Tablets, smartphones e conversíveis: quem vence a disputa?

Os usuários migraram para os smartphones e conversíveis — e os vendedores perceberam isso

De acordo com o IDC (International Data Corporation), a venda de tablets teve uma queda de 14,7% no começo de 2016. As 39,6 milhões de unidades vendidas de longe até parecem muito. Isso se você desconsiderar que em 2013, as vendas ao redor do mundo alcançavam a marca de 78,6 milhões.

Do ano passado para cá, a Apple (líder em vendas de tablets) viu o iPad despencar 18,8% em suas vendas — chegando ao total de 10,3 milhões de unidades ao redor do mundo. Logo atrás, vemos a Samsung com 6 milhões de unidades e queda de 28%, seguida por Amazon e Lenovo (ambos com 2,2 milhões).

O público optou pelo melhor e os vendedores também notaram isso. Afinal, eles preferem barganhar por um aparelho conversível como o Surface Pro 4 ao vender um tablet com Android (de marcas paralelas) com o preço 10x menor.

Assim, vemos um interesse maior por parte do público nos “queridinhos portáteis”, os smartphones.

“Telefones inteligentes”

Bem, a verdade é que tudo gira em torno da praticidade e portabilidade. Ok, a cada ano, o iPhone fica consideravelmente maior — e mais complicado de caber no bolso. Porém, se levarmos em consideração os últimos 10 anos, o avanço tecnológico no mundo dos smartphones pode ser tomado como referência a um nível de tecnologias para desktops.

A ideia inicial dos tablets — pelo menos um dos “objetivos-raíz” das primeiras campanhas — era criar um concorrente de peso para o meio impresso, tanto livros como revistas. Uma espécie de e-book com um maior campo de interações; o seu “centro multimídia portátil”.

Um celular potente (principalmente os com sistema de processadores dedicado) roda jogos e carrega vídeos/aplicativos com extrema facilidade. A tela de 5 ou 6 polegadas é Full HD. E ele cabe no bolso.

Conversando com quem entende do assunto

Em uma declaração à VIP, a diretora de marketing da Sony Mobile Ana Peretti relatou que, ao desenvolver os produtos, é levado em conta o tipo de experiência dos usuários.

“No caso dos tablets acreditamos ser uma experiência mais imersiva, de certa maneira planejada e seletiva, ao passo que o smartphone é uma experiência imediata, de dia a dia, como se fosse uma extensão do corpo de cada usuário e que não requer nenhum tipo de planejamento”, ela declara.

Com o aumento do tamanho das telas de celulares, houve a queda de vendas de tablets: em 2015, por exemplo, “aproximadamente 6,5% das vendas foram de smartphones com telas acima de 5 polegadas”; no ano seguinte, “este número mais do que triplicou, passando a representar aproximadamente 22% das vendas”.

Fica claro que eles estão apostando mais em smartphones com telas maiores (“superiores a 5 polegadas”), focando em trazer “inovações presentes em outras categorias como televisão, câmeras e produtos de áudio”.

Por quê (ainda existem) tablets?

Para aqueles que costumam chegar em casa e assistir Netflix na cama, um tablet é indispensável — pois um notebook acaba não sendo tão prático na maioria das vezes. Um único tablet pode cumprir a “tarefa” de ser a central de multimídia de uma família, que sequer questiona a possibilidade de dividir o celular.

Por sinal, na prática o tablet funciona como um meio-termo entre o smartphone e o laptop. E exatamente por isso há a tentativa de popularização dos “híbridos”, os notebooks que destacam-se de seu teclado — ou, literalmente, são dobráveis, transformando-se em um tablet. A chegada de produtos destacáveis (tablet+teclado) como o Microsoft Surface Pro 4 e o Apple iPad Pro só ajudam a reforçar estes dados.

A verdade é: tablets logo se tornarão obsoletos com o avanço tecnológico de smartphones — e, infelizmente, nós precisamos aceitar isso. A “Era do iPad” já acabou.