Simplesmente Gisele

Ela estabeleceu padrões na moda: “o cabelo Gisele”, “os passos Gisele”, “o corpo Gisele”

(Mert Alas & Marcus Piggott/VIP)

Padrões de beleza na moda são efêmeros. Eles vêm e vão. Há um tipo, porém, que perdura desde que despontou para o mundo, há cerca de 20 anos, e que virou unanimidade: o “padrão Gisele”. O “cabelo Gisele”, os “passos Gisele”, o “corpo Gisele”.

A modelo mais bem paga e influente da história transformou-se em supermodelo com apenas cinco anos de carreira, übermodel (um termo alemão para definir algo ainda maior do que súper, extremo) antes dos 30 e, desde o início desta década, alçou-se ao patamar de ícone.

O que explica os superlativos creditados à top é o resultado de uma equação complicada e muito bem engendrada por ela e a inseparável família: um tanto de risco, muito sentido de oportunidade, sólida identidade, bom planejamento e, como em toda boa história, um pouco de sorte.

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Para o Calendário Pirelli de 2001 (Mario Testino/Reprodução)

Saída de Horizontina, no interior do Rio Grande do Sul, Gisele não foi descoberta enquanto comia um lanche no McDonald’s, como conta parte das mil anedotas sobre o início da sua carreira. Ela se inscreveu aos 13 anos em um curso arranjado pelo olheiro Dilson Stein, natural da mesma cidade e dono do aguçado par de olhos que também descobriu Carol Trentini e Alessandra Ambrosio.

“Falei para uma tia dela que Gisele seria uma das maiores modelos do mundo. Ninguém deu muita bola. A mãe achou a ideia interessante, o pai titubeou, mas armei um encontro com o Zeca de Abreu, na época da agência Elite. Ela não parou mais”, diz Stein.

Foi na virada de garota desconhecida para promessa da moda brasileira que a veia empreendedora surgiu. Stein conta que o pai da então adolescente, Valdir Bündchen, pediu que o todo-poderoso da Elite, o americano John Casablancas, fizesse um plano de ação para a filha nos cinco anos seguintes à assinatura do contrato.

A primeira capa de revista veio em 1995, para a CAPRICHO, da Editora Abril. No ano seguinte, ela estreava na passarela da Zoomp, no antigo Morumbi Fashion, embrião da São Paulo Fashion Week. Em 1997, iniciou a carreira internacional, no desfile do estilista Alexander McQueen.

Da primeira fila daquela apresentação, a poderosa editora-chefe da Vogue americana, Anna Wintour, cravou às colegas: Gisele representaria a beleza da mulher. Em julho de 1999, ela era apresentada, de cara quase limpa, com curvas, cabelos ondulados e bochechas rosadas, como a epítome do “novo sexy”. Casablancas não decepcionou.

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Para o Calendário Pirelli 2006 (Mert Alas & Marcus Piggott/Reprodução)

“Gisele surgiu na hora certa, no lugar certo, no momento certo e ainda soube aproveitar todas as oportunidades que a vida lhe deu”, diz o patriarca das semanas de moda nacionais, Paulo Borges. Fundador da São Paulo Fashion Week, ele acompanhou os primeiros passos da modelo, a quem chama de “a verdadeira embaixadora da moda brasileira”. “Ela carrega a identidade de um Brasil contemporâneo, novo, alegre, saudável. Abriu as portas para a geração inteira de modelos da sua época e das que virão.”

E foi exatamente assim. A garota que todas as marcas queriam ter abriu espaço para uma invasão brasileira na moda internacional. Fernanda Tavares, Luciana Curtis, Ana Claudia Michels e tantas outras meninas saudáveis e curvilíneas para os padrões esqueléticos da época ascenderam ao olimpo.

Cavalo de raça

Outras características explicam o sucesso de Gisele. Ninguém, por exemplo, desfilava como ela. O andar cruzado e a subida de pernas mais alta na passarela fizeram seus movimentos serem comparados aos de um “cavalo de raça” se apresentando à plateia. “Ela sabia que seria um grande diferencial na carreira, algo que ela havia fundado e seria sua marca para sempre”, explica a consultora e empresária Costanza Pascolato.

Quem já viu a modelo trabalhar destaca a fixação por pontualidade – tanto para o início quanto para o tempo estipulado do trabalho –, o controle da própria imagem e o constante sorriso largo e simpático, joia rara em um mercado de egos. “Ela nunca se entregou às pequenas diversões desse mundo. É de uma disciplina absoluta, uma noção de business que pouquíssimas pessoas levam em conta e que exige algum sacrifício”, diz Costanza.

Um desses “sacrifícios” foi, em 2007, não renovar o contrato com a Victoria’s Secret, sonho de qualquer modelo e marca responsável pelos faturamentos anuais milionários das tops. Reza a lenda que a grife de lingerie não quis aumentar os 10 milhões de reais anuais que a modelo recebia.

Seu faturamento, hoje, é estimado em 100 milhões de reais por ano, três vezes mais que o segundo lugar do ranking das modelos, a “angel” brasileira Adriana Lima. Linhas próprias de lingerie e contratos milionários com Chanel, Pantene e Under Armour mantiveram a top sempre no auge.

O segredo de Gisele, de acordo com Costanza, foi acompanhar os movimentos do mundo ao seu redor. “Ela colocou identidade na carreira. Nunca mudou, e se mostra firme em seus princípios de proteger o meio ambiente e ter uma vida saudável, tudo o que a juventude deste século prega e a anterior não dá tanta bola. Ela se manteve no topo não apenas por causa da moda, mas porque conseguiu estar no inconsciente das pessoas.”

(reprodução/Divulgação)

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Comentários

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  1. vida brasileira

    Brasil sortudo! Nessas horas acredito em um país de qualidade. Orgulho de ser brasileira!

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  2. alfredo cardoso neto

    Sim SIMPLISMENTE GISELE, ESTE COMENTARIO COMPARAÇÃO DE TODAS AS “MUSAS” DA PASSARELA É exemplo de que com perseverança, dedicação e conduta honesta, chegamos sempre ao alto nível de qualidade, em qualquer atividade humana. Contudo nossa maior musa, não é só nossa, pois o mundo global a adotou como símbolo de mulher linda, trabalhadora e de personalidade marcante impecável. Profissional, que qualquer empresário gostaria de ter em seu quadro. Mas sua postura profissional, é que elevou seu conceito no mundo da moda, e a nos da pátria do futebol, temos tb o PELÉ das passarelas, sim será insubstituível por eternidade.

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