaborou na concepção do roteiro e tem a única agência de turismo que opera os passeios de ufoturismo, ao custo de R$ 200 por grupo.

A verdade está lá fora, no deck

Saímos para uma vigília em um dos pontos do roteiro, Guaraú. Do deck de uma pousada, desde as 21h05, com um céu limpo sobre nossas cabeças, foram observados alguns pontos luminosos em movimento, de diversos tamanhos e de intensidades variadas. Uma olhada mais minuciosa revelou que se tratava de estrelas cadentes, apenas. Fora isso, nada de anormal. Ainda assim, o estudante de direito Rodrigo de Souza Rodrigues, de 21 anos, usou um chapéu de papel laminado em formato de funil invertido. ” É para evitar que eles – os extraterrestres – leiam minha mente.”

Apenas com um boné camuflado, o professor Alexandre Ficheli não está tão preocupado com a leitura de seus pensamentos, mas sim com a captação de OVNIs. Por isso, lança mão de aparatos encontrados apenas no campo de batalha, como uma câmera especial com visão noturna e uma ponteira laser com alcance de 5 quilômetros. “Esqueci de trazer o monocular russo”, lamenta o professor, detentor do aparelho que julga ser dos espiões da KGB e que conseguiu adquirir pela “pechincha” de R$ 800.

A agente de turismo Cristiane Aires é outra que passa noites em busca de OVNIs. Sua procura tem fundamento: em agosto de 2008, ela viu uma circunferência incomum no céu. “Era algo que fazia movimentos no contorno da Lua, mexendo-se rápido e, depois, sumindo”, diz.

Ela começa a bocejar, e não é a única. O pessoal desanima à medida que nenhum disco voador é avistado e nenhum contato é feito. “Se eles não querem falar comigo, eu também não quero mais falar com eles!”, enfurece-se dona Hitomi, uma senhorinha que já foi à Índia em busca de ETs. À 1h27, entramos no ônibus e percorremos de volta as curvas sinuosas do Guaraú. Vez ou outra alguém coloca a cabeça para fora da janela e olha o céu.

MORENA BACCARIN, NOSSA ALIENÍGENA FAVORITA
Imagine que OVNIs ocupam o céu das maiores capitais do mundo. Seria um susto imenso, logo seguido pelo temor diante do possível fim da humanidade. O medo, porém, seria esquecido quando surgisse da nave uma linda mulher, de rosto impecável. De seus lábios sairiam promessas de união entre homem e alienígena e de colaboração entre civilizações. Podemos acreditar neles?

Assim começa V, série que estreou em abril no canal pago Warner. Na pele de Anna, a líder dos extraterrestres, está a brasileira Morena Baccarin, que completou 31 anos no mês passado. Radicada nos Estados Unidos desde os 10 anos, a atriz passou por diversas produções sci-fi , como Firefly e Serenity, em que interpretou a deliciosa cortesã futurista Inara Serra. VIP falou com ela, em São Paulo.

Qual é a sua relação com alienígenas?
Eu acredito que tenha algo fora da Terra, mas não acho que seja um ser que chegue em uma espaçonave. Tem que ter alguma forma de vida lá fora.

Qual é a inspiração para criar um ET?
Eu não queria fazer a Anna como um robô, mas sim uma personagem mais humana. Pensei muito em políticos, em gente que sabe manipular as pessoas e que sempre fala o que você quer ouvir.

Quem escolheria para te abduzir?
(Risos) Hummm… Acho que Javier Bardem (ator felizardo que pegou Scarlett Johansson e Penélope Cruz em Vicky Cristina Barcelona).