Madame-X do Twitter

Ela faz sexo pago e adora. É compulsiva para tuitar e coleciona milhares de seguidores. A gaúcha Monique Prada bate um papo aberto com Carol Teixeira e revela que a sua profissão é, no fim, a sua grande fantasia

Monique Prada é, antes de tudo, uma fe­­mi­­­­­­­­nista. Prostituta por opção (ela faz questão de usar esse termo, acha boba a designação “garota de programa”), escolhe seus clientes, tem controle total da sua atividade, aproveita as relações sexuais na profissão para gozar e realizar fantasias e só faz o que quer.

Ativista, luta pelos direitos das mulheres – inclusive o de “alugar” o corpo, já que ela rechaça o verbo “vender” – e expressa suas polêmicas e articuladas opi­­­­niões sobre os mais diversos assuntos no seu blog “A Cortesã Moderna” e em seu Twitter @moniqueprada, pelo qual mantém contato frenético com seus mais de 13 mil seguidores.

Recebi Monique na minha casa, numa terça-feira à tarde e falamos por mais de duas horas. Bruna Surfistinha? So last year. Monique, com sua inteligência e certeza total de sua escolha, sem dramas, é a cortesã do século 21, época em que, como diz Camille Paglia, a mulher pode ser tudo, inclusive objeto sexual se escolher isso conscientemente.

Como você virou acompanhante?
A ideia é muito atraente se­­­­­­­xualmente. Começou como uma fantasia. Me sentia realizando fan­­­­tasias – inclusive a de ser paga para realizar fantasias.

E essa coisa da exposição na internet?
Teve a ver com a Bru­­­­­­­na Surfistinha e a notoriedade que ela teve ao se expor? Não li os livros dela, não assisti ao filme, não teve essa relevância para mim. Minha exposição na internet começou com o Twitter. Eu estava dando uma pausa nos programas, então pre­­­­­cisava falar com as pessoas. Eu falava muito com feministas, eu lia muitos textos feministas e me questionava se aquilo era certo, se cobrar por sexo era certo, se gostar de ser puta era certo. E fiquei uns seis meses sem fazer nada.

E voltou por sentir falta?
Sim. Porque gosto muito disso.

Interessante isso, porque muita gente vê vocês como vítimas.
Por isso acho absurdo proibir prostituição ou criminalizar o cliente, “porque ela é meio maluca, retardada, incapaz, e vai ceder a qualquer oferta, porque está passando fome…”. Como se não fosse um acordo consciente entre duas pessoas.
E sua mãe, seus amigos, como lidam com sua profissão? Minha mãe me lê! A gente já brigou muito por isso, mas hoje em dia ela me lê e adora.

Explica com detalhes como é um programa.
É simples, ele me liga ou manda e-mail e nos encontramos num motel.

E você não tem medo?
É relativamente seguro. É a mesma coisa que eu teria num bar, né? Se eu conhecesse um cara num bar e fosse para um motel.

Quando eu disse que ia entrevistar você, meus amigos falaram: “Pergunta se ela goza com os clientes”. Parece que é uma unanimidade essa dúvida…
Sinto prazer, sempre chego pronta, fantasio que tem alguém me esperando, entro no clima. Nem sempre dá para gozar, mas eu sempre tento, muitas vezes consigo. Aprendi a ganhar deles nessa questão, a chegar antes ao orgasmo. Porque, se eu não fizer por mim, vou ficar na mão. Eles são em geral muito queridos e me tratam bem, alguns fazem um oral muito bom.

Eles se preocupam com o seu prazer?
É muito raro encontrar um que não se esforce. Outros, menos frequentes, cur­­­­­­­tem que eu me divirta, sentem prazer com isso.

E como é quando o sexo é horrível? O que você faz?
Claro, tem vezes que eu não curto. Daí eu não repito. Eles me ligam de novo e eu não atendo. Isso é o bom de não ter ninguém por trás, o controle é meu.

Você finge quando não goza?
Não finjo nunca. Está fora do meu contrato [risos]. E você, finge?

Eu, não. Sou muito contra isso. Perguntei porque imaginei que na sua profissão rolasse esse fingimento.
Minhas colegas talvez finjam, não sei. Eu, não. Se não rolou, não rolou. Não significa necessariamente que foi ruim.

Você se considera feminista?
Sou feminista. E perco clien­­­­­tes por parecer intelectual. Colegas já me disseram: “Fulano está louco para sair contigo, mas tem medo porque você parece inteligente” [risos]. Em compensação, depois que comecei a tuitar bastante e mostrar o que penso e o que sinto, conheci homens incríveis, com quem rola bom sexo e bom papo. Não se pode (nem se deve) agradar a todos.

Li no seu blog que você não gosta quando falam que você vende o corpo.
É, eu não vendo nada, eu alugo, eu pego de volta [risos]. Tem regras, tem uma troca, é um trabalho.

O que você não faz num programa? O que é inegociável para você?
Não saio com mulher. Mulher é mais difícil de agradar. Se o homem quer outra junto, eu só topo com uma ou duas colegas que às vezes eu chamo para ir comigo. Não faço inversão, não faço beijo grego…

E sexo anal?
Depende muito. Na hora, se rolar, rolou, mas não é regra.

E orgia? Adoro!

Esses dias li no seu Twitter uma coisa que achei muito legal, que estava “precisando aparecer um curso para ensinar as mulheres a fazer os homens felizes sendo felizes primeiro”.
Primeiro a gente, né? Aprendi que se eu não brigar pelo meu orgasmo ele talvez não aconteça. A mulher não pode passar a responsabilidade do seu prazer para o ou­­­­­tro. Dá também para dizer como a gente quer, mostrar.

E, se tem um cara que arrasa muito, você cogita não cobrar em algum momento?
Jamais. Em todos estes anos nunca deixei de cobrar. Se ele não pagar pra mim, paga pra outra.

E nunca deu vontade de seguir além, ir para um bar depois, continuar o papo?
A gente sai. Às vezes, viramos amigos.

Qual é a melhor maneira de o cara melhorar sexualmente?
Tem que se entregar, não pirar com roteiro.

Receber dinheiro por sexo mudou sua vida sexual fora da profissão?
Eu não tenho vida sexual fora da profissão. Estou feliz assim, não preciso de mais sexo do que tenho.

O que faz com que os homens gostem de transar com você?
Acho que é a entrega que rola. A troca. Faço no máximo 30 ou 40 programas por mês, não entro naquela piração de fazer cinco por dia.

Você já trabalhou em puteiro?
Nunca. Mas já fui expulsa de um puteiro [risos]. Eu e meus amigos fechamos um para fazer uma festa, tipo contratamos o local, tudo normal…

Festa ou orgia?
Descambou para orgia, mas era para ser festa [risos]. Todo mundo bebeu, se soltou. Na verdade, só rolou sexo no banheiro. Daí algumas garotas da casa decidiram participar e o dono não gostou muito, foi uma confusão, multaram as garotas que trabalhavam lá.

Na próxima, me chama, preciso ter uma expulsão de pu­­­­­tei­­­­­­­ro no meu currículo [risos].
Combinado! [risos].

Carol Teixeira tem o blog aobscenasenhoritac.com.br. Siga-a: @carolteixeira_