“Se importa se eu terminar de trocar a roupa aqui?”, pergunta Dra. Luísa, se insinuando ao boquiaberto Dr. Wando. O mulherão mal espera a negativa do colega de hospital e começa a tirar o sutiã sensualmente. Avança em direção ao médico. Corta. Ellen Rocche está sentada no sofá e não demonstra vontade de tirar o sutiã. Ela garante, com os olhos verdes mirando os meus: “Sou supertímida”. Ellen não tem muito a ver com Dra. Luísa, sua personagem no programa S.O.S. Emergência, da Globo, mas mesmo assim deixa todos os homens estupefatos como Dr. Wando. Aos 31 anos, ela está no ápice da sua sensualidade, como pode ser apreciado nas fotos deste ensaio. Mas Ellen não é apenas um (espetacular) corpinho: mostrou competência profissional ao encarar um humorístico ao lado de Ney Latorraca, Marisa Orth, Bruno Garcia e, em um episódio, Suely Franco. Sua atuação rendeu-lhe algo pouco comum hoje em dia: um contrato longo com a Rede Globo. Parece que 2011 é mesmo o ano de Ellen Rocche – e dos leitores da VIP, que, em pleno verão de chuvas, ganharam um sol, uma praia e uma deusa neste quinto ensaio dessa delícia para a revista. Agora sim dá para curtir a estação mais quente do ano.

Depois de tantas capas – esta é a quinta para a VIP –, ainda sente frio na barriga?
Minha relação com a VIP já faz tempo e eu nunca tinha feito ensaio com o tema praia, trazendo para São Paulo o mar. Adoro essa sensualidade natural que vem da praia. Já tinha quatro anos que eu não fazia ensaio sensual. As capas da VIP ficaram marcadas na minha carreira, são inclusive referências para outras meninas. Acho muito bacana isso. Esta quinta capa é especial. É gostoso. Agora mesmo eu encarnei esse espírito, me senti na praia. Passei um dia que poderia ser superchato em São Paulo, nublado, chuvoso, mas que foi sob um sol incrível, brincando com pessoas maravilhosas. Porque quem vê as fotos percebe que eu estava curtindo mesmo aquele momento.

Você disse que passou quatro anos longe de ensaios sensuais. Por quê?
Eu quis ficar longe. Minha carreira é muito legal, deixo a vida me levar. Claro que tenho foco, planejamento, mas as coisas vão acontecendo. Este é um momento muito bacana. Entrei 2011 com pé direito. Tem sido um crescimento profissional muito grande, uma ascensão como atriz. Eu estou muito contente, e o convite veio em boa hora, em um momento de felicidade – sou rainha de bateria da Rosas de Ouro e da Porto da Pedra, acabei de assinar contrato com a Globo. Me sinto realizada, colhendo o que plantei.

Exatos dez anos separam sua primeira capa na VIP desta de agora. O que mudou em você neste tempo?
É engraçado porque eu vejo outras revistas republicando fotos minhas antigas e as pessoas pensam que são novas. Eu achei o máaaaaximo! [Risos] Graças a Deus, fisicamente eu continuo a mesma. Como mulher, mudei: a maturidade traz uma segurança absurda. A ingenuidade, que é algo muito importante e foi marcante no meu início de carreira, hoje dá espaço para uma mulher mais segura, mais objetiva, que tem não só sonhos, mas metas. Eu estou bem mais consciente do meio em que vivo, da minha carreira. Sei bem o que eu quero realmente.

E o que você quer realmente?
Eu quero me realizar cada vez mais como atriz. Ter mais trabalhos em que eu possa fazer bons papéis. Eu estou mais… Eu fiz terapia. Faço. Há um ano. Não recebi alta ainda! [Gargalhada] Então, faço terapia há um ano para ter mais autoconhecimento, ir fundo nos meus sentimentos… A gente vai de encontro aos nossos medos, às nossas inseguranças todas. Quando a gente encara nossas falhas e percebe que é humano, é uma delícia! Porque a gente perde o medo.

Do que um mulherão como você tem medo?
Eu não sou muito mulherzinha, dessas que [em gritinhos] “ahhhhhh”. Eu encaro, sabe? Eu vou com tudo. Sou superaventureira: saltei de paraquedas, bungee jumping… Eu gosto. Mas o medo que tenho é da maldade humana.

Você está mais sensual hoje do que em 2001?
Ao contrário de 2001 – e por isso que eu acho que a ingenuidade é algo bom –, foi mais difícil fazer fotos agora do que há dez anos. Mesmo que eu seja mais segura hoje. Porque, quando você é mais jovem, você não pensa nos riscos que corre. Quanto maior o degrau… Claro que deu um friozinho na barriga. Claro que eu penso: “Ai, meu Deus, será que os leitores vão gostar?”.

Você partiu do Qual É a Música?, no SBT [quando dublava músicas em companhia de Pablo, o eterno homem de rosto pintado] e chegou ao S.O.S. Emergência, na Globo, onde tem conquistado o público pelo seu humor. Nesse percurso, sofreu algum preconceito?
Acho que todo mundo tem preconceitos. Eu também tenho. Mas é algo que eu busco quebrar. A gente nem conhece as pessoas e já as “pré-julga”. Eu quero tirar todos esses “pres” da minha vida: “pre”-ocupação, “pre”-julgar… O único “pre” que eu quero na minha vida é o presente. É bom isso [ser alvo de preconceito] porque me motiva. Um professor meu de cinema falou: “Você tem noção que, por causa da sua beleza e de já ser conhecida como modelo, vai ter que trabalhar mais para conseguir ter uma boa aceitação”. A minha maior preocupação era ter uma oportunidade para mostrar o que eu estava estudando, que eu estava me preparando… Eu tenho seis anos de DRT [registro profissional de atores e de outras categorias] e 16 anos de carreira. Além disso, eu adoro um desafio.

É uma surpresa para mim seu lado de humor, de fazer comédia. De onde vem essa sua veia cômica?
Adoro comédia. Adoro bom humor. Eu sou fã mesmo. Eu sou assim. Sempre faço de limão uma limonada. Acho que isso é algo de brasileiro: adora uma piada. Está feliz e faz piada; está sofrendo e faz piada. A terapia me ajudou muito a tirar esse pudor. Porque humor é isso: se jogar, não ter medo do ridículo.

Você não tem medo de ser ridícula?
[Gargalhada] Atuando, não. Mas eu procuro não me preocupar muito com a opinião dos outros.

Bom humor é importante em um cara que queira conquistá-la?
Uma das coisas primordiais.

Quais são as outras?
Sensibilidade. A gente vai ficando mais madura e vai mudando as prioridades. Hoje eu prefiro alguém sensível, um homem que tenha bom humor… E jogo de cintura, né? Saiba lidar com as adversidades. E tem que ser muito carinhoso.

Você disse que é assim hoje. Em algum momento foi diferente?
Antes eu idealizava, e hoje sei que não devo fazer isso. As coisas aparecem quando têm que aparecer. Agora estou muito feliz, tranquila, vivendo uma fase ótima no trabalho. Quando me apaixono, me dedico muito à pessoa. Então hoje eu foco essa energia para outra parte da minha vida. Essa energia é muito grande para o amor e para o trabalho, mas por enquanto eu estou direcionando isso.

Sempre ter papéis de gostosona te incomoda?
Nem um pouco. Em uma época, eu podia até ficar “ai, queria uma coisa diferente, não queria ser a gostosona”. Mas eu não posso brigar com algo que está em mim.

Sua mais recente gostosona é a Dra. Luísa [do programa S.O.S. Emergência], que faz de tudo para dar um pega no Dr. Wando [papel de Bruno Garcia]. Você é atirada daquele jeito?
Não, de forma alguma! Olha, se eu convenci como piriguete na TV, é porque sou boa atriz. [Gargalhada] Até brinco que eu tinha que ter um pouco da Luísa. Eu sou uma mulher à moda antiga. Claro que tenho atitudes em um relacionamento, mas prefiro ser conquistada. Não tenho essa modernidade de chegar no cara e “quero você”. Mas eu facilito! [Risos] Como eu fiquei muito tempo namorando, eu não tive essa experiência de estar solteira ao mesmo tempo de ser conhecida do público. Ser conhecida é uma barreira que os homens enxergam em mim. É mais difícil eles chegarem. E eu sou supertímida.