O sexo como eu gosto

Sexo não combina com racionalidade. Pensar demais atrapalha o tesão. Sexo bom é aquele que, quando acaba, você nem sabe o que aconteceu

Escrevo há muitos anos aqui e várias das mensagens que recebo acabam inspirando meus textos. Semana passada, um leitor me escreveu com uma pergunta que achei que valia a pena ser citada e respondida aqui: “Afinal, como é o sexo que você gosta?”.

Percebi que já escrevi muito sobre o que as mulheres em geral gostam, mas nunca dediquei uma coluna a descrever meus gostos particulares. Então, querido leitor, aí vai a resposta.

Eu gosto de putaria com carinho. Aquele sexo que vai alternando entre uma pegada forte & sacanagens no ouvido com momentos mais tântricos de delicadeza, carícias mais suaves, toques certeiros. São nesses momentos suaves que meus orgasmos acontecem, mas preciso dos outros também para afastar qualquer pensamento racional e trazer alguma perversão para a ocasião. Sexo não combina com controle e racionalidade. Pensar demais atrapalha o tesão. Sexo bom é aquele que, quando acaba, você nem sabe o que aconteceu.

Prefiro sexo de dia. Não gosto de transar em momentos óbvios, tipo chegando em casa após uma festa. Prefiro aquelas situações inusitadas, de intimidade em casa, transformar um instante que nem parecia sexual em algo surpreedentemente excitante. Adoro ouvir as fantasias do outro; automaticamente, elas viram minhas – adoro me adaptar a fantasias alheias, ser uma fantasia para o outro. Acho bom também falar sobre elas durante a relação. E curto manter esse clima até quando já tenho intimidade com a pessoa.

Não gosto tanto de mandar e receber nudes, mas adoro um sexting, amo mensagens eróticas (coisa de escritora, né? Como diz uma personagem do meu último livro: “Sou uma mulher que se masturba lendo Milo Manara e Anaïs Nin”) – mas precisam ser sinceras, não dá para escrever por escrever. Vale também para sacanagens faladas na hora do sexo: adoro, mas precisa ser nesse clima de verdade. Adoro elogios antes, durante e depois. Me excitam. E olho no olho, sempre. Por isso preciso de alguma luz, totalmente no escuro não dá.

Sexo é conexão: preciso dessa entrega minha e do outro, senão considero um sexo ruim mesmo sendo tecnicamente incrível. Não curto homem que se deixou ser deseducado pelo pornô, que fica no mesmo ritmo rápido, tipo britadeira o tempo todo (isso não vai fazer uma mulher gozar), que subestima a importância das preliminares (essenciais para uma mulher), seguindo o mesmo script sempre.

Gosto muito de sexo oral (dar e receber). Não curto sexo apressado, a não ser em alguma situação proibida que traga uma excitação específica. Prefiro sexo com alguma intimidade e conexão, então não curto o casual. Sou exibicionista para a pessoa com quem estou, gosto dessa dinâmica, criar situações que peguem o outro de surpresa e gerem aquela excitação imediata que não passa pela mediação da razão. Adoro ver o outro perder o controle.

Sexo para mim é sagrado. É uma possibilidade de transcendência. Sexo é muito mais que sexo. Sou apaixonada pelo erotismo, e por isso escrevo há tanto tempo sobre o tema. Assunto infinito – para escrever e para vivenciar.

Carol Teixeira é filósofa, escritora e autora do livro Bitch (Record)
Siga-a: @carolteixeira_

Comentários

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  1. Elias Pereira Da Silva Pereira Da Silva

    o lula que falava..nao sei o que a dilma tem ,pois todo mundo que fuder ela.kkkkk

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