Pelé Eterno

Pelé não teme a ideia da morte. Pudera: seu mito sobreviverá por 15 séculos, como previu Andy Warhol

Existe uma maneira indiscutível, objetiva, de dimensionar o tamanho de um ídolo do esporte. É pelos números. Por esse critério, Pelé é imbatível. Ele foi o único jogador do mundo a vencer três Copas do Mundo. Ninguém balançou a rede tantas vezes – foram 1 282 gols no total. Ninguém fez mais gols pela seleção brasileira – 77 tentos em 92 partidas oficiais. Ninguém ganhou tantos títulos por um clube – 47 troféus levantados com a camisa do Santos, entre esses o bicampeonato da Libertadores e Mundial, além de seis campeonatos nacionais.

Existe uma outra forma, subjetiva, lúdica, de avaliar a dimensão de um mito. É pelas histórias. Nessa linha, também não tem para ninguém. “Prazer, eu sou Ronald Reagan, mas não precisa se apresentar, todo mundo sabe quem é você”, disse a Pelé o presidente americano, em encontro na Casa Branca. Pelé ensinou Gerald Ford e Bill Clinton a fazer embaixadinha. De toalha, encontrou o senador Robert Kennedy no vestiário do Maracanã. De uniforme, recebeu das mãos da rainha Elizabeth II , em visita oficial ao Brasil, a taça de campeão em um amistoso. Sem contar os namoros e os supostos romances…

Andy Warhol, que registrou o craque em sua famosa galeria de polaroids, vaticinou que no futuro todos teriam direito a 15 minutos de fama, mas Pelé teria 15 séculos. Provavelmente estava certo. Edson Arantes do Nascimento, a persona por trás do ícone, perdeu o cacoete de dizer “entende?” a cada fim de frase, mas vira e mexe ainda fala na terceira pessoa. Aos 76 anos, acumula estatísticas e narrativas. Com sete filhos, está no terceiro casamento, com a empresária Márcia Aoki, com quem celebrou a união no ano passado na Igreja Anglicana de Santos. Hoje, passa a maior parte do tempo em sua casa no Guarujá. De muletas, por causa de uma cirurgia malsucedida para implantação de uma prótese no quadril, o Atleta do Século eleito pelo jornal francês L’Équipe recebeu a VIP no Museu do Pelé, em Santos.

Você passou por duas cirurgias no quadril, uma em 2012 e outra em 2015. Como está se sentindo?
Estou meio biônico [risos]. Graças a Deus estou bem fisicamente. Cinco ou seis meses depois que fiz a primeira cirurgia no quadril, infelizmente foi decretado que tinha havido um erro médico. Fui para os Estados Unidos, refiz a cirurgia lá. Já faz um ano e pouco isso. Acontece que, quando eu estava ficando bom, torci o joelho. Até houve uma brincadeira porque foi na véspera do meu casamento [em julho do ano passado]. Na minha casa, no Guarujá, tem um home theater. Eu estava fazendo fisioterapia para o quadril, mas estava meio fraco, pô. Daí fui subir a escada da sala e apoiei todo o corpo aqui [mostra a perna esquerda] e ela não aguentou. Bom, enfim, agora nesses últimos meses estou com esse joelho assim [levanta a calça e mostra uma joelheira]… Meu irmão estava brincando comigo com isso e falou: “Mas, caramba, esses dois últimos anos, hein?”. E eu falei: “Pô, eu fiquei 30 anos jogando futebol, graças a Deus não fiquei fora de jogo”.

Incomoda muito?
Limita, limita. Não dá para sair… Tinha uns compromissos de gravações e tive que cancelar. Um era em Londres. A própria participação na Olimpíada, eu tive que cancelar, lembra? Não fui fazer.

Como é para o Atleta do Século ter limitação para andar?
Acho que pelos 45, 50 anos de carreira que tive eu estou no lucro ainda [risos]. Estava primeiro na cadeira de rodas, depois usei andador e agora só estou com a bengalinha. Daqui a pouco eu estou só com essa chuteira [ri, apontando o pé].

Você disse que houve erro médico. Abriu um processo?
Não, não [dá de ombros]. Na primeira cirurgia foi erro médico. Segundo nós discutimos, a [segunda] cirurgia do quadril não teve problema. O problema foi a falta de músculos, de força física, para segurar o corpo. Fiquei praticamente um ano e meio sem fazer exercícios. Eu tinha uma perna tão bonita, uma perna grossa [risos]. Depois começou a afinar muito. Agora já está normal.

Vamos falar de coisas mais agradáveis. Você gostou do filme Pelé – O Nascimento de uma Lenda?
A história do filme é muito boa, mas ele ficou meio hollywoodiano, né? Algumas cenas, para dar emoção, para dar sentimento, ficaram muito bonitas. Mas teve um pouco de fantasia. Por exemplo, num dos momentos aparece um menino que morreu afogado. Daí meu pai o carrega, sabe? Isso foi uma coisa do filme. O afogamento aconteceu mesmo, a gente estava brincando e o menino morreu. Mas aí colocaram o Dondinho carregando o menino… O filme não é do Pelé famoso, é do início da carreira do Pelé, quando o Pelé saiu de Bauru até a primeira Copa do Mundo. Alguma empresa de aviação está passando o filme [nos voos]. Era para chegar ao Brasil neste ano, mas não sei dizer se vem mesmo.

Ainda não estou precisando de Viagra. Vamos indicar aos mais idosos. Sou um homem de Três Corações. Tem muita força aí

Por que você recusou o cargo de embaixador mundial da Fifa?
Dependia do tipo de trabalho que eu teria. E não dava para atender a todos os pedidos de viagem, ir a todas as finais de Copa. A Fifa marca [os eventos] e quem a representa tem que ir. Pensei: “Sabe de uma coisa, já estou viajando demais”. Fiz a entrega [do Bola de Ouro] para o Messi, fiz a entrega para o Cristiano Ronaldo. Mas aí não dava, poxa. Pedi desculpa [por negar] e dei sorte, porque foi antes desse conflito todo da Fifa, né?

O cargo de embaixador da Fifa, no fim, foi aceito por Maradona. Você vai torcer por ele?
Claro [risos]! Quero que dê tudo certo.

Como está o sexo hoje? Com respeito a quê?
O sexo oposto [risos]? Graças a Deus está tudo bem. Aliás, eu sou um homem de Três Corações, né? Tem muita força aí.

Há 15 anos, você fez a campanha do Viagra e disse que nunca tinha tomado.
Na época eu não precisava. Até estava brincando outro dia na nossa turma e me perguntaram: “E aí, já tá precisando de Viagra?”. Ainda não! Vamos indicar aos mais idosos!

Agora, com mulher nova, é que não precisa mesmo, né?
Não posso falar, senão minha mulher me bate.

Mas é dela que estamos falando!
Ah, que susto que você me deu [risos]! Mas falando sério, tem uma coisa importante nesse processo todo de educação sexual que diz respeito a doenças venéreas. Ainda são muito disseminadas. E eu fico muito feliz de ter sido um dos apoios para as pessoas poderem fazer sexo seguro. Deus só me põe em coisa boa.

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(Luiz Maximiano/Reprodução)

Você tem filhos jovens, Joshua e Celeste têm 20 anos. É essa a mensagem que você passa a eles?
Sim. Tem o Edinho e a Kelly que estão casados, mas também precisam ter juízo. Hoje há muito mais liberdade do que no meu tempo. Era muito mais complicado sair com uma namorada. E a gente tem liberdade de conversar, converso sobre sexo com eles. A minha filha Celeste está estudando medicina e, às vezes, ela dá bronca no Joshua: “Não fica saindo com qualquer menina aí. Não vem me apresentar qualquer garota, não”. Eu falo: “Boa, Celeste, me ajuda”. Ela é impressionante. Tem personalidade. Mais ou menos igual ao Edinho. O Joshua não, ele é molengão. Engraçado, né? São gêmeos, deviam ser iguais.

O Joshua ainda está jogando nos Estados Unidos?
Sim, está jogando ainda no colégio, em Orlando. Estávamos falando sobre isso e ele falou: “Pai, lá no Santos eu estava aprendendo alguma coisa [no futebol], nessa escola aqui não tô aprendendo nada. Dá pra voltar ao Brasil?”. Ele é bom jogador, sabe jogar. Não é nenhum Pelé e nenhum Edinho, mas é bom. Porque o Edinho jogava muito bem, não só como goleiro. Ele era muito bom. Eu briguei pra caramba com ele para ser atacante. Ele dizia que ia ser goleiro. E foi um bom goleiro, jogou cinco anos como titular. Acho que fugiu da comparação [com Pelé]. E ele está em Três Corações hoje. Olha a coincidência também. É a cidade que eu nasci, a cidade do meu pai – meu pai jogou lá –, e agora Edinho foi ser técnico lá. Ele está bem, vamos ver se ele dá sorte.

O Edinho foi preso em 2006 e em fevereiro deste ano, e em 2014 foi acusado de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. O que ficou disso?
Acho que o que aconteceu com ele foi uma boa experiência, né? Ele entrou nas amizades erradas e… [faz uma pausa] É claro, não tem muita desculpa, ainda bem que a gente estava junto dele. Mas dois dos detetives que o pegaram estão presos, por causa de mau trabalho. Filho do Pelé, acharam que iam tirar alguma grana, uma vantagem. Não teve. Mas foi uma coisa boa isso tudo. E foi uma boa experiência para ele também. Teve um break logo no começo das amizades ruins, né? Como pai converso muito com ele a respeito de tudo que aconteceu. Como ele tem duas filhas, espero que consiga a liberação o mais rápido possível, dentro da lei.

Pelé técnico. Você nunca teve essa tentação?
Não. De três em três meses eu recebo uma proposta. Da Itália, da Espanha, agora estão me perturbando da China, porque todo mundo está indo para lá. Ainda faço parte da Fifa, né? Então, quando tem evento, os caras chegam e perguntam: “Você não quer fazer uma experiência, não?”. Aqui no Brasil tive propostas para ser técnico. Eu falo: “Pô, o Santos tá lá do meu lado, e quando ele precisou eu não quis ser. E eu sou louco?”.

Nem o dinheiro o tentou?
Parei de jogar ganhando um dinheirão e agora que sou velho vou sofrer por causa de dinheiro? E tem alguns times do Brasil que não estão pagando. Não é bom ser técnico agora, não. Na China eu podia até pensar, né? Meio desconhecido, ninguém sabe quem sou… [risos]

Quem chegou mais perto de ser o novo Pelé?
Teve tanta gente boa… Difícil fazer comparações, né? Há muito tempo, nos anos 50, o Brasil tinha o melhor time e perdemos aqui. Era um timaço. Em 70, a seleção estava naquela briga, o João Saldanha entrou de técnico [a estratégia da Confederação Brasileira de Desportos era contratar um jornalista para a imprensa parar de criticar a seleção]. A convocação foi: Pelé, número 10 do Santos; Tostão, o 10 do Cruzeiro; Gerson, 10 do Botafogo; Rivellino, 10 do Corinthians. Todos os repórteres falando: “Pô, esse time não vai dar certo. Só tem numero 10, só tem armador”. E foi a melhor seleção que o Brasil teve. Fomos campeões. Então é tudo muito de momento, né? Naquela época, tinha quatro ou cinco jogadores em cada posição. Hoje, no mundo todo, quem são os cobras mesmo?

Tite está num bom caminho. O Brasil ainda depende muito do Neymar. Mas nós perdemos a Copa do Mundo com ele

Cristiano Ronaldo, Messi…
[interrompe] Para mim, o Messi é o melhor desses últimos 15 anos. Na Copa de 70, brigaram porque tinha cinco. Agora está meio complicado. Não tem jogador nesse nível.

Quais os requisitos básicos para ser seu sucessor?
Vou responder claramente e quero que todo mundo escute: igual ao Pelé nunca mais vai ter, porque a dona Celeste falou que não quer mais e meu pai, o Dondinho, faleceu. Então igual ao Pelé nunca mais vai nascer ninguém [risos].

O que prejudica o futebol aqui?
É o poder econômico. Qualquer jogador que aparece com 16 anos já vai para fora. O Tite deu uma entrevista de que gostei. Ele falou que estava fazendo uma seleção com jogadores do Brasil. “Eu sei que na Europa tem vários jogadores, mas vamos como a gente pode usando gente daqui.” Gostei.

Mas se os bons estão no exterior, o futebol brasileiro não perde qualidade?
Perder mais qualidade do que já perdeu? No meu tempo saiu um monte de jogadores também e a seleção continuava forte porque tinha reposição. Infelizmente hoje não tem isso. A seleção de 2014 foi a mais baixa em relação a valores que eu já vi. Hoje, jogador com 15 anos já se manda… Mas gostei do Tite. Ele está querendo voltar a dar atenção às coisas da gente.

Você tem acompanhado os jogos da seleção?
Vi esses últimos jogos, por isso estou elogiando o Tite. Tomara que ele tenha condições e apoio para continuar fazendo o trabalho. Porque é complicado falar: “Não vou jogar com o Neymar”. Precisa ter peito para fazer isso hoje, né? Tite está num bom caminho. O Brasil ainda depende muito do Neymar. Mas nós perdemos a Copa do Mundo com ele. Houve o acidente, sim [a fratura na vértebra]. Mas um jogador só não ganha.

No ano passado morreram Muhammad Ali e Carlos Alberto Torres, duas figuras emblemáticas e muito próximas de você.
Eu tinha amizade com os dois. É difícil falar sobre isso, não depende da nossa vontade, não tem uma explicação. Sofre quem admira a pessoa. Eu estive com o Ali um ano antes de ele falecer; com o Carlos Alberto, um mês, dois meses. Encontrei o Ali num evento em Nova York e fomos ao Central Park. Ele já deu pontapé inicial num jogo do Cosmos [quando Pelé jogava no time nova-iorquino]. E duas vezes eu cantei para ele no Studio 54.

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(Luiz Maximiano/Reprodução)

Cantou para o Ali? Como foi isso?
A Warner era dona do Cosmos e, quando tinha evento com os artistas no Studio 54, convidavam a gente. Cantei músicas da época para o Ali. A gente tirava sarro dele porque ele nunca jogou bola. Ele falava: “Eu jogo futebol americano”. E eu: “Isso porque você dá porrada e não pensa. No nosso futebol, tem que ser inteligente” [risos]. Ele era muito boa gente.

Você disse certa vez que brasileiro não sabe votar, e isso causou uma confusão…
Falei mesmo. Só que o contexto era diferente do que se propagou. Estávamos conversando a respeito das eleições e eu disse que brasileiro era muito emotivo e não votava na pessoa certa. Aí a imprensa deu que eu havia falado que só brasileiro não sabe votar. Por coincidência, quando o presidente Lula foi eleito [para o mandato de 2003] falamos sobre isso. Brinquei e contei a história. “Começaram a dizer que eu falei que brasileiro não sabia votar.” E ele me disse: “Pô, mas votaram em mim!”. Continua achando isso? Continuo achando que a gente põe muita emoção nas decisões. Não dá. Já melhorou muito desde que falei, mas ainda é uma realidade.

Como quer que as gerações futuras se lembrem de você?
Só quero que se lembrem, que não se esqueçam de mim. Só isso. Aqui no Brasil a gente tem o costume de esquecer as coisas. Sempre quis passar na minha vida respeito, educação, a importância da escola. Sempre quis passar isso para as crianças, desde antes do milésimo gol [quando o fez, ele disse aos repórteres: “Vamos proteger as criancinhas necessitadas”]. Na Copa da Suécia [em 1958], o Brasil não era conhecido. Eu falava do Brasil e os repórteres perguntavam: “Buenos Aires?”. Ficava louco de raiva. E a gente fez o Brasil ser conhecido.

Principalmente pelas suecas…
Depois ficaram conhecendo melhor. Mas não leve a mal: conheceram porque o Brasil foi campeão [risos]. Aconteceu uma coisa na Suécia divertida. Todos os jogadores tinham um dia de folga para fazer compras, né? E naquela época não tinha rádio de pilha aqui no Brasil. Víamos cada radião assim, uns tijolões. E para nós era novidade. Todo mundo: “Nossa, como faz então para comprar?”. E o Garrincha falou: “Vocês são tudo burro, vão levar isso aqui e não entendem nada do que eles falam. Eu não vou levar porcaria nenhuma!” [risos]. A gente riu disso a vida toda do Garrincha, até ele morrer.

Você foi convidado para participar da posse de Barack Obama quando ele foi eleito. E com Donald Trump?
Não, o Trump não me convidou. Acho que ele até gosta de soccer, ele falou em uma entrevista. O Obama adorava porque a filha dele jogava futebol feminino.

Qual foi o primeiro palavrão em inglês que aprendeu para usar no gramado?
Go fuck yourself. É um palavrão, mas se usa a toda hora, né? Desculpe, mas tem outros palavrões menos delicados. Até na conversa comum as pessoas falam isso.

Qual foi o gol que o deixou mais feliz?
É difícil responder. Há várias etapas da minha carreira em que os gols foram importantes. Por exemplo: na Suécia, com 17 anos, jogando uma Copa do Mundo, o gol contra o País de Gales foi uma coisa maravilhosa. Depois disso, foi o milésimo. Muitos dizem que fazer gol de pênalti é fácil, mas o meu milésimo foi de pênalti e foi um dos mais difíceis dos 1 282 que eu fiz. Porque o Maracanã gritava: “Pelé, Pelé, Pelé!”. E eu pensei: “Ai, meu Deus, e se eu perco esse pênalti?”. Então acho que foram o primeiro gol e o milésimo.

Uma das coisas que menos me preocupam é a morte. É diferente, claro, ter 25 anos. Mas eu era muito mais burro. Então a idade compensa

Você conversa com a bola?
Sempre. Fazia gol e falava: “Obrigada, meu amor, me deixa fazer mais um?”. Várias vezes levantava de manhã e perguntava: “Como você está?”.

Quais as principais lições que o campo deu para você?
O campo, de uma maneira geral, foi um dos maiores educadores que tive. Foi pisando no gramado que conheci vários países do mundo.

Você esteve com a rainha Elizabeth II para receber uma condecoração…
[interrompe] Sinto muito, ela esteve comigo. Ela me chamou [risos].

Vocês que são reis sabem: qual o peso da coroa?
Acho que a responsabilidade é o peso da coroa. Todo mundo pode ter defeitos e errar, com a coroa não. Tem que ter muito cuidado.

Você está com 76 anos. Quando olha para trás, teria feito algo diferente?
Acho que muito poucas coisas. Talvez uma delas seja, aproveitando toda a abertura que o futebol me deu, ter me preocupado mais com a educação do brasileiro, com a educação das crianças. Tentei fazer o que pude, mas acho que poderia ter me dedicado mais. Fiz metade. Tinha abertura e campo para ser bem mais útil nessa coisa da educação.

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(Luiz Maximiano/Reprodução)

Dizem que você nunca abraçou a causa negra, nunca brigou por ela.
Acho que isso é uma imbecilidade. Eu nunca disse que era branco. Ou que era da cor amarela, que era japonês… É normal que, quando a pessoa se projeta em algum setor de atividade da vida, apareçam invejosos. Defender mais o negro do que eu defendi? Não tem nem como responder a essa pergunta.

Sente o peso da idade?
Uma das coisas que menos me preocupam é a morte. Acho que porque viajei tanto com a seleção, com o Santos, essa coisa de preocupação em morrer não me apavora. É diferente, claro, ter 25, 35 anos. A energia era outra. Mas eu era muito mais burro que hoje. Aprendi muito. Então a idade compensa.

Você dizia que não pintava o cabelo. E agora?
Já não dá mais. Preciso arrancar os fios brancos com a pinça.

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