E se os jogadores de futebol lançassem discos?

O artista inglês James Campbell Taylor desenhou capas de LPs para craques do futebol mundial. "Considerei a naturalidade de cada atleta e quais era as tendências gráficas no país naquele tempo", ele contou à VIP. Leia a entrevista completa:

Dizem que futebol e música sempre caminharam lado a lado, pelo menos aqui no Brasil, onde o samba e o drible são irmãos. Mas quem levou esse conceito a um outro nível foi o designer inglês James Campbell Taylor. Natural da terra onde nasceu o esporte – e, portanto, apaixonado por uma pelada –, ele criou capas de discos como se jogadores com status de lenda fossem, também, estrelas da música. Ronaldo, Pelé, Sócrates, Zidane, Maradona e dezenas de outros craques foram parar nas capas de LPs. Se não soubéssemos que se eternizaram com as bolas nos pés, certamente acreditaríamos no seu talento musical dada a fidelidade e o detalhismo do trabalho de Campbell em reproduzir as capas.

Campbell nasceu em Loughborough, onde desenvolveu uma paixão pelo Leicester City, que voltou recentemente à Premier League (a primeira divisão inglesa), e já viveu em Florença, onde passou domingos assistindo às partidas da Fiorentina. Atualmente em Nova York, o designer diz passar muito tempo em lojas de discos. Ele só uniu o útil ao agradável e resolveu criar um projeto que colocasse suas duas paixões em um só lugar.

“Eu nunca baixo músicas porque gosto do desenho da capa quase tanto quanto dos discos. Quero o produto completo, pegá-lo, lê-lo e ver a arte. Gosto de analisar o contexto histórico dos discos e ver o desenho pode variar de acordo com o estilo e a época”, explica o inglês em entrevista ao site da VIP. “Com isso em mente, tentei evocar a época de cada jogador, supondo que o disco seria lançado na época em que cada um fez sucesso. Também considerei a naturalidade de cada atleta e quais era as tendências gráficas no país naquele tempo”, diz.

Os álbums, explica Taylor, foram desenhados também com base na personalidade de cada jogador. As capas de Van Basten e Zidane são mais frias, refletindo seu comportamento dentro de campo. A de Beckham, por sua vez, é “mainstream e comercial”, enquanto a de Valderrama coloca o colombiano como um guitarrista virtuoso ao estilo Carlos Santana, muito por conta de seu cabelo. Com o italiano Baggio, o tom é de melancolia. Talvez seja por 1994…

Ah, claro, e os brasileiros. “Eu imaginei Jairzinho em um LP de funk e soul. Era a música da época e ele tem o jeitão. Socrates, por sua vez, seria um artista mais folk, com um disco experimental e uma mensagem política. O único álbum com uma referência clara é o do Zico, uma homenagem às capas de Tide e Wave, de Tom Jobim”.

Uma das preocupações de Taylor foi evitar os clichês, ou seja, não representar os jogadores com estilos óbvios ou muito usados. Por isso, ele optou por uma pegada minimalista, sem fazer muitas referências às histórias de sucesso e às vitórias. A inspiração foram justamente os LPs das décadas de 60 e 70, que tinham capas mais “limpas”.

 Imagina na Copa

O trabalho de Taylor não tem muito a ver com a Copa do Mundo (embora ele tenha recriado os pôsteres dos mundiais desde 1930), mas ele sabe que qualquer coisa sobre futebol chama a atenção, ainda mais no Brasil e há dois meses do mundial. A única conexão, diz ele, é que a maioria dos jogadores retratados já brilharam com a camisa de suas seleções no torneio – exceção feita a George Best, que não jogou nenhuma Copa com a Irlanda do Norte.

Falando em Copa, o inglês não põe fé na seleção do seu país. As apostas dele são o que ele chama de “os de sempre”: Argentina, Itália, Alemanha… E Brasil, claro.