Os melhores DJs do Brasil

Os melhores DJs do Brasil

VIP reuniu um júri de feras em música eletrônica para criar o ranking dos que mais detonam nas pickups

Por: as 4:07 pm em 22/04/2010


DJ Renato Cohen

B asta prestar um pouco de atenção nas notícias sobre música para perceber como nos últimos dez anos o eletrônico tomou uma dimensão jamais imaginada no Brasil. Pegue o Carnaval de Salvador deste ano como exemplo. Em vez de apenas bandas de axé, os principais blocos colocaram DJs internacionais em cima do trio elétrico – sem falar nos camarotes baianos animados apenas pelo bate-estaca.

Cuiabá, no Mato Grosso, tornou-se importante cidade para o som eletrônico, com clubes novos pipocando todo ano. O litoral catarinense há anos é parada obrigatória de DJs internacionais que aterrissam no Brasil. Por último, quem não quer ser DJ hoje em dia? Até o namorado brasileiro da Madonna (que obviamente não ganhou nem um votinho dos nossos jurados) pegou carona no estilo para aumentar a fama.

Entre os DJs brazucas, nossa eleição mostra quais são os mais respeitados dentro e fora do país. Convidamos um júri VIP de gente que sabe tudo do assunto para chegar ao ranking dos melhores da atualidade. Cada jurado fez um ranking de quatro DJs brasileiros. O primeiro colocado ganhou 4 pontos, o segundo, 3, e assim por diante. Para completar, pedimos que cada um indicasse um DJ revelação que deverá bombar nas casas do país em pouco tempo. São nomes em que vale a pena ficar de olho.

1º Renato Cohen

Jeito tranquilo, fala pausada e uma postura quase zen. Quem vê Renato Cohen longe das pistas nem pode imaginar do que ele é capaz nas pickups. Com um som baseado em techno e misturado a house e disco, o melhor DJ do Brasil hipnotiza multidões. “O Cohen tem muita personalidade. É pista boa na certa”, diz a jornalista (e jurada) Gaía Passarelli. Três dias após tocar na aclamada Fabric, em Londres, Cohen conversou com a VIP por telefone. “Eu não acho meu som pesado, eu acho meu som energético. Você pode ser doce e forte ao mesmo tempo”, definiu. Produtor de mão cheia, Renato começou a carreira de DJ em 1996, na Hell’s, em São Paulo, e estourou mundialmente após alguns anos com o hit Pontapé. “Era uma época difícil, o Brasil ainda não era cool”, lembra. Depois, seu nome passou a constar em festivais pela Europa, pela Ásia e pelos Estados Unidos. O DJ foi um dos poucos a tocar em todos os nove Skol Beats e ganhou, em certas edições, até mais atenção do que as atrações internacionais. Para o holandês Edo Van Duyn, sócio da agência de música eletrônica 3Plus e curador de todos os Skol Beats (exceto o primeiro), Cohen consegue elevar o som a um novo nível. “A criatividade me impressiona. Você escuta a música e sente algo diferente, algo orgânico.” Eclético, o DJ ouve ultimamente artistas bem longe da dance music: Hermeto Pascoal, Airto Moreira, Herbie Hancock e jazz japonês. Ano passado, lançou seu primeiro álbum, Sixteen Billion Drum Kicks (algo como 16 bilhões de bumbos). “Eu imaginava um grande cosmos musical, com uma constelação de bumbos. O bumbo para mim é o mais importante, é o alicerce da música na pista”, explica. No álbum, o som eletrônico passeia pelos mais variados estilos: funk, disco, jazz e samba-rock. Mas, entre produzir e tocar, Cohen prefere estar na cabine de DJ. “Discotecar é um malabarismo com a atenção das pessoas. Sem que percebam, você as faz descansar e as anima. No meio disso, você dá o que elas querem e coloca o que você quer”, diz o número 1 do país.

myspace.com/renatocohen
CD: Sixteen Billion Drum Kicks 3Plus Music/ST2, R$ 21,90

2º Gui Boratto

Se para qualquer músico tocar no festival Coachella, nos Estados Unidos, e no Montreux Jazz Festival, na Suíça, é motivo de orgulho, imagine para um DJ que começou produzindo músicas no próprio quarto. Segundo lugar no nosso ranking, Gui Boratto tornou-se um dos poucos a alcançar essa façanha. E tem mais: é o único brasileiro a figurar na lista dos melhores DJs do mundo de 2009, da revista britânica DJ Mag. “Gui é quase uma unanimidade mundial. Não gosta do estilo? Tente fi car parado enquanto ele toca uma de suas envolventes produções”, desafi a Gabriel Lucas, do blog Factóide!. Como produtor, Boratto remixou músicas para o Pet Shop Boys e o Moby. Tanto talento o levou à casa mais nobre do estilo minimal, o selo Kompakt. “O Gui tem uma biblioteca musical na cabeça. Ele faz o que poucos conseguem em eletrônico: emociona as pessoas com seu som”, diz Edo Van Duyn. Se você não conhece nada de Boratto, corra para o YouTube e procure por Beautiful Life.

myspace.com/guiboratto

3º Márcio Vermelho

Duas das melhores baladas eletrônicas de São Paulo, Vegas e D-Edge, fazem questão de ter festas com Márcio Vermelho. Por quê? “Ele tem bom gosto e uma técnica surpreendente. Quem não conhece está perdendo”, explica a jornalista Cláudia Assef, do nosso júri. DJ desde 2001, Márcio consolidou sua carreira nas grandes casas noturnas e, junto ao Magal, foi um dos primeiros a levar a disco music de volta às pistas. Hoje, o estilo é a nova tendência do eletrônico, superando a moda minimal (aquela que ficou famosa por ser mais suave e basicona). “A disco tem energia, é rica e mutante, está aí há décadas e se encontra mais renovada e multifacetada do que nunca. Sem ela, os inúmeros estilos e vertentes que temos hoje não existiriam. Acho essa retomada atual um momento especial para as pistas de dança. Ela dá ao DJ muito mais abertura para agregar diversidade e passear por vários outros estilos. From disco to disco”, diz Márcio. Além de pesquisar muito som antigo, o terceiro colocado no ranking dedica boa parte de seu tempo a equipamentos. “Toco músicas com muitos vocais, batidas quebradas e baixos orgânicos. Durante as apresentações gosto de fuçar em tudo para obter o melhor de cada equipamento.”

myspace.com/djmarciovermelho

4º Zegon

Se você estiver na pista de uma balada, e Zegon, na cabine do DJ, prepare-se. Em um segundo, você ouve hip hop e, no outro, o som transforma-se em rock pesado. O mais louco: você nem percebe a mudança. “Ele é talvez o mais versátil dos DJs, vai do rock à música negra sem se fazer notar”, explica o empresário (e nosso jurado) Facundo Guerra. Segundo Zegon, o segredo é treino. “Tem que ver as batidas, saber o momento certo para entrar. Às vezes, eu descubro que o tom de Beat It [Michael Jackson] é o mesmo de Seek and Destroy [Metallica] e emendo as duas.” O sucesso de Zegon não é de hoje. Antes ele era Zé Gonzales, DJ do grupo Planet Hemp. Agora a agenda está mais concorrida do que na época de Marcelo D2 e companhia. Só em 2009, Zegon tocou em quase 200 festas em todos os continentes. “Foi como dar cinco voltas ao redor do mundo”, diz. Uma das razões do sucesso mundial é o projeto N.A.S.A., em parceria com o americano Squeak E. Clean. Entre as baladas de 2009, esteve no Coachella Festival e, como poderíamos esquecer, na festa das 100+ da VIP.

myspace.com/djzegon

5º Marky

Quem nunca ouviu falar em Marky? Após 20 anos de carreira, o DJ continua a aparecer nas listas dos melhores. Motivos não faltam. O cara simplesmente revolucionou o drum and bass e inseriu o Brasil no mapa do putz putz global. “Foi ele quem colocou os brasileiros na cena mundial, utilizando técnicas de mixagem sem precedentes”, diz o jurado Leo Sanchez, da Pacha. Marky começou em festas na Vila Matilde, na zona leste de São Paulo. Quem descobriu seu talento foi o holandês Edo Van Duyn. “Fui ao Lov.e ver sua apresentação e fiquei impressionado, como a maioria das pessoas do planeta”, lembra Edo. O holandês o levou para Londres e não demorou para fazer sucesso. Na carreira, ele já alcançou a 15ª posição nas paradas britânicas com o hit LK, teve músicas no game FIFA Street 2 e, no Skol Beats, ganhou uma tenda inteira para ele (a Marky & Friends). Ah, não pense que o estilo do DJ está decadente e sem futuro. “O drum and bass continua bem. A mídia não fala, mas mercado ainda tem”, diz Edo.

myspace.com/djmarkyinnerground

As revelações

Eduardo Christoph
Estilo:
house e techno
“Além de ter se tornado um super-DJ, é um dos grandes agitadores da cena eletrônica no Rio.” Cláudia Assef myspace.com/eduardochristoph

Attik
(Hugo Dias e Thiago Almeida)
Estilo:
house e tech house
“Uma das joias de Cuiabá. Produzem, inventam e caíram no radar do [empresário] DJ T, que escolheu uma canção deles para participar de uma competição.” Factóide!
myspace.com/attikbrazil

Ad Ferrera
Estilo:
classic house e classic disco
“Sua técnica de mixagem e repertório estão cada vez melhores. É debochado nos sets, usa do universo pop, sem cair na cafonice, e consegue derreter qualquer pista.” Facundo Guerra
myspace.com/adferrera

Benjamin Ferreira
Estilo:
house, tech house e disco
“Não é um novato, mas está despontando agora no cenário de clubes em São Paulo. Tem força na pesquisa musical e muito feeling de pista. Pra ficar de olho.” Gaía Passarelli
myspace.com/benjaminferreira

Fatnotronic
(Gorky e Phillip A)
Estilo:
do maximalismo ao funk carioca
“É a união de dois DJs com técnicas inusitadas e diversidade musical. Muito divertidos.” Mixhell
myspace.com/fatnotronic

Rafael Yapudjian
Estilo:
house e lounge
“Com um futuro promissor, é um artista que se adapta a todas as situações, tocando para que as pessoas se divirtam com um som não-comercial.” Leo Sanchez
myspace.com/rafaelyapudjian

Paulo Tessuto
Estilo:
house, acid house e tech house
“Uma noite dessas me surpreendi de novo, bom gosto, técnica e carisma.” Fábio Mergulhão
myspace.com/paulotessuto

O JÚRI

Cláudia Assef
Jornalista e autora do livro Todo DJ já Sambou. Seu blog é tododjjasambou.com.br

Facundo Guerra
Sócio das casas Vegas Club, Volt, Z Carniceria e Lions Nightclub

Mixhell
Iggor Cavalera e sua mulher, Layma Leyton, formam há cinco anos o Mixhell

Fábio Mergulhão
Há mais de uma década, Mergulhão fotografa a cena eletrônica

Gaía Passarelli
Fundou e edita o rraurl.com, maior site de eletrônico do país

Factóide!
Gabriel Lucas e Daniel Soares são os blogueiros do factoide.com.br, de Cuiabá (MT)

Leo Sanchez
Sócio da Pacha – que tem noites disputadas em São Paulo, Florianópolis e Búzios

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Por: em 22/04/2010

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