“O homem perdeu o preconceito de se cuidar”, diz Ricardo Almeida

Ricardo Almeida, conhecido há 33 anos pelo corte impecável de seus ternos, acaba de inaugurar sua nova fábrica – e fase

São 7 800 metros de área total no Bom Retiro, em São Paulo. Dois prédios. O primeiro apenas para camisaria e bordado; e a parte nova, exclusiva para alfaiataria. Hoje, o império de Ricardo Almeida conta com 17 lojas próprias e 110 lojistas escolhidos a dedo, que revendem sua marca. Impressiona.

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Referência no mercado brasileiro, o estilista paulistano que combina matéria-prima de alta qualidade com design e conforto em suas criações, acaba de realizar um grande sonho que começou lá atrás, quando buscava patrocínio em cima de sua motocicleta. “Sempre quis montar algo sofisticado, diferenciado. Esta fábrica vai ajudar a melhorar ainda mais nossa roupa. Quando você monta algo para os funcionários quererem ficar ali, você tem mão de obra muito melhor. Sempre busquei qualidade, e não quantidade”, explica. A nova planta conta com quadra e aérea recreativa, que poderão ser utilizadas também por crianças, de até 12 anos, da comunidade próxima – mas ainda é um projeto. Mais: a entrada de luz, as janelas e o sistema acústico, entre outras coisas, foram pensados estrategicamente para o conforto dos funcionários.

 

Trajetória

Aos 11 anos de idade, Ricardo Almeida já transitava na loja do pai, que vendia artigos de cama, mesa e banho. Lá pelo 15 anos, cuidava do estoque, entrada e saída das mercadorias. “Quando fui trabalhar como representante, eu já sabia o que o lojista esperava”, diz o estilista. Em 1983, montou sua primeira fábrica com peças masculinas e femininas para outras marcas – fazia o chamado private label. “Em 1991, resolvi abrir minha própria loja, porque acreditava num produto melhor, mais sofisticado. Não era o que o mercado acreditava na época. Ele queria ter preço, e eu, qualidade”, explica. Assim, nasceram as primeiras lojas nos shoppings Morumbi e Iguatemi, em São Paulo.

O novo homem

Para Ricardo Almeida, o homem contemporâneo está bastante diferente daquele que ele conheceu há algumas décadas. “Existia muito preconceito em relação ao homem que realmente desejava se cuidar. Hoje, isso não acontece mais. O homem tem mais informação, e isso traz muito mais segurança a ele. Aqueles que leem sobre moda estão ainda melhor”, diz o estilista.

Jeito único

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O estilista tem um método infalível para melhorar suas peças a cada coleção, algo que ele chama de vestibilidade. “Pegamos o que mais foi consertado e corrigimos para que a próxima coleção não tenha os mesmos erros no encaixe, na manga, na proporção, na gola etc. É bastante técnico. Estudamos muito o molde da roupa, assim vestimos mais pessoas”, explica.

Próximas estações

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A marca renova padronagens, forro, algum detalhe de estilo, mas não muita coisa. “Você não pode mudar tudo na roupa masculina. Tem que ser aos poucos e explicar por que está fazendo isso”, afirma Ricardo. Para o outono-inverno 2017, o estilista já adianta que os desenhos escuros irão predominar. Os mais dark. Mas o corte continua slim fit. “Acreditamos em um homem que faz academia, gosta de mostrar que está bem. Não vou para essa pegada mais larga”, diz. Na camisaria, a marca aposta nas mangas também ajustadas, que valorizam e deixam o cara mais magro, longilíneo e elegante.

Festas

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Ricardo Almeida acredita que um terno azul-claro faz a diferença em casamentos à luz do dia. E que terno branco de linho lavado fica ótimo também. Na praia, a vantagem é que você pode complementar a calça do paletó cinza com camisa em tons de sorvete, como pistache, rosê e lilás, por exemplo. Já para o noivo tradicional, à noite, terno preto, marinho ou cinza, com sapatos clássicos. “Fraque é uma roupa para ser usada até as 18 horas. E smoking tem tudo a ver com casamento”, completa.
“Mas, se eu fosse casar, usaria um terno bem cortado, simples e que eu iria aproveitar bem mais no dia a dia. Eu tiraria o colete e usaria como costume. Vestiria o paletó com um jeans ou a calça com uma camisa. Aproveitaria cada peça do terno”, diz Ricardo Almeida.

Maior erro

De acordo com o estilista, muita gente afirma que precisa ter movimento. E ele brinca com os clientes, dizendo que eles não vão para uma academia malhar. “Para ficar elegante, talvez você perca um pouco o movimento. Mas tudo muda. É como uma mulher chegar de salto alto ou de tênis – até a postura é diferente”, finaliza. ■