Brasileiro de League of Legends: uma aula de evento esportivo

A final, que aconteceu no sábado (08) em Recife, foi sucesso de público e fruto de um bom tratamento aos fãs

O público no Classic Hall de Recife estava ensandecido – no melhor sentido da palavra – afinal era final do brasileiro de League of Legends, entre Red Canids e Keyd Star. O vencedor garantia passaporte automático para o mundial, que vai ser disputado no Rio de Janeiro em 2017.

Sim, mundial! No sábado (08) assistimos à final do famoso LoL, e se você pensa em parar de ler o texto achando que estamos falando de “videogame”, espere mais um pouco. Em 2017, um dos eventos esportivos mais bem organizados e bem feitos no Brasil pertence ao jogo da Riot Games, fenômeno de público e de audiência — cerca de dois milhões de pessoas na internet e TV, segundo dados da própria empresa. Além disso, o evento pode ensinar organizações de esportes mais clássicos que o bom tratamento do público e um ótimo produto são a chave para a massificação de uma modalidade. Vale ficar de olho!

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(Riot Games/Reprodução)

O LoL… e seu público fiel

Antes das partidas, uma simples menção a um grande jogador ou a algum herói favorito (personagem utilizado durante a partida, cada um com uma característica diferente) era recebida com gritos e uma salva ensurdecedora dos canudos de plástico distribuídos na entrada. Esses, aliás, quase um instrumento oficial do esporte. Cada fã portava seu par e usava a todo momento. Entre “canudadas” e muitos gritos, o ginásio criava um ambiente difícil de se encontrar em qualquer outro evento esportivo no Brasil. E não é para menos: experientes no mundo do LoL afirmaram ter visto no Recife uma das recepções mais calorosas de um evento de e-sports no Brasil. Nós não duvidamos…

As equipes de transmissão oficial do evento, assim como a narração da partida, simplesmente não eram escutadas, sendo relegadas as transmissões via streaming e televisão. Desde 2014 a Riot não organizava um evento no nordeste e, se essa final de CBLoL era um teste para mais eventos na região, deu certo.

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(Riot Games/Reprodução)

A reação dos fãs também é um bom exemplo de trabalho bem feito de fidelização da empresa, que entende não ter só um esporte na mão, mas sim um produto que vive a base de seus jogadores/fãs. Por isso, tudo lá é feito para parecer um espetáculo, a começar pela estrutura do evento. “Precisamos de local adequado do ponto de vista de luz, capacidade, segurança, acesso e ainda precisa estar disponível na data que precisamos, fatores difíceis de serem encontrados no Brasil” explica o gerente da Riot no país, Roberto Lervolino. A dificuldade e necessidade de pensar em cada detalhe se explica durante o evento: o palco conta com um jogo de luzes poderoso que, assim como a plateia, reage aos eventos mais importantes da partida. A queda de uma torre (fortificação de defesa) gera um clarão no ginásio. A contagem regressiva para o início do jogos faz a luzes piscarem no ritmo dos segundos. Uma vitória deixa o palco na cor do time vencedor. Todos esses elementos fazem com que o jogador entre ainda mais no clima de cada jogo. Uma experiência e tanto.

(Riot Games/Reprodução)

Na parte de fora, uma pequena exposição de itens em escala real do jogo entretinha quem esperava na fila do banheiro. E quem esperava o amigo na fila do banheiro, podia comprar itens licenciados do LoL ou das equipes que disputavam a final.

O telão também é parte importante do evento, antes e durante o jogo. Enquanto os proplayers se preparavam para entrar, o público se ajeita nas cadeiras e acompanha as atividades do telão que nunca ficava parado. As estatísticas geravam reações diversas e as animações descontraim ainda mais o ambiente. 

Os personagens 

A Riot parece ter compreendido que um esporte não existe por si só, mas também pelos seus personagens, e explorou isso durante a final — assim como fez durante a temporada. A finalíssima recebeu suas produções oficiais: vídeos mostravam a trajetória de jogadores mais icônicos. Felipe “Yoda”, por exemplo, da Red Canids, protagonizou uma das histórias mais interessantes. Banco durante todo o campeonato, era um jogador mais conhecido por seu extra campo e piadinhas. Entrou durante a semifinal para substituir um dos melhores jogadores e acabou desequilibrando a partida a favor de sua equipe. Sua irreverência também valeu para contagiar os fãs que diziam, atém preferir Yoda a Neymar. Do outro lado havia Murilo “Takeshi” Alves, um dos melhores e mais consistentes jogadores de LoL do Brasil, que amargava uma sina: nunca ter ganhado um CBLoL, mesmo tendo participado das últimas quatro finais. Infelizmente 2017 não foi seu ano novamente. 

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Felipe “Yoda” (Riot Games/Reprodução)

Depois foi a vez de descontrair com preparou vídeos estilo “roast” entre os membros das equipes. Uma pergunta maliciosa era respondida de maneira mal educada levando os fãs no ginásio às gargalhadas. A proposta dos vídeos era aproximar os jogadores da “humanidade” que tantas vezes falta no esporte do alto rendimento.

Nova filosofia no esporte

Muito do que se vê no CBLoL faz parte da própria filosofia da Riot. “O foco é no jogador sempre. Várias escolhas que fazemos levam em conta o que é melhor para o player. São decisões que podem até ser pior financeiramente, mas nós queremos que o jogador tenha uma experiência fantástica. Seja em um evento de e-sports ou construindo um site com 90 vídeos para ensinar o gamer a jogar LoL” explica Roberto. Algumas vantagens da empresa surgem através da relação tão próxima com a fanbase. Foi o caso do marketing do evento. “A gente abriu a venda de ingressos e só colocou no nosso facebook. Em questão de horas tínhamos todos os 2.900 ingressos esgotados” relata Roberto. Foi curioso fazer uma comparação de outro evento geek que vai acontecer na própria cidade: por toda os lados era possível ver incontáveis propagandas do Comic Con Experience que também acontece em Recife.

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(Riot Games/Reprodução)

O público

Cada pessoa que entrava na arena recebia um pequeno kit com produtos do jogo: pulseiras de plásticos, os famigerados canudos e até um cartão que vale uma roupa especial no jogo, tudo para que o evento seja lembrando dentro e fora do mundo virtual. Além disso, como em todo CBLoL, ingressos foram distribuídos para cosplayers. Um pequeno mimo para quem se dedica tanto ao jogo.

Ao final do dia, os fãs saíram satisfeitos do Classic Hall: a favorita do público Red Canids venceu  Keyd Star com um avassalador 3 a 0.  

Ruim mesmo foi para o fãs que ficaram das 18hrs até de madrugada esperando os jogadores da Canids passarem pelo lobby. Não sei se eles conseguiram o que queriam, mas prova que a LoL já conta com fãs dedicadíssimos, fruto de um trabalho bem feito em todas as pontas do processo.

A VIP foi ao campeonato a convite da Riot Games