A pioneira Honda X-ADV custa caro, mas conquista pela versatilidade

Por causa do peso de uma big trail, a X-ADV tem até freio de estacionamento, como um carro

Moto Honda X-ADV

 (Honda/Divulgação)

Aviso de parcialidade jornalística 1: não gosto de scooters. Para mim, uma moto convencional é superior a uma scooter em 99% das situações do cotidiano.

Aviso de parcialidade jornalística 2: sou fã de motos off- road. Há 12 anos vivendo em São Paulo, sempre tenho uma moto trail na garagem como principal veículo para uso diário.

Por isso, meu cérebro bugou ao encarar pela primeira vez a Honda X-ADV (pronuncia-se “éks-êidiví”, em inglês mesmo, não o “xis-adêvê” do bom português) no já distante Salão Duas Rodas de 2017, quando a Honda do Brasil expôs o bichinho para testar a reação do público e decidir se traria, ou não, a X-ADV para cá.

Era uma scooter, uma trail, uma crossover ou nenhuma das anteriores?

Moto Honda X-ADV

 (Honda/Divulgação)

Fato é que a X-ADV causou furor no evento, e por isso agora, um ano depois, desembarca por aqui, importada do Japão (mais sobre isso, já, já).

Será que eu gostaria dela tanto quanto gosto de motos ou teria com a X-ADV implicância semelhante a que tenho com scooters?

Como dizem por aí, only one way to find out: subindo na motoca para um rolê on e off-road nos arredores de Paraty (RJ).

Por causa do peso de uma big trail, a X-ADV tem até freio de estacionamento, como um carro. Dá para montá-la como uma scooter, de frente, ou de lado, como uma moto. 

Para contextualizar seu novo produto, a Honda convocou o velejador Amyr Klink, um “hondeiro” raiz — sua primeira moto foi uma Gorilla 50 cc na década de 70 —, para o evento de lançamento da X-ADV.

A bordo do veleiro Paratii-2, com o qual invernou na Antártica por múltiplas vezes, Amyr traça um paralelo entre as duas máquinas: “No Paratii-2, encomendei um casco todo em alumínio, largo, chato e sem quilha, para que o barco fosse eficiente em todas as condições, desde um mar aberto revolto até passagens entre fiordes de geleiras”.

A X-ADV tenta ser tão multifacetada quanto o veleiro de Amyr.

Moto Honda X-ADV

 (Honda/Divulgação)

A confusão já começa na hora de subir na moto: com o assento alto e um resquício de túnel de transmissão, é possível montá-la tanto como uma scooter, trazendo as pernas por dentro, entre o banco e o guidão, quanto como uma moto, alçando a perna direita por cima.

Uma vez acomodado, o traço mais definidor da X-ADV se manifesta. Ela não possui nem o tradicional câmbio CVT de “marchas infinitas” de uma scooter, nem a caixa mecânica sequencial de uma moto, mas sim um câmbio automático de dupla embreagem, como em um Golf GTI, por exemplo.

Moto Honda X-ADV

 (Honda/Divulgação)

Pode-se optar por três modos: drive, sport ou manual, trocando as seis marchas no punho esquerdo, tal qual o paddle shift de um carro.

A cilindrada de 745 cm3 do motor bicilíndrico não é coincidência: trata-se da metade do deslocamento do motor 1.5 de quatro cilindros de um Honda Fit. Sim, a usina da X-ADV nada mais é que um motor de Fit “serrado ao meio”.

Isso se traduz em um caráter único, com bastante torque em baixas rotações, como em um carro (6,9 kgfm a 4.750 rpm). Também como em um carro, o redline vem cedinho, a menos de 7 mil rpm. A potência é de 55 cv, contra os 115 cv do Fit.

Esse conjunto motor-câmbio tão incomum cobra um preço pesado. Os 223 quilos a seco da X-ADV equivalem ao peso de uma big trail como a BMW F800 GS.

É tanta massa que a moto possui até freio de estacionamento, tal qual um… Fit.

Todo esse peso é tecnicamente ruim, mas traz um efeito colateral positivo: o centro de gravidade da X-ADV é baixíssimo, o que significa que ela “curveia” muito, mesmo com os pneus de uso misto.

Na primeira metade do rolê, encarando serras de asfalto, me vi chegando a inclinações que certamente nunca havia atingido em uma scooter.

Mas minha curiosidade maior estava para a parte off-road do roteiro.

Moto Honda X-ADV

 (Honda/Divulgação)

O maior diferenciador da X-ADV em relação a uma scooter de alta cilindrada convencional são suas rodas grandes, aro 17 na dianteira e 15 na traseira, e um curso de suspensão digno de uma trail, com 153 mm na frente e 150 mm atrás.

A falta do tanque no meio das pernas fez com que eu me virasse, forçando os pés contra o assoalho para fazer o papel de contrapeso nas curvas que meus joelhos fariam.

O bom torque em baixa, a suspensão longa e bem acertada e a comodidade das trocas rápidas de marcha na mão esquerda tornam a X-ADV um verdadeiro monstrinho no off-road, divertidíssima na terra, na areia e nos buracos.

A motoca entrega a conveniência de uma scooter, com a versatilidade na estrada e fora dela de uma moto trail de média cilindrada.

Se você tem espaço na garagem para uma única moto, a X-ADV é difícil de bater. O problema: prepare o cheque. Importada do Japão e com seu sofisticado câmbio DCT, ela custa só 6 mil reais a mais que um Fit…

 

Ficha Técnica

■ Nome: Hondax-adv

■ Motor: 745 cc

■ Peso: 223 quilos

■ Preço: R$ 52,5 mil

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