A comédia involuntária dos jogos de sexo virtual do passado

Nos anos 80, a molecada se divertia com os games eróticos. Rindo, claro

lsl‘Leisure Suit Larry’ é um dos mais conhecidos jogos de sacanagem da história

Sexo é um assunto cheio de tabus. Felizmente eles têm caído nos últimos tempos e o tema tem sido tratado com mais naturalidade, mas ainda assim muita gente fica com o cabelo em pé — ou outra coisa — só de ver um peitinho escapando.

Nos games isso não é diferente. Antes, qualquer sinal de nudez era motivo para críticas (ou para zoar os nerds, dizendo que era a única mulher pelada que veriam na vida). Hoje estão famosas as cenas de sexo de jogos classe A como God of War, GTA e Mass Effect.

Mas houve uma época em que jogos obscuros de tema adulto saíram aos montes. Qualidade? Não. Apelo sexual? Também não. Bizarrices? Aos montes. Assim como a pornografia dos anos 80 (não se faça de desentendido, sabe do que estamos falando), os jogos adultos da época passavam por cima de todos os tabus para aproveitar os videogames e computadores, então em ascensão, e oferecer entretenimento adulto nessas plataformas.

Na Vice, a britânica Clara Ellison resgatou um pouco da história dos jogos eróticos para discutir exatamente esse assunto, seus preconceitos e sua evolução. Escolhemos os principais para mostrar o quão esquisitos eram esses games e porque essa relação nunca rendeu nada muito além de risadas.

Aquele que é considerado o pai da putaria nos games é Softporn Adventure, que rodava no Apple II, computador da mesma empresa que hoje faz o iPhone, e depois foi lançado para outras plataformas. É basicamente um game em que o jogador precisa seduzir a mulherada e se dar bem a noite toda. Mas tudo na base da imaginação, porque o jogo é daqueles que “conversam” com o jogador na base de comandos textuais. Dá uma olhada aqui embaixo.

Um ano depois, começaram a “brilhar” os japoneses, aqueles que, sem dúvida nenhuma, são os grandes campeões na categoria “sexo virtual dos anos 80”. Foi deles o primeiro jogo com cenas explícitas de sexo – OK, eram só silhuetas em posições de trepadas –, Night Life. Quem fez foi a Koei, embora o jogo não seja listado oficialmente pela produtora, e era mais encarado como um guia sexual para casais que um jogo.

NightLife

O ano de 1982 também é marcado por ser aquele que antecedeu o famigerado “videogame crash” do mercado norte-americano. Em poucas palavras, os videogames domésticos estavam em alta e todo mundo quis desenvolver jogos, já que eles não precisavam ser licenciados pelos fabricantes dos consoles. Mas eram games tão ruins que ninguém comprava e todo o dinheiro investindo nisso não deu retorno. Uma questão de economia básica que quase derrubou os jogos eletrônicos para frente e um episódio que tem inúmeros exemplos.

Alguns deles são os inacreditáveis jogos sexuais feitos pela Mystique, que tinham suas versões femininas e masculinas. Em Custer’s Revenge, o colonizador americano dá uma ~bimbada~ nas nativo-americanas enquanto desvia de flechas. Bachelor’s Party é uma espécie de Breakout horizontal, mas mal feita e, em vez de bolinhas e blocos, figuras pixeladas de homens e mulheres nus. Philly Flasher mostrava um cara se masturbando no alto de um prédio e duas mulheres tentando pegar as gotas de esperma com a boca.

Depois ainda saíram Jungle Fever, X-Man (nada a ver com mutantes) e Gigolo – neste último, o objetivo é entrar nas casas e trepar com quem estiver dentro. Ainda estamos tentando entender como alguém teve essas ideias, mas dá para perceber porque a indústria quebrou pouco depois.

Talvez o jogo mais famoso desse gênero é Leisure Suit Larry, série da Sierra que até pouco tempo atrás ganhava títulos novos. É praticamente uma versão gráfica de Softporn Adventure. Na realidade, a primeira edição é exatamente isso, com as mesmas situações, objetos e diálogos, mas com o protagonista baixinho que só quer tirar o atraso.

Entrando nos anos 90, temos algo de que quem frequentava casas de fliperama deve lembrar – os Gals Panic, aqueles jogos em que era preciso “cortar” a tela sem ser interrompido para revelar a imagem da garota pelada. Todas japonesas, claro, por ter uma criação da Kaneko.

A narrativa desses jogos ganhou força com Leisure Suit Larry, mas inspirou outros títulos como Sex Olympics. Aqui, a Free Spirit misturou pornografia e ficção científica: o jogador viajava pela galáxia tentando trepar mais que o concorrente e, assim, vencer o concurso. Como ele conseguia isso? Na base do xaveco, claro — e sabotando o rival, achando itens importantes antes dele. Sensualidade pura, como se pode ver na imagem abaixo.

sexolympics1

Leather Goddesses of Phobos segue a mesma linha, mas ninguém sai da Terra — são os aliens que vêm para cá. As aliens, na realidade. As “deusas do couro” que dão nome ao jogo não passam de um bando de dominatrixes que querem transformar nosso planeta em seu playground do prazer e o objetivo do jogador é… impedir isso? Mas por que? Deixa elas!

leathergodesses

E não para por aí. Fuck Quest, por exemplo, é uma paródia dos jogos de aventura do início dos anos 90. Como o próprio nome diz, a aventura é levar a mulherada para a cama. Só no final (spoilers!) é revelado que o personagem era virgem. Talvez isso justifique a celebração com fogos de artifício depois que ele finalmente dá aquela aliviada.

E ainda há Paradise Café, um jogo português sem qualquer sentido sobre um cara que vai ao bordel, vende drogas, é assaltado, manda ver numa velhinha e ainda é ~enrabado~ pelo cafetão se não tiver dinheiro para pagar e pode acabar na prisão. Não é nenhum sonho, é Paradise Café. Foi produzido por um estúdio chamado Damatta em 1985 para o computador doméstico ZX Spectrum. Não deve existir nada mais absurdo que isso.

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