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Por Lucas Sposito

Quase seis milhões de fãs no Facebook, mais de 200 mil seguidores no Twitter e 800 mil no Instagram. Se o Suicide Girls começou como uma comunidade de admiração à beleza alternativa para quem quer fugir dos padrões da sociedade, hoje ele é uma referência mundial pela internet.

Criado em 2001, o Suicide Girls reúne ensaios “que apresentam uma intimidade bonita de garotas reais, e não necessariamente modelos”, diz a fotógrafa brasileira Andrea Lavezzaro, em entrevista ao site da VIP (leia a íntegra do bate-papo mais abaixo). Como diz o slogan do ‘Suicide’: “What some people think makes us strange, or weird or fucked up, we think is what makes us beautiful“. Hoje em dia, o website recebe nada menos que cinco milhões de visitantes por mês – curiosamente, o público feminino supera o número de visitas do público masculino.

O diferencial do Suicide Girls, entretanto, não é apenas a beleza diferente das modelos: há também a interação entre elas e os assinantes; é possível trocar mensagens e comentários nas páginas de cada garota, onde são centralizados seus ensaios, vídeos e blogs pessoais.

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Conversamos com Andrea Lavezzaro, que fotografa mulheres tatuadas desde 2005. Ela nos contou um pouco do processo de seleção de Suicide Girls, o preconceito com esses visuais alternativos e a diferença entre elas e as consideradas top models. Confira:

Qual é o processo para uma garota qualquer se tornar uma Suicide Girl?
Não é necessário ter tattoos ou qualquer modificação, há SGs de todos os tipos! Mas é obrigatório ser maior de 18 anos, e também se inscrever aqui, enviando qualquer foto nítida (não precisa ser profissional, nem nua). Se quiser ser fotografada por mim, é só escrever meu nome na parte que diz “Referred by”, que eu vejo quando a aplicação for aprovada. Depois de aceita, precisa enviar um ensaio de mais ou menos 40 fotos, começando vestida (ou com algumas peças de roupas) e despindo tudo; não precisa mostrar mais que peitos/bumbum, mas pode. Cada uma vai até onde quer, mas todos os ensaios precisam estar no nível de qualidade que o site pede – se eles gostarem, eles compram; se não, as fotos continuam pertencendo à modelo. Simples assim.

Desde o tempo em que você fotografa garotas tatuadas, percebeu alguma mudança na aceitação do público?
Comecei no Brasil, e obviamente tudo isso ficou muito mais popular e mais bem aceito. Hoje em dia, acho que não tem nada demais ter tatuagens ou não, é só mais um detalhe, um acessório. Quem pensa o contrário precisa sair do bairro e ir viver e ver mais.

O que é considerado “o mínimo” para uma garota ser Suicide Girl?
Não existe nenhum requerimento, nem de tatuagens, nem de cabelo colorido, nem de piercings. Há muitas meninas sem nada disso. O mais importante é ela se sentir bem consigo própria e conseguir passar essa segurança na frente da câmera.

Há alguma modelo que é a sua preferida para fotografar?
Tenho minhas preferidas, porque nos comunicamos muito bem e por isso somos capazes de fazer um trabalho mais legal do que com outras, mas acho isso natural em toda área que exige um trabalho em grupo.

Por que você acha que o público feminino do site é maior que o masculino?
Acredito que é porque as meninas do site são garotas comuns, e o site funciona como uma comunidade; as meninas viram amigas, chamam outras, interagem entre si, e o conteúdo não é muito gráfico. Aí, fica na parte erótica sem ser muito sexual, o que é confortável para a maior parte das meninas, e às vezes muito suave para o que os homens querem ver.

Comparado com a Europa e os Estados Unidos, quão atrasado está o Brasil em relação ao preconceito ao estilo das Suicides?
O Brasil é muito grande, assim como a Europa e os Estados Unidos… Depende de cada pessoa, de cada cidade, tudo varia, não dá para colocar um rótulo nos comportamentos de países e continentes.

As Suicide Girls de hoje estarão entre as modelos consideradas top no futuro?
Acho que não. Já existem, inclusive no Brasil, muitas tops tatuadas ou com look alternativo há mais de 10 anos. E a maioria das meninas que posam para o SG não são modelos profissionais, apesar de algumas conseguirem bastante dinheiro com isso. Todas as que conheço não vivem só disso!, e essa é a graça do site: meninas que são mais que modelos, posando nua.

Que famosa modelo brasileira você acha que ficaria bem se transformada em uma Suicide Girl?
Não conheço a lista de modelos brasileiras famosas, mas o objetivo do site é mostrar a “girl next door” nua, aquela menina que você vê na rua, na balada, que tem seu próprio charme, e não uma modelo profissional. Mesmo que eu soubesse e citasse vários nomes, e tenho certeza que são todas lindas e fariam fotos incríveis, repito: esse não é bem o objetivo do site. A ideia é apresentar uma intimidade bonita de garotas reais.

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Confira abaixo mais um pouco do trabalho de Andrea: