Yanna Lavigne – Match point

Descendente de japoneses e baianos, a sensualíssima atriz global Yanna Lavigne faz qualquer um levar a breja pra sala na hora da novela. Duvida? Ela vai estar no novo folhetim das 23 e aí você pode... levar o babador junto!

por Pedro Só

Algum marmanjo antiquado que bater os olhos no ensaio que ilumina estas páginas pode ter ganas de sacar da algibeira aquela velha cantada: “Que esporte você pratica?”. Lógico que tal abordagem anacrônica nunca daria certo. A linda morena de suaves traços orientais e roupa de tenista é a primeira a dizer: “Sou muito ruim em esportes!”. Djokovic, Nadal, Federer… Quem?? “Não conheço nenhum jogador. Só o Guga! Não tenho intimidade nenhuma com a raquete”, diverte-se. Entrar em quadra para estas fotos foi puro trabalho de atriz, profissão que ela quis seguir desde a adolescência.

O nome é uma variante de Diana, a deusa romana da caça, com uma grafia diferente inventada pelo pai, que foi ao cartório sozinho – e muito ouviu da mãe da menina ao chegar em casa. Mas, pelas vivências iniciais da pequena Yanna, a inspiração do batismo não poderia ser menos adequada. “Eu era sempre a primeira a ser pega no pique-esconde, sempre a primeira a sair no jogo de queimada”, lembra.

Filha de uma baiana de Ilhéus com um sansei, ela nasceu há 27 anos em Osasco, com um olho castanho e o outro, verde (heterocromia natural, nada a ver com a de David Bowie, que surgiu de uma lesão traumática). Passou a maior parte da infância em Porto Alegre. “Quase não tinha oriental na escola. Eu sofri até um ‘bullyingzinho’: no recreio, ficavam repetindo ‘arigatô, sayonará’, essas bobeiras”, conta. Tudo bem, a vingança se come fria como sashimi.

Quando Yanna tinha 14 anos, o pai, engenheiro, recebeu uma oferta de trabalho e levou a família para o Japão. Lá, em Nagoya, passaram a vê-la de outra maneira. Descoberta por um olheiro, foi chamada para ser modelo em Tóquio, onde fez carreira com o nome Anna Inagaki (seu sobrenome paterno). Tinha até fã-clube. Mas os admiradores precisavam se conformar com fotos muito mais comportadas do que as da VIP. “Eram trabalhos voltados para um público adolescente, com as particularidades do Japão.”

Na época, ela tinha outro corpo. “Pesava 10 quilos menos. Mesmo assim, pediam para eu perder quadril. Sofri muito… Tive até uma pré-anorexia.” Cada vez mais interessada em atuar, mergulhou nos popularíssimos teatros japoneses kabuki e butô. Até que, aos 19 anos, resolveu romper o contrato da única forma que não implicaria em pagar multa: voltando ao Brasil. Para tentar a carreira de atriz em São Paulo.

Chamada para uma oficina de atores da Record, mudou para o Rio. Não teve convites da emissora, mas decidiu ficar. “Tinha um dinheirinho guardado, preferi fazer faculdade.” Em pouco tempo, os deuses – da caça ou da audiência – castigaram quem não lhe deu emprego, e a Globo fisgou Yanna.

Desde 2012 emenda trabalhos em novelas como Salve Jorge e Babilônia. Em 2014, na trama policial de Dupla Identidade, apareceu nua, numa cena de autópsia. “Quando soube, deu pânico. Depois percebi que fazia todo sentido.” Em janeiro, surgiu topless na minissérie Ligações Perigosas. Agora, se prepara para encarnar uma prostituta em Liberdade, Liberdade, próxima novela global das 23, ambientada no começo do século 19. 

Para encarar os espartilhos do figurino, Yanna não se mata na malhação. Faz pilates e hot ioga, sem regularidade. Não corre nem surfa, prefere uma bike leve pela Lagoa ou stand-up em Ipanema. Os anos de Rio já lhe renderam doses de carioquice. Além de curtir mate gelado com biscoito Globo na areia do Posto 9, é feliz moradora – e defensora – do Grajaú, bairro da zona norte com belos recantos bucólicos e boêmios. Não dispensa os famosos croquetes dos cultuados botecos da região e adora andar a pé com Boris, seu buldogue francês.

O ator Nando Rodrigues, namorado, fica frio. No Grajaú, ela garante, não tem cantada de rua. “É um bairro família, conheço todo mundo. O garçom do bar da esquina, o cara da padaria…” Impossível acreditar, porém, que os sérios profissionais da vizinhança não suspirem ao ler tatuado no braço da atriz o verso de Manoel de Barros: “Eu só quero agradecer”.