Dor de cabeça? Tome cuidado com o excesso de remédios

Não abuse do analgésico. O tiro pode sair pela culatra!

Tem vezes que é automático: a cabeça está rachando de dor e uma aspirina resolve. Quando a ressaca bate, então, não pensamos duas vezes antes de correr para a caixa de remédios. Só no Brasil, 13 milhões de pessoas sofrem diariamente com dores de cabeça (cefaleia, no termo clínico), segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCE). Assim, não surpreende que analgésicos isentos de prescrição liderem frequentemente o ranking nacional de medicamentos mais vendidos.

Mas o fácil acesso a esses produtos pode dar uma dor de cabeça muito maior – dessa vez no sentido figurado. “Tomar medicamentos não receitados pode trazer sérias consequências. Ingeridos em dose superior à recomendada, podem causar diversas reações, variando de leves alergias até a morte”, afirma Sônia Cipriano, diretora do Serviço de Farmácia do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP).

 

Quando a dor é fraca ou moderada, como no caso de dores de cabeça cotidianas, o recomendado é utilizar os chamados analgésicos anti-inflamatórios não esteroides (Aines). “Eles são os fármacos mais indicados para o tratamento dessas dores pois apresentam baixa relação dose/efeito em sua resposta, ou seja, que podem dar resultado máximo em baixas doses”, explica Moacyr Luiz Aizenstein, professor de farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Tem mais: exagerar na dose também pode transformar a dor de cabeça em companheira íntima. “Dados da SBCE informam que, utilizados frequentemente em quantidades excessivas, esses analgésicos podem perpetuar a dor, tornando-a um problema crônico diário”, diz Sônia. O desenvolvimento de tolerância aos analgésicos e a piora da dor com a continuidade do uso explicam a reação. “Os pacientes podem apresentar abstinência com a interrupção da medicação, manifestando piora da cefaleia por tempo variável.” O ideal? Evitar ingerir esses medicamentos mais de três vezes por mês. Confira uma lista de efeitos colaterais dos Aines, feita por Aizenstein.

– Prejuízo gastrointestinal

Dor abdominal, náuseas, anorexia, úlcera gástrica, hemorragia, perfuração e diarreia são possíveis danos causados pelo excesso desses remédios.

– Problemas nos rins

Passar da conta também pode afetar seus rins. Retenção de água e sódio, edemas, piora na função renal, perda de efeito de diuréticos, menor excreção de uratos e concentração de potássio são algumas das manifestações.

– Danos ao Sistema Nervoso Central

Alguns dos reflexos mais sérios dos analgésicos se dão no sistema nervoso central. Os problemas do consumo exagerado são cefaleia, vertigem, tontura, confusão mental, depressão, diminuição do limiar convulsivoe até hiperventilação.

– Inibe ação das plaquetas

As substâncias presentes nos Aines também influenciam esse componente do sangue, inibindo sua ação. Isso pode aumentar o risco de hemorragias e fazer crescer a propensão a hematomas.