EDIÇÃO - Julho 2008

AS GÊMEAS

SEREIAS COM MUITO SOTAQUE

Por KARLA MONTEIRO - Foto: LUIS CRISPINO

O sobrenome é Feres, herdado de um passado libanês. São diferentes. Bia fala sem parar, com sotaque deliciosamente afetadinho de garota carioca. Branca, 2 centímetros mais alta (1,66 m), é contida, apenas interfere quando a irmã diz alguma coisa errada. Mas, na piscina, fazem tudo igual e colecionam glórias, como o título de campeãs sul-americanas de nado sincronizado e a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do ano passado, no Rio. Esse resultado rendeu a elas patrocínio de um banco. "Antes, a gente não ganhava nada. Agora, fazemos publicidade", conta Bia. Aos 21 anos, as gêmeas já planejam aposentadoria das piscinas. Estudam teatro, fizeram figuração na novela Duas Caras e vão atuar em um filme. A única decepção recente: não ganhar a vaga para a Olimpíada de Pequim. Mas aqui na VIP estão sempre no alto do pódio. Juntas e lindas.

Como o nado sincronizado entrou na vida de vocês?
Bia - Somos do signo de peixes e já nascemos nadando. Essa história é engraçada.

Então conta.
Bia - Minha mãe é quem conta direito. No dia que a bolsa dela estourou, caiu um temporal maluco no Rio. Ficou tudo debaixo d'água. Morávamos no Alto da Boa Vista, numa casa de dois andares. Ela teve que sair pelo telhado, saltar para a laje da vizinha para conseguir chegar num ponto onde ainda circulava carro. Já tinham até chamado um helicóptero para fazer o resgate, mas não foi preciso.

Daí pra piscina foi um pulo.
Bia -
É. Com 3 anos, a gente já estava nadando no Tijuca Tênis Clube. Nossa mãe nos colocou lá porque éramos muito levadas, do tipo que escalava a estante da sala. Com 7 anos, completamos todos os níveis de natação e partimos para o aperfeiçoamento de estilo.
Branca - Eu já gostava do nado sincronizado e fiquei enchendo o saco da nossa mãe para nos matricular. Sempre imitava as meninas na piscina. 

E quando vocês começaram, de fato, a treinar?
Bia -
Com 10 anos. A técnica chegou e pediu dedicação integral. Nessa época, fazíamos balé, teatro, ginástica rítmica, além do nado sincronizado. Demos duro.

Hoje a rotina de treinos está mais tranqüila?
Bia -
Na época do Pan, ficávamos na piscina de 7 da manhã às 7 da noite, de segunda a sábado. Fizemos isso por dois anos. Só dava para almoçar e cochilar um pouco depois do almoço.
Branca - Coitados dos namorados. Mas agora está ótimo. Treinamos em média quatro horas por dia.

Vocês já se aproveitaram do fato de serem gêmeas? Ajudou na carreira?
Bia -
Ah, rolaram umas situações engraçadas. Teve uma competição que o juiz me mandou sair da piscina dizendo que eu já havia me apresentado.
Branca - Uma vez, estava passando na rua com o meu namorado e ouvi uma pessoa dizendo: "Piranha, já está com outro". 

Vocês são muito amigas?
Branca -
A gente se dá muito bem. Não precisamos de nada para nos divertir. Nos bastamos. Também sentimos as coisas uma da outra. Se acontece alguma coisa com a Bia, eu sinto imediatamente.
 
Quando não estão na piscina, o que fazem?
Bia -
Estamos estudando teatro na Estácio. E fomos convidadas para participar de um longa com direção do Ricardo Pinto e Silva e participação de Márcio Garcia, Maurício Mattar e Kayky Brito. 

Como rolou o convite?
Branca -
A gente estava em casa, quando o telefone tocou. A produtora tinha visto numa matéria que estávamos estudando teatro e nos convidou. Vai ser uma experiência muito bacana. Estamos ensaiando. 

Em que tipo de mulher vocês se encaixam?
Bia -
Olhando as fotos, as pessoas acham que somos mulherões. Mas na verdade somos molecas.

 VEJA AS FOTOS DAS GÊMEAS BIA E BRANCA


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