A era das camisetas sem patrocínio na NBA acabou

Em medida inédita entre as grandes ligas americanas, entidade começa projeto para que camisas dos times tenham patrocínios a partir da próxima temporada

Camisa do Boston Celtics com patrocínio da General Electric

Camisa do Boston Celtics com patrocínio da General Electric (reprodução/Divulgação)

Após o jogo 5 das finais da temporada em junho, o fã da NBA viu pela última vez duas coisas: um campeão tão dominante como o Golden State Warriors e camisetas regata de jogo sem patrocínios.

Ok, é bem possível que o time da Califórnia repita a grande campanha após manter a equipe campeã. Mas os uniformes limpos de marcas estão, sim, com seus dias contados.

Era abril de 2016 quando, silenciosamente, a cúpula que coordena a maior liga de basquete do mundo aprovou uma decisão sem precedentes na história dos principais esportes coletivos americanos: a partir da temporada 2017-18, as franquias da NBA poderiam negociar espaços publicitários de 6,35 por 6,35 centímetros no lado esquerdo da regata, acabando assim com a noção americana de que uniformes de jogo devem ser imaculados, sem publicidade.

Será a primeira grande liga americana (a de soccer não conta) a adotar esse tipo de publicidade. A NBA já vinha flertando com a ideia desde o Jogo das Estrelas de 2016, no qual o logotipo da montadora KIA estampou as camisetas dos melhores jogadores.

Logo após o anúncio do projeto, a empresa de venda de ingressos StubHub fechou o primeiro patrocínio de camisa da NBA com o Philadelphia 76ers. Depois foi a vez do Boston Celtics com a General Electric, seguido por mais outros quatro times.

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(Divulgação/Divulgação)

O problema é que, faltando apenas quatro meses para o retorno da temporada, esse número estagnou, com equipes dos maiores mercados dos Estados Unidos (Nova York, Los Angeles e Chicago) ainda sem patrocinador.

Voo teste

A adoção dos espaços publicitários em regatas de jogo faz parte de um projeto piloto de três anos da NBA. Adam Silver, comissário da liga, estima que a nova fonte de verbas irá gerar 100 milhões de dólares anuais de renda adicional para os 30 times da liga.

O lucro dos patrocínios será dividido pela metade: uma parte fica com o time e a outra é incorporada ao rendimento geral da liga, que é dividido de maneira igualitária entre as franquias.

Camisa do Sacramento Kings com patrocínio da Blue Diamond

Camisa do Sacramento Kings com patrocínio da Blue Diamond (reprodução/Divulgação)

“É uma decisão de vanguarda, então as empresas irão testar a NBA num primeiro momento”, afirma Erich Beting, especialista em marketing esportivo. Os testes, porém, parecem andar a passos lentos. Atual campeão, o Warriors estaria pedindo 65 milhões de dólares por três anos para estampar um patrocínio em suas camisetas.

No entanto, a realidade é mais modesta. O maior contrato firmado até agora foi o do Cleveland Cavaliers com a Goodyear, cujos valores específicos não foram divulgados, mas são estimados em 10 milhões de dólares.

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(Cavaliers/Divulgação)

É pouquíssimo perto do que clubes europeus de futebol faturam com anunciantes. Campeão nesse quesito, o Real Madrid recebe 192 milhões de dólares anuais da Emirates Airways. Mesmo no Brasil, o Palmeiras ganha R$ 72 milhões (o equivalente a US$ 22,8 milhões) da Crefisa, sua patrocinadora master.

Há outros motivos para desconfiança. Atualmente, até mesmo atletas medianos da NBA têm contratos pessoais com empresas que vão desde redes de supermercado até revendedoras de carros da cidade em que vivem e jogam.

Ao fechar um patrocínio com um time, a empresa deve agradar não apenas à franquia, mas aos jogadores. Um atleta patrocinado por uma operadora de celular não pode vestir uma camisa com o logotipo do concorrente.

Também há as limitações impostas pela própria NBA. Empresas de bebida, apostas e mídia estão vetadas, o que diminui o leque de ofertas.

E o público americano sempre temeu pela transformação das camisetas em macacões dos pilotos da Nascar, abarrotados de logotipos de vários tamanhos.

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(Sean Gardner/Getty Images)

A fim de não fomentar polêmicas, a Nike (nova fornecedora da liga, outra novidade da próxima temporada) já adiantou que os uniformes vendidos para o público não terão patches de publicidade.

Isso parece uma desvantagem para os patrocinadores, mas poderia ser uma manobra inteligente. “O mercado americano é maduro, as marcas sabem que poderão ser ativadas de outra maneira. Colocar os patrocínios nos uniformes do público poderia ser um tiro no pé na hora de vender os materiais esportivos”, analisa Erich Beting.

Em entrevista à ESPN americana, Adam Silver declarou que o projeto de patrocínios visa a expansão global da liga, ampliando o alcance das marcas com outros mercados além do americano.

Saem as três listras, entra o “swoosh”

Camisas da NBA: Adidas e Nike

A camiseta dos Warriors na temporada passada (esq) e a nova, feita pela Nike (reprodução/Divulgação)

Outra novidade da NBA é a mudança de fornecedor esportivo oficial: sai a alemã Adidas, que fazia os uniformes da liga desde 2006, e entra a americana Nike, que fechou contrato de 1 bilhão de dólares para ser a marca do basquete até, pelo menos, a temporada 2025-26.

Entre as mudanças que deverão ocorrer, estão a abolição das amadas/odiadas camisetas de jogo com manga e a adoção do logotipo do fabricante na regata.

 

Os 5 melhores patrocínios da NBA

Contratos de três anos firmados até junho de 2017

Cleveland Cavaliers —US$ 10 milhões/ano (estimativa extraoficial) da Goodyear

Boston Celtics — US$ 8 milhões/ano da General Electric

Brooklyn Nets — US$ 8 milhões/ano da Infor

Philadelphia 76ers — US$ 5 milhões/ano da StubHub

Sacramento Kings — US$ 5 milhões/ano da Blue Diamond Almonds