A quatro mãos: tudo sobre massagem tântrica

Após uma experiência tântrica com dois massagistas, nossa colunista descobriu por que andamos tão insatisfeitos na cama

Semana passada num bar, entre vodcas e cervejas, minhas amigas reclamavam que suas últimas transas andavam meio insatisfatórias: mais rápidas do que gostariam, muito focadas na penetração, ansiosas. Faltava algo que elas não sabiam especificar. No dia seguinte, falei com amigos homens sobre isso, e eles me disseram que a sensação não é exclusiva das mulheres. Nunca se falou tanto de sexo e, no entanto, na correria em que vivemos, algo foi perdido. O que é? Foi isso que fui descobrir.

Como confio mais no caminho do corpo (e não no da racionalidade) para entender as coisas, falei com Deva Nishok, do Centro Metamorfose, que criou técnicas de massagem tântrica que, por meio do orgasmo, pretendem atingir questões que talvez não conseguíssemos pelo método racional. Ele sugeriu que eu fizesse uma massagem tântrica a quatro mãos. Ok, né? Vou negar? E orientou que fossem os dois terapeutas que estão há mais tempo lá, o Evandro e o Pashupati.

Eis que, numa bela tarde de sexta, em uma sala com luz baixa na Vila Mariana, me encontrava deitada num tatame, nua, música agradável e dois homens ao meu lado prontos para me tocar. Fechei os olhos e me entreguei. Um deles começou a técnica sensitive, em que se usa só a ponta dos dedos, pelos meus pés, subindo vagarosamente pelas pernas. O outro iniciou pela cabeça, passando pelo rosto. Imediatamente senti acordar minha energia e achei estranho o meu corpo reagir com tão pouco. Minutos depois, quando estavam com as mãos na minha barriga, comecei a ter espasmos.

Até que chegou o momento da yoni, a vagina. Passaram as mãos nas partes internas das minhas coxas e foram subindo. Um deles voltou para a parte superior do meu corpo e o outro continuou subindo pelas pernas até chegar com os dedos ao redor do clitóris. Ele trabalhava pontos que eu não tocaria me masturbando. Gozei muitas vezes em intensidades diferentes. Então entrou em cena um vibrador, estimulando os mesmos pontos. O meu corpo se mexia além do meu controle. Tive que pedir para parar, achei que não aguentaria mais. Foi arrebatador.

Ao acabar, perguntei: “Por que não sinto isso no sexo?” Um deles respondeu: “Presença. É tudo o que você não tem hoje no sexo. As pessoas estão sempre com a cabeça em outro lugar ou apegadas a expectativas delas ou do outro.” Ali tive a resposta: é isso que falta no sexo, mais ou menos o que todo mundo anda fazendo. “O foco está cada vez mais na penetração. Essa parece ser a resposta imediata”, disse Evandro. A temporalidade do sexo não é a das dez estocadas nem a do orgasmo rápido do pornô. . Pashupati diz: “Você quer penetrar para aprofundar ou para acabar logo? Às vezes, a ânsia da penetração é uma fuga do que pode surgir do contato que é mais profundo, do afeto”. Precisamos reencontrar o tempo do sexo. Recuperar o tempo do olhar, do toque que significa algo, da presença. Não esqueça a lição básica do tantra: a mulher conduz. Quem sabe se deixar conduzir pelo tempo mais lento feminino não seja o que vai levar a um sexo melhor para você e para ela, que está por aí, reclamando em mesas de bar?


Carol Teixeira é filósofa e escritora e tem o blog aobscenasenhoritac.com.br. Siga-a: @carolteixeira_