Lições de uma ex-BBB
Integrante da edição passada do reality show, a DJ e tuiteira profissional conta o que aprendeu com aquela incubadora de celebridades
Admitindo ou não, todo mundo tem, no fundo, vontade de saber como é ser famoso. Eu tinha quando entrei no Big Brother Brasil 10. Achava que a fama me daria projeção para poder trabalhar e ter dinheiro. Hoje, acho que o que faz sentido é ter sucesso.
Não sinto que alcancei o sucesso só porque fiquei famosa. Me frustrei porque sempre tive vontade de ser reconhecida por alguma coisa que eu tenha feito. Claro que o BBB é um passo para isso. Mas quero ser lembrada daqui a uns anos pelo meu talento, por ter construído minha carreira baseada no desenvolvimento dele.
Fico feliz de ter saído do Big Brother como a vilã. Se eu tivesse sido a mocinha, certamente teria o triplo de gente em cima de mim e teria surtado – e virado vilã fora da casa. Como vilã, tive que me esforçar muito mais, o que me fez crescer muito. Fora que aprendi a conviver com gente que não tinha nada a ver comigo. Hoje sou mais tolerante.
Ter feito fotos para a VIP me ajudou a entrar no programa. Tudo por causa do meu perfil no Twitter. Era relativamente famosa no mundo virtual, uma das dez mais seguidas no Brasil. Criei meu perfil cedo, em 2008, e comecei a ajudar os novos tuiteiros. Isso me deu projeção.
Só lá dentro do Big Brother entendi que todo mundo fazia cena, criava um personagem. Quando entrei no programa, não sabia exatamente sua proporção. Nunca tinha assistido. E fui eu mesma. Só depois percebi que ninguém fazia isso. Você era o pobrezinho, ou o bonzinho, ou o corajoso. E tinha que fazer o papel até o fim. Eu não quis isso e não faria nada diferente se fosse hoje.
Não assisti às minhas cenas. Sabia que minha personalidade tinha sido “criada” pela edição. Logo que saí, no palco da eliminação, minha mãe me abraçou e disse: “Você é a vilã”. Ela estava desesperada, com medo de que as pessoas fossem rudes comigo na rua. Mas quem entra no programa está sujeito a tudo.
Todo mundo entra no BBB achando que vai mostrar como é de verdade. Mas ninguém consegue. Ao contrário: as pessoas acabam vistas como não são. Isso frustra. Tive, por exemplo, conversas deliciosas, papos divertidíssimos que não foram ao ar. Ninguém viu. Claro que, se você ganha R$ 1 milhão, nem liga para isso.
Não esperava que participar daquilo fosse ter tanto impacto. O assédio, principalmente nos primeiros dias, é quase insuportável. Todo mundo assiste, desde o piloto do avião até a tiazinha da cantina. E todo mundo quer fazer foto, falar, dar palpite em sua vida. Por mais que queiram te dar carinho, é excessivo. Você é muito julgado, dizem sobre seu corpo, sua roupa. Na primeira semana já não suportava. Para fugir, cortei e pintei o cabelo e passei um mês na Europa. Queria voltar a ser ninguém.
Os trabalhos começaram a rarear e meu cachê caiu muito rápido. O problema é que é muito difícil conseguir um empresário bacana. A maioria dos que chegam até você é picareta. Você não tem noção de quanto vale quando sai do BBB. E eles negociam seu cachê alto ou baixo demais. Fora que eles fazem leilão de ex- Big Brother: “Você cobra 8 mil? Fulana cobra 6”. Não tive um empresário que cuidasse de mim e perdi muita oportunidade boa. Ex-BBB se ferra.
Rola muita, muita proposta indecente. “Qual é o valor da Tessália?”. Tem cara que te contrata porque é o dono da balada e quer uma presença VIP e depois pergunta quanto é o extra para você passar a noite com ele. Assim, na cara dura. Não sei quem faz, eu não faço.
Tenho sorte de poder me expressar em meus dois perfis no twitter. Claro que no @twittess e no @tes2alia filtro algumas coisas que vou falar. Mas é importante para as pessoas poderem me conhecer. E quem vê esse meu lado não-editado costuma gostar mais de mim.
Aprendi que tem que ter muito estômago para se manter no topo da fama. O meu faz de conta do mundo dos famosos perdeu o encanto. Gente que você achava que é bacana, vê que é do mal. Entendi que não quero fazer algo que não gosto só pela fama. Hoje sou DJ e vendo espaço publicitário em meus perfis no Twitter. E quero me manter na mídia para fazer algo em que acredito, que me mostre como sou. O que eu não consegui fazer no Big Brother.
REALIZAÇÃO: ANDREA BUENO PRODUÇÃO: JULIANA HIRSCHMANN ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: ADRIANA BUONO BELEZA: ADILSON VITAL (MOLINOS TREIN) AGRADECIMENTOS: FORUM LINGERIE (SUTIÃ) E VIDE BULA (SHORTS JEANS)











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otimo