Rosanne Mulholland dá adeus à professorinha Helena

“Nunca achei que fosse ficar presa à professora Helena até porque já fiz outros trabalhos diferentes, especialmente em cinema. A professora Helena acabou em julho. Agora tem de vir outras coisas. Fazer a VIP vai lembrar as pessoas que eu sou a Rosanne”. E não?

Por  Cláudia de Castro Lima

– Tenho certeza que era ela.

– Também acho que era.

– Será que vou atrás para falar com ela?

Ouvi esses cochichos depois de almoçar com Rosanne Mulholland em um café de São Paulo. Eu estava no caixa e ela tinha acabado de deixar o local no momento em que o casal decidia se corria atrás da atriz ou não. Rosanne nem ficou sabendo que lá havia dois fãs seus – e adultos. Talvez ela se espantasse um pouco, já que seu público atualmente é formado basicamente por crianças. Rosanne acaba de viver a professora Helena por mais de um ano no remake da novela Carrossel, do SBT, e em nosso almoço, em que pediu ra—-vióli verde com mussarela de búfala, ela já estava despida da personagem, sem seu cabelão, roupas e acessórios. Não que esse tenha sido seu primeiro papel. Ao contrário, Rosanne tem uma superexperiência no teatro e no cinema: já fez nove peças (está em cartaz atualmente em São Paulo com Os 39 Degraus) e 12 filmes, além de outras novelas na Globo e na Band. Mas foi a doce professora da escola Mundial que deu a ela ainda mais reconhecimento e a oportunidade de trilhar agora novos rumos. Por mais agradecida que seja à Helena, Rosanne quer, aos poucos, livrar-se da personagem.

Você tinha visto a primeira versão de Carrossel? Sim, eu tinha 10 anos e adorava! Brigava com meu pai porque ele queria sair na hora da novela. “Não, mas a Carmem vai ser operada! A gente não pode sair!” [risos] E vários pais me falam que as crianças que assistem a Carrossel agora fazem hoje as mesmas coisas que fiz. 

Você se preocupa de alguma forma de ser lembrada para sempre como a professora Helena? Nunca achei que fosse ficar presa à professora Helena até porque já fiz outros trabalhos diferentes, especialmente em cinema. Imagino que os contratantes que já me viram saibam que eu sei fazer outras coisas. Mas essa oportunidade de já poder mostrar outros trabalhos diferentes logo em seguida, como a peça que estou em cartaz, é ótima. A professora Helena acabou em julho. Agora tem de vir outras coisas.

Fazer a capa da VIP pode ajudá-la nisso? Acho que sim. Acho que fazer a VIP vai lembrar as pessoas que eu sou a Rosanne. A professora Helena foi um personagem incrível em minha carreira, mas meu nome é Rosanne, eu sou atriz. Pensei duas vezes antes de tomar a decisão de fotografar porque acaba virando uma preocupação para mim ter fãs crianças. Mas, ao mesmo tempo, não acho justo que agora eu tenha que tomar todas as minhas decisões pensando como professora Helena, sendo que eu não sou ela. Então quero, entre aspas, me libertar da professora Helena também. Acho que é justo comigo. 

Foi sua primeira vez fotografando de forma sensual, né? Nunca tinha feito nada assim mais sensual na fotografia. Foi minha estreia mesmo, mas foi bem tranquilo de fazer. A preocupação nesses casos de trabalhar com sensualidade e de mostrar o corpo é de não ficar vulgar. Queria que ficasse bonito e de bom gosto.

Você decidiu muito nova, aos 9 anos, quando morava em Brasília, que queria ser atriz. Como foi isso? Virei para minha mãe um dia e disse que queria fazer aula de teatro. Ela sempre me colocava para fazer aula de inglês, um esporte e alguma coisa relacionada à arte. Me colocou no desenho, mas desenho mal para caramba e não rolou. Até que falei que queria fazer teatro. Entrei aos 12 anos e não saí nunca mais. Me apaixonei pelo teatro e fiquei fazendo muitos cursos. Fiz muita peça, propaganda, vídeo institucional. Até que um dia fiz meu primeiro filme. Já tinha uns 20 anos. Foi um curta, chamava Dez Dias Felizes. E aí começou a mudar minha vida. 

Mas você se formou em psicologia no meio disso, certo? É. Pensei em desistir da carreira de atriz aos 17, 18 anos por causa da vida que é muito instável e da falta de rotina. Essas coisas me desmotivaram. Tenho vários amigos que desistiram e foram trabalhar com carteira assinada. E eu fiz faculdade de psicologia. Mas daí o negócio bate na sua porta e você não fala “não”, porque no fundo quer fazer aquilo. Durante a faculdade, pintou meu primeiro curta, fiz meu primeiro longa, umas peças. O filme que mudou minha carreira foi A Concepção. Foi como se as pessoas da área descobrissem minha existência. Comecei então a fazer testes e às vezes filmes sem testes. Fiz seis longas, um atrás do outro. Foi um ano incrível, mas uma loucura, nem acreditava que aquilo estava acontecendo. Depois veio o convite para fazer Sete Pecados, a novela da Globo do Walcyr Carrasco.

Você também já se aventurou por um jornalístico, o programa A Liga, na Band. O que achou da experiência? Estava num momento que queria fazer algo diferente, sair da zona de conforto. Depois de fazer a protagonista da novela Água na Boca, na Band, veio o convite para A Liga, em 2010. Estava meio cansada da minha pessoa e queria experimentar outra coisa. Nunca fui falante, não pensava em ser apresentadora, sou muito tímida. Mas fiz o teste e percebi que no programa eu podia ser eu mesma, falando sobre as coisas que via e que sentia. Acho que funcionou por isso. Vivi um monte de coisas loucas, que jamais teria feito na minha vida. Assisti a uma necrópsia em um necrotério, apaguei fogo em Roraima com uma brigada de incêndio, foi incrível. Também rolaram algumas coisas meio desnecessárias [risos].

O quê? Tive que entrar no meio do esgoto. Entrei tipo um astronauta, com aquela roupa toda, mas não teve jeito, porque respinga bem onde não está coberto. Era o esgoto de uma empresa aqui de São Paulo, foi horrível, nojento. Por outro lado foi uma experiência muito legal, porque você começa a reparar nas pessoas que trabalham com aquilo, e é uma coisa que não costumamos pensar.

Você diz que é muito tímida. Sempre foi assim? Quando entrei no teatro, aos 12, eu era um poço de timidez. Você ia chegar aqui, ia me falar “oi” e eu não ia conseguir responder, porque ia ficar vermelha na hora. O teatro me tornou uma pessoa mais saudável, fui me soltando, perdendo o medo do ridículo. Hoje sou muito menos tímida, mas ainda sou bastante. 

Mas você fala tanto, é tão comunicativa… Mas você não sabe o quanto demorei para chegar até aqui! É engraçado isso da timidez. Tem aquela discussão se é da criação, se é genético… Acho que são as duas coisas. Em casa, meu pai, minha mãe e meu irmão são tímidos. É uma luta esse negócio da timidez, eu não aconselho para ninguém. Só que, quando eu falo de timidez, gosto de mostrar o outro lado, senão as pessoas acham que eu era um poste, né? Eu tinha meu grupo de amigos e, com eles, com minha família, sempre me soltei. Eu era uma pessoa normal. Mas é que com as outras pessoas demorava mais tempo para me soltar. 

Como uma pessoa tímida lida com a exposição? Eu ando meio diferente do que sou na TV. Se passar andando por aí, dificilmente as pessoas percebem. Mas, se entro num lugar e começo a falar, aí as pessoas reconhecem. Umas crianças me olham com aquele olhão, outras abraçam e não querem soltar mais e tem ainda as que ficam mudas, não falam nada, e as mães é que vêm falar comigo. Recebo muitas cartas, presentes de fãs, as crianças escrevem poemas, fazem colagem. O carinho é muito grande e me assustou no início. É muito louco porque você não sabe nem se o carinho é para você, porque as pessoas não te conhecem, né? Elas não sabem quem você é… É a imagem da professora Helena que elas estavam vendo. Fiquei meio confusa no início, não sabia muito como lidar. Mas receber carinho é sempre bom e, no fim, é um reconhecimento pelo meu trabalho.

Você pediu um prato de ravióli e comeu ele inteiro. É bom garfo? Olha, sou magra, pequena, por herança genética, minha mãe é assim. Tem fases em que procuro fazer mais exercício e comer melhor, balancear melhor o prato, não comer só massa, tranqueira. Mas tem semanas que estou numa ansiedade sem fim e enfio o pé na jaca. Este ano comecei mesmo a fazer musculação de verdade, com séries de aparelhos, aulas de jump, aeróbico. Chega uma hora na vida que sua genética não segura mais. 

Nossa colunista de sexo, Ana Canosa, diz na coluna dela deste mês as coisas que os homens fazem na cama que agradam às mulheres e as coisas que elas abominam. O que você acha que eles fazem certo e errado? Nossa… Nem sei o que dizer… [fica alguns segundos pensando] Tenho que falar sobre isso? [ri, com timidez] Estou pensando em uma forma elegante de responder. Lógico que, quando o cara pensa em você, não só nele, é muito melhor. Ai, não consigo entrar em detalhes publicamente sobre esse assunto! Tem outra coisa: também acho que existe muita mulher que só pensa nela hoje na cama. Geralmente se pensa na responsabilidade toda como sendo sempre do homem, mas na verdade ela é dos dois, né? Cada um tem que fazer sua parte. 

Você não se sente à vontade para falar sobre sexo? Não muito, na verdade. Fico até vermelha! Fico me imaginando na sua posição fazendo perguntas de sexo para as pessoas, um assunto tão íntimo! Não sei como eu faria!

Você sabia que já começaram as votações para as 100+ VIP?  Já começaram? Nunca estive na lista!

Ah, mas tenho certeza de que este ano você vai estar. Você se vê sexy? Acho que posso passar uma imagem sexy em alguns momentos. Mas ninguém é sexy o tempo todo, né? Alguns dias eu quero andar de pijama, de pantufa. Mas toda mulher tem dias em que quer se sentir mais sexy, usar uma saia, um salto, fazer uma maquiagem, se curtir. 

Quais seus planos agora? Já tentei fazer planos para meu futuro, mas nunca deu muito certo. Porque eu penso em fazer determinada coisa, mas surgem outras [risos]. É muito complicado planejar nessa carreira. Claro que tem coisas que eu quero fazer. Fiz um projeto de um infantil, escrito pela minha amiga Marissol Ribeiro, que é atriz também. Está nas mãos dos produtores e alguma hora sai. E quero voltar para a TV, mas dar uma descansada antes, porque o ritmo é muito intenso.

Todo mundo deve viver dizendo que você é a cara da Paolla Oliveira, né? Sim, falam. Agora que estreou a novela das 9 [Amor à Vida, em que Paolla é protagonista], me falaram muito: “Nossa, ela parece sua irmã!”, “Vocês foram separadas na maternidade!” Tem uns olhares dela, uns ângulos que a câmera pega, que lembram bem. Eu acho ótimo, porque a Paolla é linda! /